13/05/2026
A minha obra "Unhas, Não Basta Beleza", o quinto capítulo da saga Maluco Consciente.
Em memória ao meu eterno amigo Alberto Joaquim (Betinho).
O texto apresenta uma proposta arrojada que mistura realismo social, espiritualidade e metalinguagem.
A obra utiliza uma estrutura de sonho dentro de um sonho ou ciclos repetitivos, o que confere um tom surrealista ao guião.
O Protagonista como Observador (Maluco Consciente) actua como um "coro grego" moderno ou um bobo da corte shakespeariano. Ele está à margem da sociedade (vivendo num balde de lixo), mas possui a lucidez necessária para comentar e ironizar a futilidade alheia.
O texto explora a tensão entre a estética (beleza/unhas) e a essência ética. O conflito não é apenas romântico entre Mercelony, Laslay e Meredith, mas existencial, envolvendo divindades como Luyaka Ana e Brogos Mondre.
O autor utiliza símbolos visuais fortes para construir sua crítica social.
As unhas representam o cuidado excessivo com a aparência e a superficialidade. As "Smooths", com seus rostos vazios e máscaras escuras, simbolizam a despersonalização causada pela busca por padrões de beleza ocidentais e sociais.
A "Casa de Todos os Homens" serve como um plano metafísico onde os desejos humanos e as consequências espirituais se cruzam.
O uso de iluminação vermelha, azul e amarela em contraste com a luz branca busca traduzir visualmente o peso emocional e a luta entre o sagrado e o profano.
O texto é um comentário directo sobre a sociedade angolana contemporânea, focando em:
Materialismo nos Relacionamentos -Através das falas de Meredith e suas amigas, o autor critica a troca do afeto genuíno por segurança financeira (o "Dubai Porta Party").
O Efémero - A mensagem central de que "ninguém é jovem para sempre" e que a beleza física é finita serve como um alerta moralista.
Empoderamento Distorcido - O guião questiona a ideia de que o domínio sobre o homem através da beleza seja uma forma real de poder, sugerindo que isso leva ao vazio existencial.
A obra não é apenas um texto literário, mas um espetáculo total que integra dança (Jazz, Tango, Hip Hop) e música (Célia Cruz, Sade). Essas inserções funcionam como extensões emocionais das falas.
O autor alterna entre o português coloquial angolano (com gírias como "wis", "mboa", "jarda") e um tom mais solene ou "requintado", marcando as diferenças de classe e estado mental das personagens.
"Unhas, Não Basta Beleza" é uma obra de forte carga moralizante que utiliza o absurdo para chocar o espectador. O final trágico de Meredith — um suicídio causado pela fragmentação da identidade entre o humano e o espiritual (Luyaka) é um encerramento pesado que reforça a tese de que a beleza desprovida de conteúdo é um "caminho sem volta".
A força do texto reside na figura do Maluco Consciente. Ele é o único que transita entre todos os mundos sem se perder, sugerindo que, numa sociedade obcecada pela imagem, talvez apenas quem é visto como "louco" consiga manter a sanidade e a autenticidade.
Nunca vos irei esquecer:
Ângela Fortunato JB
Jorge Manuel
José Camanga
Helios Fernandes
Emilio Bernardo
Milca Ngangula
Yadana Victor D***o
Osvaldo C Ferrão Ferrão
Marion Costa
Bernardo S Bernolli Bernolli
Valenth Victoria
Laurindo C. Neto Neto
Chance Elchadai