25/08/2026
Passadas umas semanas, resolvi ouvir outro podcast. Trata-se de um podcast cuja existência tenho registada na memória desde Abril de 2026. Mas confesso que não ouvi-o naquela altura. Como também já disse há semanas, a vontade de ouvir podcasts é-me muito menor do que a de ler textos e a de ver (e ouvir) vídeos. Porém, confesso igualmente que já devia tê-lo ouvido porque contém a conversa que a Georgina Angélica e a Paula Cardoso tiveram com uma Mulher - sim, com «M» sem qualquer sombra de dúvida! -: a Profa. Ana Josefa Cardoso (artigo do Expresso em baixo). ^_^
Tenho a certeza de que muitos de vocês desconhecem a Profa. Ana Josefa, mas ela não é uma pessoa qualquer para mim: as nossas vidas cruzaram-se na Escola Básica 2/3 do Vale da Amoreira vulgo «Escola do Mato» - eh, pá, salvo erro, deram o apelido porque a escola situa-se numa zona de mato (aconselhando a lá ir ver quem não acredita)! - no ano letivo 2004/2005 - eu como aluno de sexto ano, ela como professora de Língua Portuguesa. Aliás, foi como professora dessa disciplina de Ensino Básico que foi entrevistada neste podcast d'O Tal Podcast (o nome não vos faz lembrar a historicamente famosa série de 𝑙𝑖𝑣𝑒-𝑎𝑐𝑡𝑖𝑜𝑛 𝑂 𝑇𝑎𝑙 𝐶𝑎𝑛𝑎𝑙? A mim faz curiosamente!). A Georgina e a Paula conversam com indivíduos de etnia africana para esta série de entrevistas áudio online. Só que não são indivíduos quaisquer: são personalidades que se destacam em diversas áreas. E a Profa. Ana Josefa é uma das professoras portuguesas, de qualquer etnia, que mais e melhor destaque mediático merece! É o que me levou a ouvir o podcast. Não deixo esta opinião por simples simpatia que nutro por ela misturada com o carinho das boas recordações pregadas na alma. Deixo-a porque, como disse, fui testemunha do que fez e como trabalha - e ainda sou prova! É que, vendo bem as coisas, influenciou-me um pouco na contação de histórias! Continuo a desenrolar esta minha a opinião como um tapete para saberem no que se traduz essa influência e o que esperar do podcast. ;)
𝑈𝑚𝑎 𝐴𝑣𝑒𝑛𝑡𝑢𝑟𝑎 𝑛𝑎𝑠 𝐼𝑙ℎ𝑎𝑠 𝑑𝑒 𝐶𝑎𝑏𝑜 𝑉𝑒𝑟𝑑𝑒 é um livro da coleção literária 𝑈𝑚𝑎 𝐴𝑣𝑒𝑛𝑡𝑢𝑟𝑎 originalmente publicado em 1990. Como o seu título indica, este livro é sobre Cabo Verde, tanto a nível de fiçcão como a nível de não-ficção. Isso denota-se no facto de, como em muitos outros livros da coleção, para além da história em si, haver a secção «O que é real nesta aventura?» nele. Foi a publicação em papel sobre a qual a minha turma do sexto ano se debruçou pedagogicamente. Isso até teve lógica: a Profa. Ana Josefa é natural de Cabo Verde afinal. Ora eu já era fã desta coleção literária naquela altura; sou atualmente fã de toda a franquia que leva o nome d'𝑈𝑚𝑎 𝐴𝑣𝑒𝑛𝑡𝑢𝑟𝑎. Com 𝑈𝑚𝑎 𝐴𝑣𝑒𝑛𝑡𝑢𝑟𝑎 𝑛𝑎𝑠 𝐼𝑙ℎ𝑎𝑠 𝑑𝑒 𝐶𝑎𝑏𝑜 𝑉𝑒𝑟𝑑𝑒, o meu gosto por esta franquia de ficção só aumentou. Não é dos melhores livros 𝑈𝑚𝑎 𝐴𝑣𝑒𝑛𝑡𝑢𝑟𝑎 (referindo-me à franquia), mas tem um enorme atrativo: a representatividade cultural. Foi através da escrita da Ana Maria Magalhães e da Isabel Alçada que fui apresentado a uma cultura completamente diferente da minha. É claro que foi a cultura de Cabo Verde que me despertou a atenção neste caso. Adoro a maneira com que essa cultura é retratada no livro: de forma respeitosamente realista após pesquisas bem feitas. Aliás, é assim que culturas para além da cristã e portuguesa étnica da Área Metropolitana de Lisboa (a cultura predominante de Portugal, o território onde o conteúdo d'𝑈𝑚𝑎 𝐴𝑣𝑒𝑛𝑡𝑢𝑟𝑎 é originalmente apresentado) são geralmente retratadas na franquia. Foi essa excelente maneira de fazer representatividade cultural de que tomei noção, anos mais tade, já como criador de conteúdo artístico. Essa é umas das razões para adorar esta franquia. E é igualmente a razão pela qual estas duas escritoras sejam dois dos meus modelos na criação de conteúdo artístico - https://www.facebook.com/photo/?fbid=122129771684624301&set=a.122129155460624301. Pretendo, no fundo, dar a conhecer diferentes culturas ao meu público através da contação de histórias da mesma maneira que elas têm feito! :)
Ora a semente da noção da maneira de fazer representatividade cultural da Ana Maria Magalhães e da Isabel Alçada foi implantada com a escolha de livro para leitura de ensino que a Profa. Ana Josefa fez, mostrando assim um pouco de Cabo Verde, da sua cultura e das suas gentes, quando deu aulas de Língua Portuguesa à nossa turma de sexto ano. Portanto, pode dizer-se seguramente que foi assim que ela influenciou-me como o contador de histórias que sou atualmente! 😁
Até adoro este podcast. Nele se ouve uma conversa feita com um genuíno à-vontade da Georgina Angélica, da Paula Cardoso e da Profa. Ana Josefa Cardoso. As suas intervenções são incisivamente ditas com ponderação, mas também sem papas na língua. Isso faz os seus recetores pensarem sobre os assuntos então abordados. Ainda aprendi bué sobre a história de Cabo Verde, o crioulo cabo-verdiano e como é e deve ser feito o ensino, especialmente em contexto de multiculturalidade e interculturalidade, através dessa conversa. Ri-me a valer com algumas coisas que elas os três disseram! A única coisa do podcast a que torço o nariz é a sua duração, perguntando se não poderia demorar bem menos do que 59min31s. Mas pelo menos estive bem entretido durante cerca de 1 h por cortesia idealizada por estas duas apresentadoras. Agradeço-lhes o entretenimento fornecido, dou-lhes os parabéns por esse motivo e desejo que continuem sempre assim!
Profa. Ana Josefa, volto a dar-lhe os parabéns pelos serviços excelentemente prestados à sociedade e ao ensino, a agradecer o que ensinou a mim e a tantos outros e a influência que teve na minha carreira artística e a desejar que continue sempre assim! ;)
Por fim, uma curiosidade: a Profa. Ana Josefa começou a dar aulas em 1993 - ela disse no podcast -, o ano em que eu nasci! 😄
Ao vosso dispor,
Tiago Guardião
Aos cinco anos, na pré-primária, em Cabo Verde, Ana Josefa Cardoso tinha dores de barriga só de pensar em falar português. Hoje faz do ensino da “língua de Camões” profissão, enquanto mantém vivo o idioma materno. “A língua que une efetivamente todos os cabo-verdianos é o crioulo”,...