08/10/2025
A Igreja em Casa:
Um Retorno às Origens
A Igreja Primitiva, conforme o testemunho do Novo Testamento, reunia-se nas casas dos santos. Paulo envia saudações “à igreja que está em sua casa” (Romanos 16.5; 1 Coríntios 16.19; Colossenses 4.15; Filemom 2). Aqueles primeiros cristãos não possuíam templos, não porque considerassem errado reunir-se em prédios, como afirmam os desigrejados modernos, mas porque viviam sob constante perseguição. Era impossível erguer templos públicos quando confessar o nome de Cristo podia custar a própria vida. Assim sendo, as casas se tornaram santuários, as mesas eram como se fossem púlpitos, e os lares, pequenas fortalezas do Evangelho.
Essa prática, porém, não foi exclusiva da era apostólica. Ao longo da história da Igreja, sempre que a verdade foi perseguida, o povo de Deus voltou às casas. Durante a Reforma do século XVI, quando as chamas da Inquisição tentavam apagar a luz da Palavra, muitos pastores protestantes — como Guido de Brès, autor da Confissão Belga — serviram igrejas secretas. Essas congregações, muitas vezes compostas por centenas ou até milhares de crentes, não podiam reunir-se publicamente. Assim, o pastor cultuava com duas ou três famílias por vez, indo de casa em casa, ministrando a Palavra, os sacramentos e a disciplina, sustentando a fé do rebanho em meio à escuridão da perseguição.
Seguindo o mesmo caminho, nós, do Grupo Reformado de Oração e Doutrina, também nos reunimos em casa — não por rebeldia, mas por fidelidade. Não por desprezar os templos, mas por amor à pureza do culto. Vivemos dias em que muitas igrejas foram profanadas por invenções humanas, e poucas permanecem firmes sob o Princípio Regulador do Culto. Por isso, reunimo-nos no lar, cantando os Salmos e orando, fazendo a leitura e a exposição das Escrituras, crendo que o Senhor habita com os humildes e que onde dois ou três se ajuntam em Seu nome, ali Ele está no meio deles (Mateus 18.20).
A Igreja de Cristo não depende de paredes, mas da presença do