13/11/2025
📽️ Dear Home of Scars– Ciclo de Cinema DIPANDA 50 🎥
Acontece hoje, dia 13 de novembro (quinta-feira), às 19h00, no Hotel Globo, a oitava sessão do Ciclo de Cinema DIPANDA 50, promovida pelas associações Cinéfilos & Literatus e KinoYetu. 🎬📚🌏
Na ocasião, exibir-se-á o documentário Dear Home of Scars (Dir. Marina Meijer, 2024, Gana), produzido pela Ammodo Docs e coproduzido por Een Van de Jongens. 🎬🌏
🎙️ Oradores
• Suzana Sousa – Curadora e professora
• Ngoi Salucombo – Programador cultural do Goethe-Institut Angola
• Rosário Matias – Presidente da União dos Artistas Plásticos Angolanos (UNAP)
Moderação
Adriano Cangombe — Artista e Professor do ISART
Texto Curatorial
A mesa de conversa em torno da temática curatorial «Repensar as Agências Culturais Internacionais e a Criação de Agências Culturais Locais» e do documentário «Dear Home of Scars», integra o ciclo de Cinema DIPANDA 50, uma iniciativa das associações Cinéfilos & Literatus e KinoYetu, dedicada à promoção de diálogos críticos sobre os caminhos da cultura contemporânea angolana.
O encontro propõe-se a estimular reflexões em torno da urgência de reavaliar o papel das agências culturais internacionais — centros de arte, fundações, universidades e instituições de pesquisa — que, ao longo das últimas décadas, moldaram de forma significativa o pensamento, as práticas e as políticas culturais em Angola e em diversos países africanos.
Ao questionar as estruturas históricas de legitimação e mediação cultural, a sessão convoca uma leitura crítica sobre as dinâmicas de poder que continuam a influenciar o modo como o continente é representado, estudado e inserido no circuito global das artes.
Nessa perspectiva, a experiência institucional do artista Ibrahim Mahama, na cidade de Tamale (Gana), surge como referência exemplar: um modelo de autogestão e de reconfiguração simbólica do território, através da criação de universidades, centros de pesquisa, bibliotecas e museus concebidos a partir das realidades e urgências locais.
A partir desse ponto de observação, propõe-se uma análise sobre a ausência histórica de políticas culturais estruturantes e de instituições nacionais de arte em Angola, especialmente ao longo dos últimos cinquenta anos.
Tal lacuna tem implicações concretas na construção da historiografia artística e na consolidação de um pensamento crítico próprio.
Assim, esta sessão não se limita a uma leitura comparativa entre contextos, mas pretende provocar um debate sobre soberania cultural, autonomia institucional e imaginários de futuros.
Ao inspirar-se na prática de Mahama e em experiências similares no continente, o encontro aponta para a necessidade de edificar infraestruturas culturais enraizadas no território e informadas pelas epistemologias locais, capazes de sustentar um ecossistema artístico verdadeiramente emancipador e plural.
ACL - Mais cinema, reflexão e cidadania! ✨📚