15/07/2026
Esta não é uma despedida. É uma carta para vocês.
Para as mulheres que chegaram sem saber muito bem porquê... e f**aram.
Para as que vestiram um quimono e sentiram que estavam, pela primeira vez, a vestir-se de dentro para fora.
Para as que acolheram um Mora em Ti e perceberam que não levavam apenas uma pintura para casa, mas um espelho da sua própria alma.
Para as que abriram um oráculo e encontraram beleza nas perguntas e não nas respostas.
Para as que escreveram nos cadernos palavras que durante anos viveram em silêncio.
Para as que acreditaram nos ateliers antes mesmo de abrirem as portas.
Para as que sonharam comigo sonhos que ainda nem tinham acontecido.
Vocês sentiram antes de eu conseguir explicar.
E isso continua a ser um dos maiores presentes da minha vida.
Muitas pessoas me perguntam como nasceu esta marca, mas a verdade é que ela não nasceu apenas de mim.
Nasceu de cada mulher que acreditou em mim quando tudo isto era apenas uma semente.
De cada mulher que vestiu esta causa, confiando nas minhas mãos e levando as minhas criações para a sua vida, dando-lhes um signif**ado que eu nunca conseguiria imaginar sozinha.
Eu criei.
Vocês que deram vida.
Eu desenhei os quimonos.
Vocês ensinaram-me que eles podiam abraçar uma mulher muito para além do tecido.
Eu pintei.
Vocês mostraram-me que uma obra pode transformar-se num espelho.
Eu escrevi.
Vocês deram voz às palavras.
Eu sonhei.
Vocês tiveram a coragem de sonhar comigo.
Porque nenhuma criação f**a completa nas mãos de quem a faz. Ela só ganha alma quando encontra quem a vive. E foi isso que vocês fizeram.
Transformaram esta marca numa casa.
Uma casa onde há espaço para rir alto.
Para chorar sem vergonha.
Para dançar sem medo.
Para criar sem regras.
Para existir sem pedir licença.
E talvez seja por isso que nunca senti que estivesse a construir uma marca. Sempre senti que estávamos a construir um lugar onde as mulheres se recordam de si.
Agora chega Agosto e vou fazer aquilo que sempre vos convidei a fazer.
Desligar o ruído.
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