Letras de Braga

Letras de Braga Preservação e divulgação do Património Gráfico e da Memória Urbana. De letreiros resgatados a um museu da cidade.

Braga não é só bonitas esplanadas e magníficas Igrejas. Desde a icónica fachada d’A Brasileira, das letras imponentes na fachada do Theatro Circo e das letras degradadas do S. Geraldo, a letreiros desaparecidos que ainda coabitam nas nossas memórias, estas estruturas fazem parte do Património Gráfico e Visual da cidade de Braga. Contam a história da cidade, identificam e diferenciam quem nela vive

. Porém, o Património Gráfico está seriamente ameaçado pela gentrificação e a renovação sem critério das nossas cidades. Cada vez mais, com o aparecimento de franchisados, de shoppings, de lojas online e das mais diversas políticas de pretensa depuração do edificado antigo, estes letreiros e estruturas que definiram a imagem – e até o skyline – das nossas cidades e, consecutivamente, as nossas vivências urbanas, estão a ser dizimados. É imperativo documentar a paisagem visual de Braga, preservar o máximo de reclames históricos e lutar contra a tendência de homogeneização da imagem comercial e urbana que desvaloriza e faz desaparecer o comércio local histórico e com ele a memória e a identidade de cada rua. A personalidade e a paisagem urbana das cidades ficam empobrecidas e as ruas são, em muitos casos, esventradas, sem nada que lembre as formas e usos que outrora lhes deram vida. Estes elementos gráficos e tipográficos que, depois de deixarem a fachada dos edifícios e das lojas, perdem a sua função original publicitária, mas passam a objeto de arte e ganham estatuto de Património Gráfico das cidades. Devem, por isso, ser acarinhados, preservados, salvaguardados e em alguns casos restaurados.

O nosso último resgate em contexto ⤵️🧶 Tricots Brancal📌 Rua de São Marcos📸 Nuno Dias © 2020Texto partilhado no Instagram...
03/09/2026

O nosso último resgate em contexto ⤵️

🧶 Tricots Brancal
📌 Rua de São Marcos
📸 Nuno Dias © 2020
Texto partilhado no Instagram em 2020:

"Mais um letreiro com história! Quem nunca reparou no letreiro da Tricots Brancal na R. de S. Marcos? Impossível, não é? 😁"

23/08/2026

Falar da Tricots Brancal é falar não só da identidade de Braga, mas também da de Portugal. É falar de uma marca que atravessou gerações, cidades e histórias familiares. Fundada por Manuel e Antero Brancal, na Covilhã, em 1972, tornou-se uma referência no comércio tradicional de lãs em Portugal, chegando a ter 26 lojas espalhadas pelo país. No mês de junho de 2026, encerrou definitivamente a sua atividade.

Em Braga, a loja abriu portas em 1976. No próximo dia 6 de setembro, teria completado 50 anos. Inicialmente gerida pelo casal Francisco Abrantes e Aurora Monteiro, naturais da Covilhã, que se mudaram para Braga, teve, nos seus últimos anos, a D. Conceição Azeredo como sua última funcionária.

A história da D. Conceição com a Tricots Brancal é feita de partidas e regressos. Começou a trabalhar na loja aos 17 anos. Aos 37, foi dispensada. Vinte anos depois, regressou àquela emblemática casa, já por força da reforma do casal que, entretanto, assumira o negócio. Foi a última cara da Tricots Brancal em Braga e alguém de quem certamente muitos guardarão boas memórias.

Muitos de vós alertaram-nos para o desfecho da loja após as notícias sobre o encerramento da marca, mas foi o contacto do Roger que nos permitiu falar diretamente com o Dr. Luís Veiga, ligado à administração do grupo Brancal. Recebemos uma resposta imediata, na qual nos felicitou pelo projeto e nos deu indicações para a remoção do letreiro.

E foi assim que uma peça que, durante décadas, fez parte da paisagem da Rua de São Marcos deixou de estar ali… para continuar a contar a sua história noutro lugar.

O resto… é memória!
Um agradecimento especial à D. Conceição, pela amabilidade com que nos recebeu; ao seu irmão, Sr. Joaquim Azeredo, pela ajuda na retirada do letreiro; ao Paulo, que atendeu à nossa chamada de emergência e apareceu de carrinha, com toda a experiência necessária; e, claro, à sua filha Nonô, que também fez parte deste momento. Pelo meio, o André Arantes, que surge a fotografar o acontecimento.

É a segunda vez que a Ana Marques nos envia fotografias de objetos utilitários de supermercados emblemáticos de Braga. P...
16/08/2026

É a segunda vez que a Ana Marques nos envia fotografias de objetos utilitários de supermercados emblemáticos de Braga. Primeiro foi um s**o da Feira Nova. Agora, chegou a vez dos Supermercados Superminho.

Há sempre um certo encanto nas texturas criadas pela impressão sobre plástico. As imperfeições do suporte, o desgaste do tempo e as variações da tinta fazem com que cada exemplar adquira uma identidade própria.

Do ponto de vista gráfico, destaca-se o tipo de letra Jackson MNR, criado por Bernard Jacquet em 1971 para a Mecanorma. A sua estética retro, marcada pelo contraste generoso e pelas curvas robustas, confere ao logótipo uma linguagem visual muito característica dos anos 70.

O próprio s**o permite-nos descobrir dois dos espaços da cadeia em Braga: a sede, na Avenida da Liberdade, n.°s 474-482, e uma loja na Rua Dr. Elísio de Moura, n.º 14. No verso, encontramos ainda publicidade aos iogurtes Iophil.

Os Supermercados Superminho iniciaram a sua atividade em meados da década de 1970 e tornaram-se uma das referências do comércio alimentar bracarense. A documentação da época mostra que a empresa enfrentou, em meados dos anos 80, uma crescente pressão concorrencial, atribuída à proliferação de pequenos minimercados familiares, que operavam com margens reduzidas e custos mais baixos.

Segundo algumas referências, a cadeia terá sido integrada na Jerónimo Martins no final da década de 1990. No entanto, a informação disponível continua fragmentada e alguns dados permanecem por confirmar.

Se tem fotografias, s**os, folhetos, talões, cartões ou qualquer outro objeto relacionado com os Supermercados Superminho, entre em contacto connosco. Cada peça ajuda-nos a reconstruir a memória gráfica e comercial da cidade.

Na passada segunda-feira, recebemos no nosso espaço os atletas mais jovens do Taekwondo Minho, no âmbito da primeira edi...
09/08/2026

Na passada segunda-feira, recebemos no nosso espaço os atletas mais jovens do Taekwondo Minho, no âmbito da primeira edição do 'TMinho Move Camp', realizado no Complexo de Gualtar da APPACDM BRAGA.

O 'TMinho Move Camp' foi um momento criado especialmente para que estes jovens atletas explorassem diferentes áreas de aprendizagem, como o desporto, a cultura, o património, a arte e a inclusão. Depois de conhecerem o nosso espaço, repleto de estímulos visuais, os atletas foram desafiados a interpretar uma ou mais peças em exposição.

E o resultado ultrapassou as nossas expectativas. Vê-los a desenhar e interpretar, na sua forma mais pura, letreiros icónicos da nossa cidade foi como devolver estas histórias ao presente e às gerações futuras. Para eles, são desenhos. Cores. Letras. Formas estranhas e divertidas.

Para os pais destes pequenos atletas, será outra coisa. Será a fachada de uma loja que frequentavam. Os letreiros que viam todos os dias a caminho da escola. Uma marca que fazia parte das compras de lá de casa. Um pedaço da cidade que, sem se aperceber, ficou guardado na memória.

Estes jovens atletas não poderão sentir essa nostalgia da mesma forma. Não viveram essas ruas, essas lojas ou esses estímulos visuais. Mas talvez possam receber uma parte dessa memória. Podem conhecê-la, desenhá-la, perguntar por ela.

É também por isso que preservamos este património: para que aquilo que uma geração guarda na memória continue a ser descoberto pelas seguintes.

Obrigado ao Taekwondo Minho, ao mestre Suraj Maugi e a todos os jovens atletas por este momento tão especial criado no nosso espaço. E à APPACDM BRAGA, por continuar a abrir portas a iniciativas que aproximam o desporto, a cultura, o património e a comunidade.

"A D. Marichel abre o salão todos os dias da semana às 8h45! Faz mise en plis e brushing às senhoras e aos senhores." As...
02/08/2026

"A D. Marichel abre o salão todos os dias da semana às 8h45! Faz mise en plis e brushing às senhoras e aos senhores." Assim nos contou a Cláudia.

Aos 82 anos, a D. Rosa recusa-se a ficar em casa. "O que vou fazer em casa? Aqui passo o meu tempo." Na Galeria das Piscinas, o Salão Marichel foi um dos primeiros estabelecimentos a abrir portas naquele recanto.

Regressou de França em 1985, depois de lá ter trabalhado como cabeleireira, cheia de confiança e vontade de criar o seu próprio negócio. Vinha com a experiência do ofício, mas cedo percebeu que o caminho não seria fácil. Contratou 4 funcionárias e... "Olhe, passados 4 meses, abri falência." Não desistiu. Mudou de rumo e, 40 anos depois, mantém o salão aberto.

Já com algum desgaste, a D. Rosa cedeu-nos orgulhosamente o letreiro: "Leve-o! Cada dia que passa, degrada-se mais!" Durante anos, pagou 85 contos mensais para manter o reclame luminoso na fachada. Manteve-o até agora… "porque essa taxa foi retirada."

Fiquei curioso com o nome 'Marichel' e, como tantas outras vezes, a origem não desiludiu: "É a junção dos nomes dos meus dois filhos: Mário e Michel!" 🤩

Sou um fã incondicional de letreiros de cabeleireiros. Este já é o segundo no nosso acervo e fascinam-me particularmente os bustos femininos, os penteados e as ilustrações que tão bem representam a estética de cada época. Uma linguagem gráfica que praticamente desapareceu das nossas ruas.
Esta semana tem sido uma verdadeira montanha-russa. Entre eventos e visitas, ainda nos sobrou tempo para resgatar duas peças. Duas histórias que agora passam a fazer parte da nossa. E continuamos à procura de mais histórias para contar.

Queremos tirar estas memórias das gavetas e das arrecadações e partilhar com todos. Por isso, se souberem de alguém que tenha material que possa contribuir para o projeto, falem de nós. Partilhem a nossa missão. Só assim o projeto cresce.
Um agradecimento especial à Cláudia, que encontrou esta história e partilhou-a conosco, e ao Pedro, que nos ajudou com toda a logística para retirar o letreiro da fachada.

Quando a cidade adormece, as letras voltam a ganhar vida.No calor do momento, decidimos partilhar esta energia convosco....
28/07/2026

Quando a cidade adormece, as letras voltam a ganhar vida.

No calor do momento, decidimos partilhar esta energia convosco. Por isso, nesta quinta-feira, às 21h45, abrimos novamente as portas do Letras de Braga, desta vez, à noite.

Venham descobrir como as nossas ruas se iluminavam noutros tempos e viver, por uma noite, uma atmosfera diferente da exposição.

📍 APPACDM de Braga - Complexo de Gualtar
🎟️ Entrada livre

📸 Alexandre Fernandes

As portas do antigo edifício do Diário do Minho, na Rua de Santa Margarida, preservam um pormenor que passa facilmente d...
12/07/2026

As portas do antigo edifício do Diário do Minho, na Rua de Santa Margarida, preservam um pormenor que passa facilmente despercebido: as letras "D" e "M", desenhadas no estilo gótico (blackletter). Durante grande parte do século XX, este tipo de letra foi uma das imagens de marca da imprensa. Ainda hoje, embora modernizado, o logótipo do Diário do Minho mantém essa inspiração gótica, preservando um traço distintivo da sua identidade visual.

Fundado em 1919, o Diário do Minho celebrou este ano 107 anos de existência. O imóvel foi projetado pelo arquiteto Luíz Cunha (1933-2019), uma das figuras marcantes da arquitetura portuguesa do pós-modernismo. Durante décadas, foi coração do jornal: aqui funcionaram a redação, a administração e as oficinas gráficas.

Desde a transferência da sede do jornal, em 2017, o edifício continua ligado à Arquidiocese de Braga, acolhendo diversos serviços administrativos e a Livraria Diário do Minho.

O nosso último resgate em contexto ⤵️🚗 Citro Mecânica📌 Rua de Caires 📸 Nuno Dias © 2020Texto partilhado no Instagram em ...
10/07/2026

O nosso último resgate em contexto ⤵️

🚗 Citro Mecânica
📌 Rua de Caires
📸 Nuno Dias © 2020
Texto partilhado no Instagram em 2020:

"Mais um letreiro com um contraste engraçado nas letras. Os detalhes, com a combinação de cores, fazem deste letreiro digno de registo. Bastante agradável! 👌 Encontrei-o algures na R. de Caires."

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Braga

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