22/02/2026
AINDA a ONDA de Fevereiro
Anteriormente, na Onda deste mês, “Arranhadelas em poetas de fevereiro” acontecida no passado dia 19, demos notícia dos poetas nascidos em fevereiro e da sua poesia. Faltou-nos falar dos gatos. Os organizadores da sessão tentaram que vários gatos conhecidos estivessem presentes, mas o intento não teve êxito. O Gato das Botas andava longe e não chegaria a tempo; o Garfield estava com preguiça e mandou dizer que não lhe apetecia; o Zorba não estava disponível pois ainda não tinha acabado de ensinar a gaivota a voar; a Catwoman ainda está comprometida com o Batman; o Mago, o Zimbro, a Faísca e o Lambão, dos contos do Torga, mandaram dizer que já estão demasiado velhos para estas andanças; o Minorca, o gato cá de casa, anda preguiçoso e ficou em casa a fazer-me companhia; o convite ao Gato Esteves também foi declinado, mas foi bem substituído pelo José Carlos Pereira e a sua guitarra. De resto, os gatos foram bem representados com os poemas de Alexandre O’Neill, T. S. Eliot, Mário Cesariny, Ferreira Gullar, José Jorge Letria, Rafael Tormenta, Al Berto e Anthero Monteiro
F**a aqui um poema de Anthero Monteiro
quando eu entrei abriste-me o sorriso
e o teu felino olhar algo enigmático
no teu colo dormia sorumbático
um gatarrão da pérsia enorme e liso
elegante macio tão felpudo
a ronronar enredos e segredos
exigia a carícia dos meus dedos
na fofa macieza do veludo
e enquanto das orelhas para a cauda
com prazer do felídeo manifesto
eu ia repetindo aquele gesto
ardiam os teus olhos de esmeralda
num ímpeto malévolo de Herodes
talvez porque o bichano só dormia
talvez pelo requinte da arrelia
lembrei-me de puxar-lhe os seus bigodes
mas num salto esgueirou-se para a rua
e naquele sortílego segundo
nesse relance mágico e profundo
é que eu vi só então que estavas nua
e logo ali num cio sem rodeios
perdido no teu colo já desnudo
as mãos que tinham vindo do veludo
encontraram a seda dos teus seios