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A CELEBRAÇÃO PELA SUPOSTA DATA DE NASCIMENTO DO PROFETA ﷺ: Uma Abordagem Reflexiva e Abrangente> Por: MSc Sheikh Molde S...
22/08/2026

A CELEBRAÇÃO PELA SUPOSTA DATA DE NASCIMENTO DO PROFETA ﷺ: Uma Abordagem Reflexiva e Abrangente

> Por: MSc Sheikh Molde Sefo Sumalge

Art. nº 136/275

Ao longo da história, os Muçulmanos sempre procuraram formas de expressar o seu amor (محبة) pelo Profeta Muhammad ﷺ. Esse amor é, sem dúvida, um pilar da fé e uma exigência da própria shahadah. Contudo, nem sempre o sentimento sincero vem acompanhado da prática correta. Entre as manifestações que surgiram está a celebração da chamada data do nascimento (مولد) do Profeta ﷺ, prática que, em muitos contextos, se apresenta como sinal de devoção, mas que, ao mesmo tempo, levanta sérias questões sobre a sua legitimidade no Islam.

Nos anos anteriores, dediquei esforços em campanhas presenciais/cara-a-cara para conscientizar a comunidade sobre os riscos dessa prática e a necessidade de reavaliar tradições não fundamentadas na Sunnah. Hoje, de forma breve e clara, recorro às plataformas digitais para ampliar este diálogo, não apenas para criticar, mas para propor alternativas autênticas e espiritualmente mais seguras e aceitas por todos. O objetivo não é apagar o amor que move os corações, mas orientá-lo para caminhos que realmente refletem a obediência ao Profeta ﷺ e a fidelidade ao Islam.

`A origem histórica:`

Não há consenso autêntico sobre o dia exato do nascimento do Profeta ﷺ. Alguns historiadores mencionam o 12 de Rabiul Al-Awwal enquanto que outros mencionam 2, 8, 9... como supostas datas do seu nascimento. Contudo, é quase unânime que ele faleceu no dia do mês (12), de Rabiul Al-Awwal. A celebração do seu nascimento, como é praticada hoje em diversas regiões, não foi conhecida pelos Companheiros, nem pelos grandes Imames das primeiras gerações. Ela surgiu séculos mais tarde, no período dos Fátimidas (الدولة الفاطمية), e foi consolidada como prática cultural-religiosa em certos lugares.

`Argumentos apresentados por quem defende a celebração`

*1. Expressão de amor ao Profeta ﷺ:* Muitos afirmam que celebrar o Mawlid (nascimento) é uma forma de demonstrar carinho, gratidão e respeito.

*2. Reunião para lembrar a sua vida:* Outros justificam como oportunidade de contar a sua biografia (السيرة), ensinar seus exemplos e fortalecer a fé dos presentes.

*3. Caráter cultural e não obrigatório:* Alguns ainda dizem que não é um ritual fixo, mas apenas uma forma cultural de lembrar a grandeza do Profeta ﷺ.

`Contra-argumentos`

1. *Ausência na prática dos Salaf (السلف الصالح):* O amor verdadeiro é seguir e obedecer. Os Companheiros foram os que mais amaram o Profeta ﷺ, mas jamais celebraram seu nascimento. A ausência desta prática entre eles é a maior evidência de que não é parte do Islam.

2. *Inovação (بدعة):* O Profeta ﷺ disse: _“Quem introduzir algo em nossa religião que não faz parte dela, será rejeitado.”_ (Bukhari e Muslim). Celebrar algo sem fundamento nas fontes é uma adição não autorizada.

3. *Contradição histórica:* O mesmo mês em que ele nasceu foi o mês em que faleceu. Focar em celebração e ignorar a sabedoria da sua partida pode desviar do real propósito.

4. *Risco de exageros (الغلو):* Em muitos contextos, o Mawlid (مولد الرسول) se mistura com práticas de exagero, poesias que o colocam acima da condição humana, ou atos de veneração que se aproximam da shirk.

`Alternativas corretas`

O amor ao Profeta ﷺ deve ser demonstrado da forma que ele mesmo ensinou:

*Seguir a sua Sunnah:* Obedecer aos seus ensinamentos no dia a dia é a maior prova de amor.

*Estudar e ensinar a sua Sirah:* Em vez de celebrar uma data duvidosa, pode-se organizar encontros de estudo permanentes sobre a vida do Profeta ﷺ.

*Aumentar salawat sobre ele:* Enviar bênçãos e saudações (الصلاة على النبي) diariamente, especialmente nas sextas-feiras, é prática autêntica e altamente recompensada.

*Educar as gerações:* Mostrar às crianças e jovens a grandeza do Profeta ﷺ com base em fontes fidedignas fortalece o amor sincero e consciente.

_Concl._ O amor verdadeiro não se mede por emoções passageiras ou celebrações pontuais, mas pela obediência constante e pela defesa da sua Sunnah. O Profeta ﷺ não necessita que inventemos formas de honrá-lo, pois Allah ﷻ já o honrou acima de toda a humanidade. O nosso dever é seguir sua orientação e evitar práticas que possam nos afastar do caminho puro.

Em suma, o Profeta ﷺ confirmou que nasceu numa segunda-feira, mas não confirmou que nasceu no dia 12 de Rabi' al-Awwal. E o facto de ter jejuado na segunda-feira demonstra que o seu nascimento não transformou esse dia numa festa, pois, no Islam não se jejua no dia de festa religiosa.

Ó Allah, coloca em nossos corações um amor pelo Teu Profeta ﷺ maior do que qualquer outro amor. Concede-nos segui-lo de forma verdadeira, afasta-nos das inovações e dos desvios, e guia-nos para aquilo que Tu amas e Te agrada.
اللهم صل وسلم وبارك على نبينا محمد وعلى آله وصحبه وسلم.

ADAM عليه السلام: O Primeiro Ser Humano, Pai da Humanidade e Primeiro Profeta> Por MSc Sheikh Molde Sefo Sumalge Art. n....
17/08/2026

ADAM عليه السلام: O Primeiro Ser Humano, Pai da Humanidade e Primeiro Profeta

> Por MSc Sheikh Molde Sefo Sumalge

Art. n.º 274

_Res._ O Profeta Adam (آدم - Adão) عليه السلام ocupa uma posição única no Islam. É o primeiro ser humano, pai da humanidade e, segundo os hadiths, o primeiro Profeta. O Nobre Alcorão apresenta a sua criação como uma criação especial de Allah, a partir da terra, seguida da concessão da vida e do conhecimento. Adam foi honrado perante os anjos, recebeu conhecimento que estes não possuíam e tornou-se o primeiro elo da cadeia profética.
A sua história inclui a criação de Hawwa (حواء - Eva), a habitação no Paraíso, a provação, o erro, o arrependimento e a descida à Terra. Embora não pertença aos cinco Ulul-'Azm, a sua posição é singular, pois é a origem humana comum e o primeiro Profeta.

_Introd._ A questão da origem do ser humano ocupa um lugar importante na reflexão humana. No Islam, essa questão está diretamente relacionada com Adam عليه السلام.
O Alcorão não apresenta Adam como resultado de uma transformação de outro animal, mas como uma criação deliberada de Allah. Ele é o primeiro ser humano e aquele a partir de quem Allah espalhou a humanidade. Allah diz: _“Ó humanidade! Temei o vosso Senhor, que vos criou de uma só pessoa, e dela criou a sua companheira, e de ambos espalhou numerosos homens e mulheres.”_ (4:1) Assim, Adam representa o pai comum de toda a humanidade.

`A criação de Adam`

Allah diz: _“E quando o teu Senhor disse aos anjos: ‘Vou criar um ser humano de argila.’”_ (38:71)
O Alcorão utiliza diferentes expressões para descrever a matéria da qual Adam foi criado, incluindo turab (terra) e tin (argila).
Depois da sua formação, Allah concedeu-lhe uma honra especial: _“Quando Eu o tiver formado e soprado nele do Meu espírito, então prostrai-vos diante dele.”_ (38:72)
Esta expressão não significa que exista uma parte da essência divina no ser humano. Trata-se de uma atribuição honorífica feita por Allah.

`Adam, pai da humanidade`

Adam عليه السلام é o primeiro ser humano, e a humanidade possui, portanto, uma origem comum.
Allah afirma: _“Ó humanidade! Nós criámos-vos de um homem (Adam) e de uma mulher (Hawwa), e fizemos de vós povos e tribos para que vos conheçais.”_ (49:13)

As diferenças de povos, línguas, cores e culturas não eliminam essa origem comum. Todos pertencem à mesma família humana.

`Adam e Hawwa`

Allah criou para Adam a sua companheira, conhecida na tradição islâmica como Hawwa: _“E criou dela (alma) a sua companheira.”_ (4:1)
Dessa primeira união humana surgiram numerosas gerações.

A narrativa islâmica estabelece, assim, Adam e Hawwa como origem da descendência humana.

`A honra de Adam perante os anjos`

Uma das maiores honras concedidas a Adam foi a ordem dada aos anjos para se prostrarem diante dele: _“E quando dissemos aos anjos: ‘Prostrai-vos perante Adam’, todos se prostraram, exceto Iblis.”_ (2:34)

A prostração não era adoração a Adam; era uma prostração de honra e obediência à ordem de Allah.
Iblis recusou-se por arrogância, dizendo: _“Eu sou melhor do que ele.”_ (7:12)

O episódio demonstra que a arrogância é uma das grandes causas da perdição.

`O conhecimento concedido a Adam`

Outra grande distinção de Adam foi o conhecimento que Allah lhe concedeu:
_“E ensinou Adam os nomes de todas as coisas.”_ (2:31)
O episódio demonstra a elevada posição do conhecimento no Islam e a honra concedida por Allah ao ser humano.

`Adam no Paraíso e a provação`

Allah permitiu que Adam e Hawwa habitassem no Paraíso e lhes ordenou:
_“Comei dele com satisfação onde quiserdes, mas não vos aproximeis desta árvore.”_ (2:35)

Iblis procurou desviá-los e eles acabaram por cometer o erro.
A história demonstra que a vida humana está ligada à provação, escolha e responsabilidade.

`O erro e o arrependimento de Adam`

Adam عليه السلام desobedeceu à ordem de Allah, mas não permaneceu no erro. Ele arrependeu-se, e Allah aceitou o seu arrependimento:
“Então Adam recebeu do seu Senhor algumas palavras, e Ele aceitou o seu arrependimento.”
(Alcorão, 2:37)
O Islam não ensina que a humanidade nasce carregando o pecado pessoal de Adam. Allah afirma:
“Nenhuma alma carregará o fardo de outra.”
(Alcorão, 6:164)
A história de Adam ensina, portanto, que o ser humano pode errar, mas pode retornar a Allah através do arrependimento.

`A descida à Terra`

Depois da provação, Adam e Hawwa desceram à Terra.
Allah disse:
“Descei todos daqui! E quando vos chegar de Mim uma orientação, aqueles que seguirem a Minha orientação não se desviarão nem serão infelizes.”
(Alcorão, 20:123)
A Terra tornou-se o espaço da vida humana, da responsabilidade, da prova e da adoração.
Antes mesmo da criação de Adam, Allah havia anunciado:
“Vou estabelecer na Terra um representante.”
(Alcorão, 2:30)
A vida terrestre, portanto, não é apresentada como um acidente sem finalidade, mas como parte do plano divino.

`Adam como primeiro Profeta`

Adam عليه السلام foi o primeiro Profeta, conforme os hadiths.
A partir dele começa a cadeia profética que atravessa a história humana e inclui grandes figuras como Nuh, Ibrahim, Musa, Isa e Muhammad ﷺ.
A mensagem fundamental dos Profetas permaneceu a mesma: Tawhid, adoração exclusiva de Allah e submissão a Ele.

`Adam no Dia do Juízo`

Adam também terá uma posição importante no Quiamah.
No hadith da grande intercessão, quando a humanidade procurar ajuda diante da dificuldade do Dia do Juízo, irá primeiro a Adam, reconhecendo a sua posição especial como pai da humanidade.
Depois irá a:
Adam → Nuh → Ibrahim → Musa → Isa → Muhammad ﷺ.
Finalmente, as pessoas chegarão ao Profeta Muhammad ﷺ, a quem Allah concederá a Shafa'ah al-'Uzma, a grande intercessão.
Assim, Adam será o primeiro Profeta procurado nesse acontecimento, enquanto Muhammad ﷺ terá a posição da grande intercessão.

`Linha temporal de Adam`

1. Criação de Adam por Allah
2. Formação e honra especial
3. Ensino dos nomes
4. Prostração dos anjos e recusa de Iblis
5. Criação de Hawwa
6. Habitação no Paraíso
7. Provação e erro
8. Arrependimento
9. Descida à Terra
10. Início da descendência humana
11. Adam como primeiro Profeta
12. Continuação da cadeia profética

`Adam e a unidade da humanidade`

A história de Adam possui também uma dimensão social. Se todos descendem de um único pai e uma única mãe, nenhuma raça ou povo possui superioridade humana absoluta baseada na sua origem.
Allah afirma: _“Por certo, o mais nobre de vós perante Allah é o mais temente.”_ (49:13)
A história de Adam estabelece, portanto, a unidade da origem humana e a responsabilidade individual perante Allah.

`Adam e a origem humana na perspetiva islâmica`

A doutrina islâmica afirma que Adam foi criado por Allah como primeiro ser humano. Por isso, a narrativa islâmica clássica não apresenta a humanidade como resultado da transformação gradual de um animal em ser humano.
A ciência procura explicar a origem e o desenvolvimento biológico através de modelos baseados em evidências empíricas, enquanto a revelação islâmica afirma especificamente a criação de Adam e a sua posição como pai da humanidade.
O ponto central da doutrina islâmica é que Allah é o Criador e Adam é o primeiro ser humano e pai da humanidade.

_Concl._ Adam عليه السلام ocupa uma posição absolutamente singular no Islam. Ele é o primeiro ser humano, pai da humanidade e primeiro Profeta.
Allah criou-o de maneira especial, concedeu-lhe conhecimento, honrou-o perante os anjos e estabeleceu-o na Terra.
A sua história reúne temas fundamentais da existência humana: criação, conhecimento, escolha, tentação, erro, arrependimento, orientação e responsabilidade.

Falar de Adam é, portanto, falar das raízes da humanidade na perspetiva islâmica: um único Criador, uma origem humana comum, uma responsabilidade perante Allah e uma cadeia de orientação divina que começou com Adam e culminou com Muhammad ﷺ.

NUH (NOÉ): O Grande Mensageiro do Tawhid, da Perseverança e da Salvação> Por MSc Sheikh Molde Sefo Sumalge Art. nº 273_R...
15/08/2026

NUH (NOÉ): O Grande Mensageiro do Tawhid, da Perseverança e da Salvação

> Por MSc Sheikh Molde Sefo Sumalge

Art. nº 273

_Res._ O Profeta Nuh (نوح) عليه السلام ocupa uma posição de grande destaque no Islam. É um dos Ulul-Azm min ar-Rusul, os cinco grandes Mensageiros dotados de extraordinária firmeza. A sua missão esteve centrada no Tawhid (Monoteísmo puro), na rejeição do shirk e no retorno à adoração exclusiva de Allah. Nuh realizou uma das mais longas missões proféticas mencionadas no Nobre Alcorão, permanecendo entre o seu povo durante 950 anos. Apesar da persistente rejeição, manteve-se firme na Da'wah até receber a ordem de construir a Arca (الفلك). O dilúvio tornou-se simultaneamente um sinal do poder de Allah, castigo para os incrédulos e salvação para os crentes.

_Introd._ A crença nos Profetas e Mensageiros é um dos fundamentos da fé islâmica. Allah enviou Mensageiros a diferentes povos com uma mensagem essencialmente comum: adorar somente a Allah e rejeitar o shirk.

Entre eles destaca-se Nuh عليه السلام, cuja história é mencionada em vários capítulos do Nobre Alcorão, especialmente na Surah Nuh. A sua importância não se limita ao episódio do dilúvio, mas manifesta-se sobretudo na sua Da'wah prolongada, paciência, firmeza e posição entre os grandes Mensageiros.

`Nuh عليه السلام e a missão do Tawhid`

Nuh foi enviado quando o shirk se havia espalhado entre as pessoas. O Alcorão menciona os ídolos adorados pelo seu povo: _“Não abandoneis os vossos deuses! Não abandoneis Wadd, nem Suwa'a, nem Yaghuth, nem Ya'uq, nem Nasr.”_ (71:23)
A missão de Nuh era clara: _“Adorai Allah, não tendes outra divindade além d'Ele.”_ (23:23).

Assim, a sua Da'wah reafirmava o princípio fundamental de todos os Profetas: Tawhid, obediência e submissão a Allah.

`A Da'wah de Nuh: 950 anos de perseverança`

Allah diz: _“E, com efeito, enviámos Nuh ao seu povo, e permaneceu entre eles mil anos menos cinquenta anos...”_ (29:14).

Isto corresponde a 950 anos de permanência entre o seu povo. O versículo não significa necessariamente que toda a sua vida tenha durado exatamente 950 anos.

Nuh utilizou diferentes formas de Da'wah:
_“Meu Senhor! Convidei o meu povo noite e dia.”_ (71:5)
E disse: _“Depois, convidei-os publicamente; depois, falei-lhes abertamente e também em segredo.”_ (71:8-9).

A sua história demonstra uma extraordinária combinação de paciência, persistência e diversidade na metodologia da Da'wah.

`A oposição do seu povo`

Apesar da longa missão, a maioria do povo rejeitou Nuh عليه السلام. Eles ridicularizaram-no e recusaram a sua mensagem.
Nuh, porém, não abandonou a missão. A sua responsabilidade não era produzir resultados imediatos, mas transmitir fielmente a mensagem recebida de Allah.
Esta é uma importante lição para a Da'wah: o sucesso não deve ser medido apenas pelo número de seguidores, mas pela fidelidade à verdade.

`A Arca e o grande dilúvio`

Quando a rejeição chegou ao seu extremo, Allah ordenou a Nuh que construísse a Arca:
_“E constrói a Arca sob os Nossos olhos e conforme a Nossa revelação.”_ (11:37)

O povo ridicularizou-o, mas ele continuou a cumprir a ordem divina.
Depois ocorreu o grande dilúvio. Allah descreve:
_“Então, abrimos as portas do céu com água torrencial e fizemos brotar da terra fontes...”_ (54:11-12).

Allah salvou Nuh, os crentes e aqueles que estavam na Arca. Depois, a Arca repousou sobre Judi.
O dilúvio foi, portanto, castigo para os descrentes e salvação para os crentes, constituindo também um grande sinal do poder de Allah.

`O filho de Nuh: fé acima do parentesco`

Um dos episódios mais marcantes é o diálogo entre Nuh e o seu filho incrédulo.
Nuh disse: _“Ó meu filho, embarca connosco e não fiques com os descrentes.”_ (11:42)

O filho recusou e procurou refúgio numa montanha, mas acabou sendo levado pelas ondas.
Este episódio demonstra que o parentesco com um Profeta não garante a salvação. A verdadeira salvação depende da fé e da misericórdia de Allah (من بطأ به عمله لم يسرع به نسبه).

`Nuh entre os cinco Ulul-'Azm`

Nuh عليه السلام pertence aos Ulul-'Azm min ar-Rusul (أولو العزم من الرسل), os cinco grandes Mensageiros:
✓ Muhammad ﷺ ✓ Ibrahim عليه السلام ✓ M***a عليه السلام ✓Issa عليه السلام ✓ Nuh عليه السلام

Esta sequência é apresentada segundo a posição de excelência, e não segundo a ordem cronológica dos Profetas. O Profeta Muhammad ﷺ ocupa a posição mais elevada entre todos os Profetas e Mensageiros.

Allah menciona esses grandes Mensageiros:
“Eis que estabelecemos com os Profetas a sua aliança, contigo, com Nuh, Ibrahim, M***a e Issa ibn Maryam...” (33:7).

E também: _“Ele estabeleceu para vós, na religião, aquilo que havia recomendado a Nuh, e aquilo que te revelámos, e o que recomendamos a Ibrahim, M***a e Issa...”_ (42:13)

`A posição de Nuh no Dia do Juízo`

No Quiamah, Nuh terá uma posição importante na sequência da procura da Shafa'ah al-'Uzma (الشفاعة العظمى).
Num hadith autêntico, as pessoas, diante da enorme dificuldade daquele Dia, procurarão os grandes Profetas para pedir-lhes que intercedam junto de Allah. Elas irão a:
# Adão # Ibrahim # M***a # Issa # Muhammad ﷺ.
Quando chegarem a Nuh, reconhecerão a sua posição como primeiro Rassul enviado à humanidade após o surgimento do shirk.
Contudo, finalmente chegarão ao Profeta Muhammad ﷺ, a quem Allah concederá a grande intercessão.
É importante distinguir: Nuh não foi o primeiro Profeta, pois Adam عليه السلام foi Profeta; Nuh é considerado o primeiro grande Rassul enviado depois do surgimento do shirk.

`Nuh como exemplo de Sabr`

A história de Nuh é uma das maiores demonstrações de Sabr (paciência e perseverança) entre os Profetas.
Durante 950 anos enfrentou rejeição, ridicularização e oposição. Mesmo assim, permaneceu firme.
A sua história ensina que aquele que faz Da'wah deve transmitir a verdade, perseverar e confiar em Allah, pois a orientação dos corações pertence exclusivamente a Ele.

`Nuh: “servo muito agradecido”`

Allah concedeu a Nuh uma descrição particularmente honrosa: _“Por certo, ele era um servo muito agradecido.”_ (17:3).

Ser chamado de abd shakur (عبدا شكورا), “servo muito agradecido”, demonstra a profundidade da sua relação com Allah: adoração, gratidão, confiança e submissão.

`Linha temporal de Nuh عليه السلام`

* Adão عليه السلام
* Primeiras gerações da humanidade
* Surgimento do shirk
* Envio de Nuh como Rassul
* 950 anos de Da'wah
* Persistência do povo na rejeição
* Construção da Arca
* Grande dilúvio
* Salvação de Nuh e dos crentes
* Destruição dos descrentes
* A Arca repousa sobre Judi
* Continuação da humanidade a partir dos sobreviventes

A linha temporal não deve ser confundida com a ordem de excelência dos Profetas. São duas questões distintas.

_Concl._ Nuh عليه السلام representa um dos maiores exemplos de Tawhid, Da'wah, Sabr e firmeza na história da humanidade. Durante 950 anos permaneceu chamando o seu povo para Allah, apesar da rejeição persistente.

A Arca e o dilúvio constituíram sinais extraordinários, mas a mensagem central da sua história é mais profunda: a salvação está na fé, na obediência e na misericórdia de Allah, e não no parentesco ou estatuto social.
Nuh é um dos cinco Ulul-'Azm, o primeiro Rassul enviado à humanidade após o surgimento do shirk e uma das figuras que serão procuradas no Dia do Juízo antes de as pessoas chegarem ao nosso Profeta Muhammad ﷺ.

A sua vida permanece como uma grande lição para Da'wah: transmitir a verdade, manter a paciência e confiar plenamente em Allah, independentemente da quantidade de pessoas que respondam à mensagem.

NABI ISSA IBN MARYAM (Jesus): O Messias, Servo de Allah e um dos Maiores Profetas> Por MSc Sheikh Molde Sefo Sumalge Art...
11/08/2026

NABI ISSA IBN MARYAM (Jesus): O Messias, Servo de Allah e um dos Maiores Profetas

> Por MSc Sheikh Molde Sefo Sumalge

Art. n.º 272

_Introd._ O profeta Issa ibn Maryam - عيسى بن مريم (que a paz esteja com eles) ocupa uma posição de elevada honra no Islam. O Nobre Al-Qur'an apresenta-o como um dos cinco mensageiros dotados de firmeza (Ulu al-Azm), um dos maiores profetas enviados por Allah à humanidade e o último dos grandes mensageiros antes do advento do Profeta Muhammad ﷺ. A sua história é simultaneamente um ponto de convergência e de divergência entre o Islam e as restantes tradições abraâmicas. Enquanto o Islam reconhece o seu nascimento milagroso, os seus inúmeros milagres e a sua elevada posição espiritual, rejeita categoricamente qualquer atribuição de divindade ou filiação divina.

O estudo da personalidade de Issa (Ïsa - يسوع) permite compreender a continuidade da revelação divina e a relação entre o seu ministério profético e a missão universal do Profeta Muhammad ﷺ.

*A elevada posição de Issa no Qur'an*

Allah incluiu Issa entre os cinco grandes mensageiros dotados de firmeza:
_"E quando firmámos um pacto com os profetas, contigo (Muhammad), com Nuh, Ibrahim, M***a e Issa, filho de Maryam..."_ (Qur'an 33:7).

Os exegetas afirmam que a ordem mencionada neste versículo evidencia a posição singular destes cinco profetas, considerados os maiores mensageiros da história.
Allah também descreve Issa como:
* Messias (al-Masih);
* Palavra de Allah dirigida a Maryam;
* Espírito criado por Allah;
* Servo de Allah;
* Profeta e Mensageiro;
* Puro e piedoso
* Sinal para a humanidade;
* Sinal da Hora.

*O seu nascimento e a sua família*

Issa nasceu milagrosamente de Maryam (Maria), sem intervenção de pai humano. A sua mãe foi uma das mulheres mais virtuosas da história, escolhida e purificada por Allah.
O Qur'an afirma: _"O exemplo de Issa perante Allah é como o de Adão: criou-o do pó e disse-lhe: 'Sê', e ele foi."_ (Qur'an 3:59)
Assim, se o nascimento sem pai fosse prova de divindade, Adão teria maior direito a esse estatuto, pois não teve pai nem mãe.

Desde o berço, Allah concedeu a Issa um dos seus primeiros milagres: falar ainda criança para defender a honra da sua mãe e anunciar a sua missão profética.

*A missão de Issa*

Allah enviou Issa aos Filhos de Israel para confirmar a Tawrat (antigo testamento), corrigir as deturpações introduzidas pelos homens e chamar novamente ao Tawhid (monoteísmo).

Recebeu o Injil (Novo Testamento) como revelação e realizou numerosos milagres, sempre com a permissão de Allah:
✓ curou cegos e leprosos,
✓ ressuscitou mortos,
✓ informou as pessoas sobre aquilo que escondiam e moldou um pássaro de barro que ganhou vida pela vontade de Allah.

O Qur'an repete constantemente a expressão "bi idhnillah - بإذن الله" (com a permissão de Allah"), demonstrando que esses milagres não eram resultado de uma natureza divina, mas sinais concedidos por Allah ao Seu mensageiro.

O encontro com Muhammad ﷺ
Durante a viagem de al-Isra'i wa al-Mi'raj, o Profeta Muhammad ﷺ encontrou Issa juntamente com Yahya (João Batista) no segundo céu, conforme narrado nos hadiths autênticos de al-Bukhari e Muslim. Ambos saudaram Muhammad ﷺ, reconheceram a sua profecia e invocaram bênçãos para ele.

Este encontro simboliza a fraternidade entre os profetas e a unidade da mensagem revelada por Allah.

*A relação entre Issa e Muhammad ﷺ*

O Profeta Muhammad ﷺ afirmou:
"Eu sou o mais próximo de Issa, filho de Maryam, nesta vida e na Outra. Os profetas são irmãos por parte de pai; as suas mães são diferentes, mas a sua religião é uma só."
Este hadith demonstra que todos os profetas partilharam o mesmo fundamento doutrinário: a adoração exclusiva de Allah.
Além disso, Issa anunciou a vinda de um mensageiro chamado Ahmad (Muhammad):
_"...trazendo a boa nova de um Mensageiro que virá depois de mim, cujo nome será Ahmad."_ (61:6)

*A refutação da sua divindade*

O Islam rejeita categoricamente qualquer forma de divinização de Issa.
O próprio Qur'an declara:
* Issa nunca afirmou ser Deus.
* Nunca ordenou que fosse adorado.
* Considerava-se servo de Allah.
* Chamava as pessoas à adoração exclusiva do Criador.

Allah afirma: _"São, com efeito, descrentes os que dizem: 'Allah é o Messias, filho de Maryam.'"_ (5:72)
E afirma igualmente:
_"O Messias, filho de Maryam, não é senão um Mensageiro..."_ (5:75)

Desta forma, o Islam preserva simultaneamente a honra de Issa e a pureza absoluta do Tawhid (unicidade de Allah).

*A crucificação e a ascensão*

Segundo o Nobre Al-Qur'an, Issa não foi morto nem crucificado.
Allah diz: _"Não o mataram nem o crucificaram; apenas lhes pareceu assim..."_ (Qur'an 4:157).

Allah elevou-o aos céus, preservando-o dos seus inimigos.
Esta crença constitui um dos pontos fundamentais da doutrina islâmica relativamente a Issa.

*O seu regresso à Terra*

Entre os grandes sinais da Hora encontra-se o regresso de Issa.
Os hadiths autênticos narram que descerá próximo do fim dos tempos, derrotará o Dajjal (anticristo), quebrará a cruz, abolirá a jizyah e governará com justiça segundo a legislação revelada ao Profeta Muhammad ﷺ.

Após cumprir essa missão, viverá durante alguns anos, casar-se-á segundo algumas narrações mencionadas por certos estudiosos (embora não exista hadith autêntico que o confirme expressamente), morrerá como todos os seres humanos e será sepultado na Terra.

*A posição de Issa no Dia da Ressurreição*

No Dia do Juízo, Allah perguntará a Issa se ordenou que fosse adorado.
Ele responderá: _"Glorificado sejas! Não me cabia dizer aquilo a que eu não tinha direito..."_ (5:116)

Assim, Issa declarará a sua inocência relativamente às crenças que lhe atribuíram divindade.
Nesse dia será uma testemunha contra aqueles que alteraram a sua verdadeira mensagem e um dos mais honrados profetas perante Allah.

_Concl._ No Islam, Nabi Issa - عيسى ocupa uma posição de extraordinária honra. É um dos cinco maiores mensageiros, nasceu milagrosamente, realizou grandes milagres, recebeu uma revelação divina, anunciou a chegada de Ahmad/Muhammad ﷺ e regressará antes do fim dos tempos para restaurar a justiça.
Todavia, toda a sua grandeza reside precisamente na sua servidão a Allah. O Qur'an apresenta-o como um exemplo de obediência, humildade e fidelidade ao Tawhid, rejeitando qualquer forma de divinização.

Conhecer a verdadeira personalidade de Issa à luz do Nobre Qur'an e da Sunnah permite compreender melhor a unidade da missão profética e a continuidade da mensagem divina desde Nuh até Muhammad ﷺ, o selo dos profetas.

Ó Allah, reúne-nos com Issa, filho de Maryam e os demais piedosos, nos Jardins da Felicidade Eterna.

ISLAM, ACADEMIA E DESENVOLVIMENTO: Entre a Falsa Associação ao Extremismo, as Verdadeiras Prioridades da África e os Imp...
01/08/2026

ISLAM, ACADEMIA E DESENVOLVIMENTO: Entre a Falsa Associação ao Extremismo, as Verdadeiras Prioridades da África e os Impactos Diplomáticos e Sociais

> Por MSc Sheikh Molde Sefo Sumalge

Art. n.º 271/B

_Res._ Este artigo constitui uma continuidade da reflexão anteriormente desenvolvida sobre a natureza abrangente da Shariah (الشريعة), o artigo analisa a associação equivocada entre Islam, Shariah e extremismo (التطرف), bem como os impactos políticos, sociais e diplomáticos de declarações públicas dirigidas contra uma tradição religiosa seguida por milhões de pessoas. Defende-se que a Shariah constitui um sistema ético e jurídico abrangente, incompatível com a violência injustificada, e que o verdadeiro desenvolvimento exige a conjugação entre conhecimento, justiça e valores morais.

*A falsa associação entre Islam, Shariah e extremismo*

Um dos argumentos mais recorrentes contra a Shariah consiste em associá-la aos grupos armados que afirmam agir em seu nome. Contudo, tal associação carece de rigor científico e jurídico.

Não existe atualmente nenhum Estado que possua programas oficiais de ensino da Shariah destinados a formar indivíduos para conquistar o poder pela violência ou da subversão da ordem constitucional. Pelo contrário, a Shariah assenta na preservação da vida, da justiça e da ordem pública. Muitos grupos que invocam a sua aplicação ignoram precisamente esses princípios fundamentais.

O Profeta Muhammad ﷺ advertiu igualmente que, com o passar do tempo, alguns ensinamentos da religião seriam abandonados, sendo o julgamento justo uma das primeiras dimensões afetadas. Assim, não é metodologicamente correto julgar a Shariah pelos desvios daqueles que afirmam representá-la.
Além disso, não se pode excluir a possibilidade de que alguns desses grupos sejam instrumentalizados por atores com interesses políticos, económicos ou estratégicos, eventualmente hostis ao Islam, utilizando-os para promover agendas que pouco ou nada têm que ver com os princípios da própria Shariah.

*Os estudiosos da Shariah são académicos?*

Na sequência daquelas declarações, alguns comentários difundidos nas redes sociais, incluindo de figuras islâmicas, passaram a negar o carácter académico dos estudiosos da Shariah. Contudo, essa posição assenta numa compreensão limitada do conceito de academia e da natureza das ciências islâmicas.

Com efeito, académico é todo aquele que se dedica, com rigor, ao estudo, ao ensino e à investigação numa determinada área do conhecimento, não sendo essa condição exclusiva de um grupo restrito de pessoas ou de determinadas disciplinas. Nesta perspetiva, um especialista em Shariah, Fiqh ou Hadith é académico na sua área de especialização, tal como um médico o é na medicina ou um engenheiro na engenharia.
Não existe académico em sentido absoluto ou universal; o reconhecimento académico está sempre associado a uma área específica de especialização e produção do conhecimento.

*O desenvolvimento moral também constrói nações*

O desenvolvimento não depende apenas de infraestruturas ou tecnologia. Sem ética, justiça e responsabilidade, qualquer progresso material torna-se vulnerável à corrupção e ao abuso do poder.

O Nobre Alcorão apresenta princípios relativos ao comércio, contratos, justiça, gestão patrimonial e administração económica, demonstrando que a Shariah oferece orientações que ultrapassam o domínio ritual e contribuem para uma sociedade mais equilibrada.

*Os impactos políticos, sociais e diplomáticos das declarações*

Em sociedades profundamente religiosas, como as africanas, declarações depreciativas contra uma religião ou os seus seguidores podem gerar custos políticos, sociais e diplomáticos, comprometendo relações com comunidades religiosas e países parceiros.

Por essa razão, muitos líderes adotam uma postura de respeito pelas diferentes confissões. Mesmo os Estados laicos não são necessariamente antirreligiosos, preservando frequentemente referências religiosas na sua identidade nacional.

Assim, quando um responsável político desconhece determinada tradição religiosa ou discorda de alguns dos seus princípios, a atitude mais prudente consiste em procurar esclarecimento junto dos seus especialistas, evitando generalizações que alimentem tensões internas e externas.

*Para além das ideologias*

Nenhuma ideologia constitui, por si só, garantia de prosperidade. Nem o capitalismo, nem o socialismo, nem o comunismo, nem o ateísmo resolveram, isoladamente, os problemas da humanidade.

Na perspetiva islâmica, o desenvolvimento sustentável exige equilíbrio entre progresso material e valores espirituais. Allah afirma:

_"Se os habitantes das cidades tivessem crido e fossem tementes a Allah, abrir-lhes-íamos bênçãos dos céus e da terra."_ (7:96).

Isto não significa rejeitar a ciência ou a tecnologia, mas reconhecer que estas alcançam melhores resultados quando acompanhadas pela justiça, honestidade e responsabilidade moral.

*Problemas prioritários para o debate público em África*

África enfrenta desafios urgentes como xenofobia, terrorismo, doenças, desastres naturais, fome e pobreza. Perante essa realidade, transformar uma tradição religiosa com séculos de contribuição histórica na formação de sociedades africanas em alvo de críticas generalizadas não deve ser uma prioridade.

O debate público deve concentrar-se na busca de soluções para os problemas que afetam diretamente a vida das populações, promovendo a cooperação, o respeito entre comunidades e o aproveitamento dos contributos positivos de todas as tradições que participaram na construção histórica das sociedades africanas.

*Considerações finais*

Em linhas gerais, o debate sobre a Shariah deve assentar no conhecimento e não em estereótipos. Mais do que um conjunto de normas jurídicas, ela constitui um sistema de valores que promove justiça, responsabilidade, proteção da vida e do património.

Por isso, importa questionar se é coerente rejeitar a Shariah em discurso enquanto se adotam princípios por ela consagrados. O futuro de África dependerá menos da oposição entre religião e desenvolvimento e mais da capacidade de conciliar conhecimento científico, boa governação e valores éticos, construindo sociedades estáveis, justas e verdadeiramente sustentáveis.

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