Próximo Futuro foi um Programa Gulbenkian de Cultura Contemporânea dedicado em particular, mas não exclusivamente, à investigação e criação na Europa, em África, na América Latina e Caraíbas. "Podemos intervir no futuro, no próximo futuro? Podemos, certamente. Não no sentido de o determinar, moldar, profetizar, ou encalhar numa utopia ou numa distopia. Mas sabemos que cada um de nós incidentalment
e, ou todos em conjunto, nas decisões diárias, nos actos, nos episódios, nas ficções construídas, nas actualizações do real que produzimos, estamos a interferir no futuro. E, em alguns casos, e para o futuro mais próximo, até estamos habilitados a estabelecer previsões, ou seja, a construir extensões racionalizadas do presente, representações mais ou menos optimistas conforme a avaliação que dele fazemos e conforme o desejo de intervirmos para o acautelar. O futuro existe e, apesar da imprevisibilidade e do acidente, podemos intervir para que nem tudo seja informação sem destinatário, actividade sem desejo de realização. A Fundação Calouste Gulbenkian – na sede, em Lisboa, e nas suas representações em Londres e em Paris - pode assim constituir-se numa plataforma europeia para um conhecimento novo e assumir-se como instituição de referência na constelação cultural internacional. Para isso, vai intervir no próximo futuro, cremos, em termos de produção de conhecimento e de criação do que há-de vir. Intervir não implica, necessariamente, fazer a Revolução; por vezes, basta a eficácia da pequena, mas subtil mudança." António Pinto Ribeiro, Programador (2009-2015)