29/09/2026
EU AINDA TE QUERO
Eu queria dizer que já passou.
Que o teu nome deixou de doer
quando aparece por acaso
no meio de uma conversa.
Queria dizer que aprendi
a dormir sem procurar o teu corpo,
a acordar sem esperar uma mensagem,
a passar pelas nossas lembranças
sem sentir vontade de voltar.
Mas seria mentira.
Porque ainda te quero
nos dias em que finjo não querer ninguém.
Ainda te procuro
na multidão,
mesmo sabendo que,
se te encontrasse,
talvez já não soubéssemos
o que fazer um com o outro.
É estranho...
Um dia conhecemos alguém
e pensamos:
é esta pessoa.
E depois chega o tempo,
chegam as mágoas,
os silêncios,
as palavras que não foram ditas...
E, de repente,
somos dois estranhos
que sabem exatamente
onde o outro costumava doer.
Eu ainda te quero.
Não como antes.
Talvez pior.
Porque antes eu queria
o teu amor.
Hoje eu só queria
que o nosso fim
não tivesse sido tão definitivo.
Queria mais uma noite,
uma conversa sem orgulho,
um abraço demorado,
um último olhar
que dissesse:
"Eu também não queria que terminasse."
Mas a vida não nos deve
os finais que imaginamos.
Então vou continuar.
Vou aprender a carregar
o teu nome sem pronunciá-lo,
a sentir saudade sem te procurar,
a amar aquilo que fomos
sem tentar ressuscitar
aquilo que morreu.
E talvez um dia
eu consiga olhar para ti
sem querer voltar.
Mas hoje...
se alguém me perguntar
se ainda te quero,
eu vou mentir.
Vou dizer que não.
Porque às vezes
a única maneira de sobreviver
a um amor que acabou
é fingir que o coração
também recebeu o aviso.
Autora: Jéssica Queta