23/05/2026
A Garota Que Escrevia Saudades
Ela escrevia sobre saudade
como quem escreve sobre a própria pele.
Porque sentir falta
era a única coisa
que ela sabia fazer perfeitamente.
Havia sempre uma tristeza bonita
morando nos olhos dela.
Daquelas que ninguém entende,
mas todo mundo percebe.
Ela sorria…
mas parecia cansada da vida
mesmo sendo tão nova.
Talvez porque algumas pessoas
envelhecem emocionalmente cedo demais.
A garota que escrevia saudades
tinha o coração cheio de silêncios.
Silêncios de mensagens não respondidas.
De despedidas mal explicadas.
De promessas que morreram no meio do caminho.
Ela amava intensamente.
E esse sempre foi o problema.
Sentia tudo em excesso: o abandono,
a ausência,
as lembranças,
as madrugadas.
Principalmente as madrugadas.
Porque era nelas
que a dor perdia o sono
e começava a conversar com ela.
Então escrevia.
Escrevia para não enlouquecer.
Escrevia porque o peito dela
vivia pesado demais
para guardar tanta coisa sozinha.
Ninguém imaginava,
mas por trás daqueles poemas delicados
existia uma menina emocionalmente destruída
tentando sobreviver aos próprios sentimentos.
Ela tinha o hábito triste
de visitar conversas antigas
como quem volta ao lugar
onde perdeu a si mesma.
E ainda esperava mensagens
de pessoas que já haviam partido há muito tempo.
No fundo,
a garota que escrevia saudades
nunca superou realmente ninguém.
Ela apenas aprendeu
a sofrer em silêncio
e transformar dor em poesia.
Talvez seja por isso
que a lua parecia tão parecida com ela.
As duas eram bonitas…
mas incompletas.
E enquanto o mundo dormia,
ela continuava acordada
escrevendo textos sobre amores que doeram,
sobre pessoas que partiram,
e sobre um coração
que nunca conseguiu cicatrizar completamente.
Porque algumas garotas choram.
E outras…
viram escritoras.
Jéssica Queta