29/04/2026
MENSAGEM DO
DIA MUNDIAL DA DANÇA
Escrevo isto no início de 2026, quando parece não haver fim para a opressão, a convulsão e o sofrimento no nosso mundo. Diariamente, ao testemunharmos o horror do que os humanos são capazes de fazer uns aos outros e a máquina de poder que financia e alimenta a violência indizível contra pessoas e o planeta, a dança parece uma resposta fácil e inútil. É difícil imaginar o que um artista da dança pode fazer num mundo que precisa tanto de mudanças radicais e cura.
E, no entanto, a arte, assim como a esperança, é uma forma de amor. Desafiadoramente geradora diante da profanação, a arte é um solvente para a mente calcif**ada e um bálsamo para curá-la. A arte é um receptáculo que nos acolhe enquanto lidamos com questões – juntos – de uma maneira diferente das notícias, diferente dos documentários e da educação, diferente da opinião e das redes sociais, diferente do ativismo e do protesto, mas não incompatível.
Através da criatividade, acumulamos resistência e esperança através de pequenos atos de coragem, curiosidade, bondade e colaboração. Na dança e na criação coreográf**a, encontramos a prova de que a humanidade é mais do que nosso mais recente fracasso global devastador.
Mas a dança não precisa de justif**ação, nem de explicação. Ela é feita de nós, mas não nos deve nada. Ela só precisa de habitar um corpo disposto. Desse lugar, ela pode traduzir o inefável; atuando como intermediária entre nós e o desconhecido.
Somos tocados por esses vestígios fugazes de beleza no momento presente. E, ao incorporarmos tanto a dança quanto o seu desaparecimento, somos lembrados de nossa impermanência. Ao mesmo tempo, se estivermos atentos, a dança dá-nos vislumbres ocasionais da alma.
Crystal Pite, coreógrafa, Canadá
Excerto da mensagem