07/10/2020
CURSO DE LATIM
2ª AULA
ABECEDÁRIO LATIM (ROAMNO): ORIGEM , REGRAS BASICAS DE ESCRITA E PRONÚNCIA
Na nossa segunda aula, vamos fazer referência sobre o primado fundamento do idioma latino.
O alfabeto latino primitivo era composto de 21 letras, ou seja, o mesmo alfabeto do português atual, excluindo-se o J, o V e o Z, mas incluindo-se o K. A letra I tinham valores ora de consoante, ora de vogal, conforme o contexto fônico do vocábulo. Soa como consoante, quando no início da palavra: ius (jus); como vogal, quando no meio: pinus (pinus).
O sinal K foi logo no início aceito, por influência do grego. Também por essa mesma influência e a fim de facilitar as transcrições literárias, foram incorporados os sinais Y e Z. Mais tarde, lá pelo século XVI, foram incorporados pelo filólogo Petrus Ramus, sendo por isso denominadas “letras ramirias”, à escrita latina também os sinais J e V, certamente por influência das próprias línguas neolatinas, então já existentes.
QUAL A ORIGEM DO ALFABETO LATINO?
O alfabeto latino, também conhecido como alfabeto romano, é o sistema de escrita alfabética mais usado do mundo. Quase todas as línguas da Europa ocidental e central, além das áreas colonizadas por países europeus, usam esse alfabeto. Ainda assim, entre as dez línguas mais faladas do mundo, apenas três o empregam: o português, o espanhol e o inglês. Mas você sabe como o alfabeto latino surgiu e foi evoluindo até chegar ao que conhecemos hoje?
Surgimento
O alfabeto latino começou a ser adotado pelos romanos no século VII a.C. Ele derivou do alfabeto etrusco, que, por sua vez, teve origem no grego. A princípio, o alfabeto romano tinha 21 letras: A, B, C, D, E, F, Z, H, I, K, L, M, N, O, P, Q, R, S, T, V, X. Entre esses caracteres havia variações de letras romanas: por exemplo, o C era uma variação do gama, e representava os sons /k/ e /g/. O G foi introduzido no lugar do Z, que foi excluído no século III a.C. por não representar nenhum som romano. A letra acabaria voltando ao alfabeto no século I a.C., quando Roma conquistou a Grécia. Além do Z, o Y foi adicionado, passando a ser usado para a escrita de palavras com radicais gregos.
As últimas três letras que compõem o alfabeto latino atual foram adicionadas na Idade Média: o J, o U e o W. O J surgiu para diferenciar o uso do I com som de consoante. Da mesma forma, o U foi introduzido para diferenciar o uso do V com som de vogal. E o W surgiu para representar sons germânicos.
O alfabeto usado pelos romanos tinha apenas letras maiúsculas (ou caixa alta). As minúsculas, ou de caixa baixa, surgiram na Idade Média. As antigas letras romanas foram mantidas em inscrições formais e para dar ênfase em documentos. As línguas que usam o alfabeto latino geralmente empregam maiúsculas no início de parágrafos, frases e nomes próprios, mas as regras variam de acordo com o idioma. Em inglês, por exemplo, as nacionalidades devem ser iniciadas em caixa alta, e em alemão os substantivos começam em maiúsculas.
Hoje, o alfabeto latino padrão contém 26 caracteres. É esse o sistema usado na língua portuguesa e no inglês. No entanto, há diversas variações de acordo com os idiomas em que é usado. Assim, são criadas fusões de letras, modif**ações e extensões para que a escrita se adapte a cada contexto.
O ALFABETO LATINO: REGRAS BÁSICAS DE ESCRITA E PRONÚNCIA
1. Grafia:
O alfabeto latino é o mesmo da língua portuguesa, excetuando-se aquelas letras de origem anglo-germânica (k, y, w). As vogais e consoantes têm a mesma classif**ação e são grafadas da mesma maneira, tanto nas maiúsculas como nas minúsculas.
2. Pronúncia:
Releva observar que as regras abaixo se inserem no contexto do chamado latim eclesiástico, que foi a forma da pronúncia latina utilizada no contexto da americana latina até os anos 60. Sem desconhecer que existem outras pronúncias, sobretudo a pronúncia reconstruída, prefiro adotar a pronúncia eclesiástica, por ser mais aproximada da pronúncia do português vigente.
Os sons correspondentes às letras do alfabeto em latim têm a mesma característica da pronúncia em português, com algumas pequenas diferenças, que apresentamos a seguir:
2.1. As vogais devem ser pronunciadas com o som original da letra, mesmo quando não são tônicas. Por exemplo: em português, a palavra "belo" pronuncia-se ''bélu''; já em latim, a palavra ''bello'' pronuncia-se ''bélo''. Em português, a palavra ''triste'' pronuncia-se ''trísti''; já em latim, a palavra ''Christe'' pronuncia-se ''kríste''. A palavra ''objeto'' em português pronuncia-se ''objetu''; em latim, a palavra ''objecto'' pronuncia-se ''obiékto''. Isto é, as vogais são sempre pronunciadas com os seus sons originais. Note-se ainda a existência dos grupos vocálicos 'oe' e 'ae', que são pronunciados como 'e' aberto. Por exemplo, 'coelum' pronuncia-se 'célum'; 'laetitia' pronuncia-se 'letícia'.
Convém observar que no português que se fala em Portugal, diferentemente do que se fala no Brasil, até pouco tempo as palavras ainda conservam a consoante que tinham na sua forma original do latim, por exemplo, 'objecto', 'facto', 'acto', 'subjectivo', acontecendo o mesmo também em espanhol. Porém, a partir do Acordo Ortográfico assinado pelos países lusófonos em 2008, também em Portugal esta consoante originária do latim deverá aos poucos entrar em desuso. Isto signif**a que as mutações ocorridas na língua portuguesa no território brasileiro findaram por criar uma variação linguística ainda mais distanciada da fonte latina comum a todos nós e que se tornou padrão para todos os demais países de língua portuguesa.
2.2. Algumas consoantes assumem sons diferentes, conforme o caso:
2.2.1. A letra ''t'' antes de ''i'' tem som de ''s'', quando a sílaba não é tônica. Ex.: ''gratia'' pronuncia-se ''grássia''; ''locutio'' pronuncia-se ''locússio''; ''fortiori'' pronuncia-se ''forsióri''.
2.2.2. A letra ''j'' tem sempre som de ''i''. Ex.: ''jus'' pronuncia-se ''iús''; ''Jesus'' pronuncia-se ''iésus''; ''jacta'' pronuncia-se ''iácta''.
2.2.3. O grupo consonantal ''ch'' tem som de ''k''. Ex.: ''machina'' pronuncia-se ''mákina''; ''charitas'' pronuncia-se ''káritas''; ''chorda'' pronuncia-se ''kórda''.
2.2.4. O grupo consonantal ''gn'' tem som de ''nh''. Ex.: ''ignis'' pronuncia-se ''ínhis''; ''cognosco'' pronuncia-se ''conhósco''; ''regnum'' pronuncia-se ''rénhum''.
2.2.5. O grupo consonantal ''ph'' tem som de ''f'', igual ao português arcaico. Ex: philosofia (filosofia); phoenices (feníces).
3. Algumas características da fraseologia latina:
3.1. Não há artigos definidos e indefinidos.
3.2. Em geral, não há palavras oxítonas.
3.3. É usual f**arem palavras ocultas (subentendidas).
3.4. O verbo geralmente f**a no final da oração.
3.5. A regência dos verbos nem sempre corresponde ao português.
4. O uso das consoantes 'j' e 'v' na língua latina:
Os romanos da época de Cícero (século I a.C.) não conheciam os sons correspondentes às consoantes 'j' e 'v', utilizando as letras 'i' e 'u', respectivamente, que algumas vezes funcionavam como vogais, outras vezes como consoantes. Só a partir do século XVI, por influência dos estudiosos do latim medieval, começaram a aparecer estas consoantes na grafia das palavras, todavia a pronúncia continuou sendo correspondente à das vogais 'i' e 'u'. Isto quer dizer que estas consoantes não pertencem ao latim clássico, mas foram já uma influência regressiva das línguas neolatinas sobre a língua mãe.
Esta alteração, porém, justamente por ser considerada uma influência das línguas européias sobre o latim original, é rejeitada por alguns estudiosos mais puristas, que defendem a pronúncia reconstruída do latim.
A disseminação da escrita do latim com as letras 'j ' e 'v' se deu, sobretudo, pela atuação da Igreja Católica, tendo em vista que o latim é ainda hoje a sua língua oficial, e o estudo do latim nas escolas sempre foi orientado pelo latim eclesiástico.
Esperamos que tenha gostado da nossa 2ª aula, amanhã voltamos com a nossa 3ª aula.
A Comunidade Jurídica.
ADM: HJCS
🎯⚖
–“Fazemos ciência com a consciência”.