11/08/2024
Abril em tempos de resistência.
Resistência porque os corpos estão a suportar tristeza, fadiga, desgaste, individualidade e solidão. Resistência quando a vida parece uma corrida para coisas que não fazem falta e que até, muitas vezes, não queremos. Resistência se temos de lembrar, todos os dias, direitos e afirmações fundamentais à condição humana.
O corpo está à defesa.
Estamos à defesa, a dosear Amor e dor.
No ano simbólico em que celebramos e lembramos o momento em que reivindicamos sonhar e fazer outro mundo, utópico pela multiplicidades de vontades mas agregador nos pontos comuns, assumimos ação. No ano em que a extrema direita bate recordes de representatividade desde o estado novo o corpo está, ainda mais, à defesa. Não calamos. Num tempo em que direitos tidos como garantidos são questionados e postos em causa por uma voz social sem ética ou consciência, aumentamos a toada.
E o corpo defende.
A defesa é meio caminho para o controlo. Corpos com medo são mais controláveis, corpos solitários são mais facilmente manipuláveis e questionados.
Abril pode ter muitos aspectos que não são consensuais. Mas há algo que afirmamos com o coração no sítio certo. Abril traz e lembra que os corpos, quando passam da defesa à afirmação dos preceitos justos, humanos e éticos para a vida em sociedade, a mudança acontece.
A mudança pode mesmo acontecer.
A voz não calará os ataques e o questionamento que colocam em causa as causas que Abril abriu.
O ritmo manterá a ação coletiva de assumir e buscar um mundo mais justo e fraterno.
Cantamos e tocamos, também, para trazer a ação aos corpos em defesa. Seguimos o propósito de cantar a tradição oral para lembrar a resistência dos corpos que adivinhamos na melodia, na letra, no timbre.
Que os corpos sejam ação, a palavra propósito e o encontro experiências para um mundo novo.
fotografia de Meru Freire