17/09/2023
AS TEORIAS DOS HOMENS SOBRE AS MULHERES
“O verdadeiro problema com as mulheres é terem sempre de tentar adaptar-se às teorias dos homens sobre as mulheres, como sempre fizeram. Quando uma mulher é totalmente ela mesma, está a ser o que o seu tipo de homem quer que ela seja. Quando uma mulher está histérica é porque não sabe muito bem o que ser, que padrão seguir, a que imagem masculina de mulher se ajustar.
Porque, é claro, assim como existem muitos homens no mundo, existem muitas teorias masculinas sobre o que as mulheres deveriam ser. Mas os homens tendem para grupos, e é o grupo, não o indivíduo, que produz a teoria, ou 'ideal' de mulher.
(...)
E assim, pobre mulher, o destino captura-a. Não é que ela não possua uma mente — possui. Ela tem tudo que o homem tem. A única diferença é que ela procura um padrão. Dêem-me um padrão a seguir! Será sempre este o grito da mulher. A menos, é claro, que já tenha escolhido o seu padrão muito jovem; então, ela vai declarar que é absoluta, e nenhuma ideia de homem sobre as mulheres terá qualquer influência sobre ela.
(...)
O homem está disposto a aceitar a mulher como semelhante, como um homem de saias, como um anjo, um demónio, uma cara de bebé, uma máquina, um instrumento, um seio, um útero, um par de pernas, uma criada, uma enciclopédia, um ideal ou uma obscenidade; a única coisa que ele não aceita é que ela seja um ser humano, um verdadeiro ser humano do s**o feminino.”
— David Herbert Lawrence ou D. H. LAWRENCE (Nottingham, 11 de Setembro de 1885 — Vence, 2 de Março de 1930), romancista, poeta, dramaturgo, ensaísta, crítico literário e pintor inglês, num excerto que traduzimos de “A propos of Lady Chatterley’s Lover”. Trata-se de um panfleto que ele escreveu em 1929, para defender o seu ousado, aviltado e censurado romance “O Amante de Lady Chatterley”. Proibido no Reino Unido, só seria publicado aí em 1960, 30 anos depois da morte do autor devido a complicações da tuberculose.