14/09/2025
Talvez hoje você esteja zangado comigo.
Porque eu disse “não”.
Porque coloquei um limite.
Porque não deixei você fazer o que queria.
Porque te alertei, mesmo quando você não queria ouvir.
Talvez ache que quero controlar você.
Que exagero.
Que sufoco.
Que eu não deixo você “ser”.
Mas um dia…
Quando o tempo passar,
quando for você o responsável por proteger alguém que ama mais do que a própria vida,
nesse dia, sem que eu precise dizer nada,
você vai me entender.
Vai perceber que cada “não” que eu disse era um “eu te amo” disfarçado.
Cada limite era uma trincheira entre você…
e um mundo que nem sempre perdoa.
Cada aviso era um escudo invisível contra feridas que o tempo não cura.
Contra pessoas que ferem sorrindo.
Contra silêncios que pesam mais do que gritos.
Eu não o fiz por capricho.
Fiz porque vivi.
Porque já tropecei em abismos com rostos simpáticos.
Porque sei que há quedas que não deixam marcas na pele, mas quebram por dentro.
E há dores que só o amor pode tentar evitar.
Talvez hoje você me veja como a vilã.
A que limita.
A que proíbe.
A que não entende.
Mas um dia…
Você vai ouvir sua própria voz dizendo “não” com o coração apertado.
Vai colocar um limite em alguém que ama…
E vai doer.
Vai doer como doeu em mim.
E nesse instante, sem julgamentos,
com os olhos marejados,
você vai lembrar de mim.
E, em silêncio, vai me abraçar.
Porque nesse dia você vai saber:
amar também é ter coragem de ser incompreendido.
É proteger, mesmo sendo odiado por isso.
É sangrar em silêncio para que o outro não se machuque.
E então… você vai me perdoar.
E vai me amar mais do que nunca.
Abílio Cesário Domingo Tchacupomba