Letras de Braga

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Letras de Braga Preservação e divulgação do Património Gráfico e da Memória Urbana. De letreiros resgatados a um museu da cidade.

Braga não é só bonitas esplanadas e magníficas Igrejas. Desde a icónica fachada d’A Brasileira, das letras imponentes na fachada do Theatro Circo e das letras degradadas do S. Geraldo, a letreiros desaparecidos que ainda coabitam nas nossas memórias, estas estruturas fazem parte do Património Gráfico e Visual da cidade de Braga. Contam a história da cidade, identificam e diferenciam quem nela vive. Porém, o Património Gráfico está seriamente ameaçado pela gentrificação e a renovação sem critério das nossas cidades. Cada vez mais, com o aparecimento de franchisados, de shoppings, de lojas online e das mais diversas políticas de pretensa depuração do edificado antigo, estes letreiros e estruturas que definiram a imagem – e até o skyline – das nossas cidades e, consecutivamente, as nossas vivências urbanas, estão a ser dizimados. É imperativo documentar a paisagem visual de Braga, preservar o máximo de reclames históricos e lutar contra a tendência de homogeneização da imagem comercial e urbana que desvaloriza e faz desaparecer o comércio local histórico e com ele a memória e a identidade de cada rua. A personalidade e a paisagem urbana das cidades ficam empobrecidas e as ruas são, em muitos casos, esventradas, sem nada que lembre as formas e usos que outrora lhes deram vida. Estes elementos gráficos e tipográficos que, depois de deixarem a fachada dos edifícios e das lojas, perdem a sua função original publicitária, mas passam a objeto de arte e ganham estatuto de Património Gráfico das cidades. Devem, por isso, ser acarinhados, preservados, salvaguardados e em alguns casos restaurados.

Ultimamente, tenho pensado em partilhar convosco uma série de fotografias de "Braga d'Outros Tempos".Este livro, com ima...
11/10/2026

Ultimamente, tenho pensado em partilhar convosco uma série de fotografias de "Braga d'Outros Tempos".

Este livro, com imagens do arquivo da Photographia Aliança, transporta-nos para uma época que já foge ao meu imaginário, através da lente de uma das casas de fotografia mais emblemáticas da cidade.

Entre os vários estabelecimentos comerciais retratados, destaco a "Casa Herculano" e o seu néon em estilo manuscrito, um dos mais belos exemplares que encontrei nesta documentação.

A curiosidade pela história deste estabelecimento surgiu também por termos em exposição no nosso espaço um lápis publicitário da "Casa Herculano", cedido pelo José Jesus, com a seguinte inscrição:

Casa Herculano
Herculano dos Santos Pereira
Largo dos Penedos, 9.10 — Telef. 22714 e 22977
Agente Distrital dos Pneus Goodyear
Braga

Apesar de não ter encontrado um registo oficial, vários testemunhos partilhados no grupo "Memórias de Braga" apontam para a abertura em meados do século passado e para o seu encerramento no final da década de 80.

Fundada por Herculano dos Santos Pereira, a casa situava-se no Largo dos Penedos, atual Praça Alexandre Herculano, e dedicava-se à venda de pneus, óleos e combustíveis. Nas imagens, ainda são visíveis o néon da Goodyear, o letreiro em bandeira da Tudor e a bomba de gasolina da Sonap (Sociedade Nacional de Petróleos).

Estas imagens mostram-nos uma paisagem comercial que desapareceu, mas ajudam-nos a redescobrir os lugares, os negócios e os letreiros que marcaram a identidade gráf**a de Braga.
Imagens 1 e 2 (1953) e imagem 3 (1958), retiradas do livro "Braga d'Outros Tempos — Fotografias do arquivo da Photographia Aliança", de Miguel Bandeira, Museu da Imagem e Município de Braga, 2ª edição, 2019. Livro oferecido pelo atual Presidente da Câmara Municipal de Braga, João Rodrigues.
Imagem 4 (1950), retirada do livro "Braga e o Tempo — Os Transportes", de J. Manuel Cordeiro, Museu da Imagem e Município de Braga, 2019. Livro oferecido pelas coordenadoras do projeto Passeio, Helena Pires e Zara Pinto-Coelho.

Falta apenas uma semana para a estreia do documentário sobre o projeto Letras de Braga!No próximo dia 16 de outubro, às ...
09/10/2026

Falta apenas uma semana para a estreia do documentário sobre o projeto Letras de Braga!

No próximo dia 16 de outubro, às 21h30, encontramo-nos no Complexo de Gualtar da APPACDM BRAGA para conhecer esta história, realizada por Marcello Freire.

Do registo fotográfico às aventuras, descobertas e resgates que deram forma ao acervo que hoje podemos visitar, o documentário percorre o caminho feito até aqui, os objetivos do projeto e as histórias e memórias que se escondem por trás de algumas peças.

Estamos também muito felizes por esta história ter sido oficialmente selecionada para o Lift-Off Global Network, um prestigiado festival internacional sediado no Reino Unido. 🇬🇧

🗓️ 16 de outubro
🕤 21h30
📍Complexo de Gualtar da APPACDM de Braga
🎟️ Entrada gratuita
Um agradecimento especial ao Studio Bar - Braga, pela cedência do sistema de som, e ao Human Power Hub Braga, pela cedência do projetor. Obrigado!

1958. Largo de S. Francisco. Uma multidão reúne-se em frente à histórica Casa da Sorte, curiosa para saber quem foi o fe...
04/10/2026

1958. Largo de S. Francisco. Uma multidão reúne-se em frente à histórica Casa da Sorte, curiosa para saber quem foi o felizardo vencedor da Lotaria de Natal. O prémio de 5 mil contos havia saído na cidade de Braga.

A Casa da Sorte, fundada em 1933 por António Augusto Nogueira da Silva, instalou-se neste local por trespasse da antiga Casa dos Pinheirinhos. O estabelecimento apresentava um enorme letreiro de néon que se estendia pelos três pisos superiores. No topo, pouco perceptível na fotografia, um néon animado anunciava, acendendo em sequência, as várias sucursais da empresa: Braga, Porto, Lisboa, Coimbra, Luanda e Lourenço Marques.

Desde que conheço o Luís Tarroso Gomes, lembro-me de o ouvir falar deste néon sempre que conversamos sobre alguns dos letreiros que marcaram a paisagem de Braga. À noite, as luzes e o movimento fascinavam as crianças que por ali passavam. Ele era uma delas. Ainda hoje, tantos anos depois, guarda essa imagem na memória, recordando o encanto que aquele néon exercia quando a cidade escurecia. Que pena não ter essa memória também. 🥺

Ao lado da Casa da Sorte, a Cervejaria Cruz, também ela ligada à família de Nogueira da Silva, e a Casa Bouças, fundada em 1905, que ainda hoje permanece no Largo de São Francisco.
Imagens retiradas do livro "A Casa da Sorte — Sua História no Âmbito dos Jogos de Fortuna ou Azar em Portugal", Dias, A. Monteiro et al., Centro de Estudos Lusíadas, Braga, 2005. Fotógrafos desconhecidos.

Ontem, 26 de setembro, o espaço Letras de Braga recebeu uma sessão do Silent Book Club Braga.Para quem não conhece o pro...
27/09/2026

Ontem, 26 de setembro, o espaço Letras de Braga recebeu uma sessão do Silent Book Club Braga.

Para quem não conhece o projeto, o Silent Book Club é uma comunidade global de leitores que se reúne para simplesmente... ler. Sem leituras obrigatórias, sem apresentações ou discussões sobre livros. Cada pessoa traz o seu livro e dedica algum tempo à leitura, em conjunto com outras pessoas.

Nesta 16.ª sessão, o encontro realizou-se no nosso espaço, onde os participantes puderam conhecer um pouco melhor este projeto dedicado à documentação, preservação e divulgação da memória gráf**a de Braga.

Foi uma oportunidade para juntar duas formas diferentes de valorizar a memória: os livros e as histórias que guardam e os vestígios gráficos que fazem parte da história das nossas ruas.

Agradecemos ao Silent Book Club Braga por ter escolhido o Letras de Braga para esta sessão e, sobretudo, a todos os que nos visitaram e partilharam connosco esta tarde.

Foi um prazer abrir as portas e receber esta comunidade de leitores. Esperamos voltar a encontrá-los em breve!
Créditos:
Espaço › Appacdm Braga
Vitrines › Biblioteca Pública de Braga
Cadeiras e mesas › Velha-a-Branca

Direcção de Estradas do Distrito de BragaÉ o que ainda se pode ler na fachada deste edifício devoluto na Avenida Barros ...
20/09/2026

Direcção de Estradas do Distrito de Braga

É o que ainda se pode ler na fachada deste edifício devoluto na Avenida Barros e Soares. Durante décadas, estas instalações funcionaram como oficina e estaleiro, integradas na estrutura da administração rodoviária do distrito e ligadas à Junta Autónoma de Estradas, organismo criado em 1927 para construir, conservar e administrar a rede nacional de estradas.

A JAE desapareceu em 1999, dando lugar a uma sucessão de organismos que acabariam por conduzir às Infraestruturas de Portugal. As letras permaneceram. O edifício também. E numa das suas paredes permanece uma placa com a inscrição: "Património do Estado". Hoje, num edifício marcado pelo abandono, estas palavras ganham um signif**ado particularmente curioso, preservando também um pequeno fragmento da memória das estradas de Braga.
Obrigado pela dica, Rui Esteves da Silva! 👌

Há objetos que continuam a trazer de volta uma infância inteira. A Bracalândia foi, por muitos anos, um dos símbolos da ...
13/09/2026

Há objetos que continuam a trazer de volta uma infância inteira. A Bracalândia foi, por muitos anos, um dos símbolos da infância de várias gerações e um dos principais polos turísticos da cidade. Curiosamente, esteve em Braga apenas 17 anos, mas deixou uma marca tão forte que, ainda hoje, é impossível falar da Bracalândia sem pensar em Braga.

Inaugurado em 1991, o parque começou com cerca de 17 atrações, número que aumentou ao longo dos anos. Situava-se na zona da Rodovia, em Lamaçães, num espaço que hoje conhecemos pela presença do INL. A Bracalândia encerrou definitivamente em Braga a 30 de setembro de 2007. Reabriu em Penafiel em 2010, mas os resultados f**aram aquém do esperado e o parque acabou por fechar pouco depois. Em 2012, o espaço foi relançado com um novo nome: Magikland.

E depois havia o Braca. O pequeno dinossauro, de postura envergonhada, geralmente sentado e de pernas estendidas, era, literalmente, o bilhete de entrada do parque. Para muitas crianças, era impossível passar por ele sem parar, abraçá-lo e tirar uma fotografia.

Hoje, da Bracalândia que existiu em Braga, restam sobretudo memórias e pequenos vestígios. No nosso acervo chegaram agora este estojo e dois autocolantes, daqueles que se recebiam à entrada do parque. O grande Braca que recebia as crianças desapareceu, mas a sua imagem continua espalhada em pequenas coisas que sobreviveram ao tempo.

E acreditamos que há muito mais por aí. Se tiverem bilhetes, t-shirts, folhetos, mapas ou outros objetos da Bracalândia guardados em casa, façam-nos chegar. Queremos reunir estas memórias e criar uma exposição dedicada ao parque que marcou várias gerações de bracarenses.

Por agora f**a a pergunta: Onde para o Braca?
Um agradecimento especial ao Domingos Teixeira e à Ana Marlene Lima pela cedência do estojo e ao Antonio Lobato Costa pela cedência dos autocolantes.

Há histórias que permanecem no tempo.Depois de uma primeira abertura à noite, voltamos a abrir as portas do Letras de Br...
05/09/2026

Há histórias que permanecem no tempo.

Depois de uma primeira abertura à noite, voltamos a abrir as portas do Letras de Braga, desta vez, à luz do dia.

No dia 12 de setembro, das 10h às 12h, abrimos novamente o espaço ao público, para conhecer de perto o trabalho que temos vindo a desenvolver, o acervo que temos vindo a preservar e as histórias que estas peças continuam a contar.

Venha visitar-nos.

📍 APPACDM de Braga - Complexo de Gualtar
🎟️ Entrada livre

📸 Alexandre Fernandes

O nosso último resgate em contexto ⤵️🧶 Tricots Brancal📌 Rua de São Marcos📸 Nuno Dias © 2020Texto partilhado no Instagram...
03/09/2026

O nosso último resgate em contexto ⤵️

🧶 Tricots Brancal
📌 Rua de São Marcos
📸 Nuno Dias © 2020
Texto partilhado no Instagram em 2020:

"Mais um letreiro com história! Quem nunca reparou no letreiro da Tricots Brancal na R. de S. Marcos? Impossível, não é? 😁"

23/08/2026

Falar da Tricots Brancal é falar não só da identidade de Braga, mas também da de Portugal. É falar de uma marca que atravessou gerações, cidades e histórias familiares. Fundada por Manuel e Antero Brancal, na Covilhã, em 1972, tornou-se uma referência no comércio tradicional de lãs em Portugal, chegando a ter 26 lojas espalhadas pelo país. No mês de junho de 2026, encerrou definitivamente a sua atividade.

Em Braga, a loja abriu portas em 1976. No próximo dia 6 de setembro, teria completado 50 anos. Inicialmente gerida pelo casal Francisco Abrantes e Aurora Monteiro, naturais da Covilhã, que se mudaram para Braga, teve, nos seus últimos anos, a D. Conceição Azeredo como sua última funcionária.

A história da D. Conceição com a Tricots Brancal é feita de partidas e regressos. Começou a trabalhar na loja aos 17 anos. Aos 37, foi dispensada. Vinte anos depois, regressou àquela emblemática casa, já por força da reforma do casal que, entretanto, assumira o negócio. Foi a última cara da Tricots Brancal em Braga e alguém de quem certamente muitos guardarão boas memórias.

Muitos de vós alertaram-nos para o desfecho da loja após as notícias sobre o encerramento da marca, mas foi o contacto do Roger que nos permitiu falar diretamente com o Dr. Luís Veiga, ligado à administração do grupo Brancal. Recebemos uma resposta imediata, na qual nos felicitou pelo projeto e nos deu indicações para a remoção do letreiro.

E foi assim que uma peça que, durante décadas, fez parte da paisagem da Rua de São Marcos deixou de estar ali… para continuar a contar a sua história noutro lugar.

O resto… é memória!
Um agradecimento especial à D. Conceição, pela amabilidade com que nos recebeu; ao seu irmão, Sr. Joaquim Azeredo, pela ajuda na retirada do letreiro; ao Paulo, que atendeu à nossa chamada de emergência e apareceu de carrinha, com toda a experiência necessária; e, claro, à sua filha Nonô, que também fez parte deste momento. Pelo meio, o André Arantes, que surge a fotografar o acontecimento.

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