23/02/2022
Deixe que eu te eloqueça
Deixe a minha língua, morder os seus lábios
Enquanto as minha unhas, beliscam as curvaturas das suas ancas;
Os meus poros comerem o seu suor salgado
Deixe que eu te eloqueça
enquanto te descrevo sem caneta
apenas com a minha seta
cuja a tinta é o leite comprado na loja da procriação
deixe que eu te eloqueça,
com assobios dos gemidos da minha alma
com o palpitar do meu coração ardente
com loucura enquanto o meu eu
acasala a sua alma lá no além
e a testemunha é o anjo de Belém
Deixe que eu te eloqueça
com coro dos anjos rejido pelo anjo Tubias
lá no ponto mais alto de Angola
E o rei Mbalundo anelar os nossos fantasma, na fantasia do acaso no morro do Moco.
Deixe que eu te eloqueça
Oh minha negra, negra amarga
Negra doce, doce minha Costela
Deixe que eu te eloqueça
com o cheiro da rosa rosa
passeiando nas suas concavas curvas
na noite aluarenta, debaixo dos lençóis de pólen
deixe que eu te eloqueça
enquanto danço tango com você
O sol abraça a noite lá no céu
e minha língua saborear o doce mel amargo que há dentro da sua orelha
Deixe que eu te eloqueça
na frequência modular do palpitar do seu coração
na banda larga do seu respirar ofegante
na contração da acção da nossa atracção
Deixe que eu te eloqueça, enquanto me perco nos seus abraços de fada
Oh, minha rainha.
''A_dor_da_i'alma_depenada''