Done-se / Revista LiterArte

Done-se / Revista LiterArte Done-se o mundo... Expressa-te!!

Crescer, evoluir é reduzir a margem entre quem somos agora e o nosso “eu” ideal. No poema “you”, Eilennah D. consegue o ...
05/02/2026

Crescer, evoluir é reduzir a margem entre quem somos agora e o nosso “eu” ideal. No poema “you”, Eilennah D. consegue o insólito: conversa tão intimamente com o seu “eu” ideal que temos a estranha sensação de estar a ler o transcrito de verdades e sentimentos que tanto evitamos.

Ler “You” é olhar no espelho e bisbilhotar a nossa própria alma, despida de farsas.

Seguem nas imagens abaixo alguns excertos desta publicação. E para ler na íntegra, siga o link no primeiro comentário.

Sempre encarei o amor e outras dr**as do tipo com altos graus de septicíssimo. Não são sentimentos puros, angelicais, co...
04/02/2026

Sempre encarei o amor e outras dr**as do tipo com altos graus de septicíssimo. Não são sentimentos puros, angelicais, como se acredita. São egocêntricos.

João não ama Maria porque o seu amor faz bem a Maria. João ama Maria porque Maria o faz bem.

Quando o amor de Maria desbota, mas João insiste em permanecer, o que f**a não é amor, é a ideia do amor. E é aí que o amor se transfigura, silenciosamente em obsessão.

Já não é sobre os dois, é sobre um só. Sobre a vontade de manter, vigiando, controlando; tudo disfarçado de cuidado.

Nesse ponto, o amor revela a sua face egocêntrica, menos romântica: a obsessão.

O poema “Amor que se Afoga” de Tarck Chaquir (Tarck Chaquir ) é o lado sombrio do amor, o lado escuro da lua de mel.

Seguem nas imagens abaixo alguns excertos desta publicação. E para ler na íntegra, siga o link no primeiro comentário.

Em suas obras, o filósofo Friedrich Nietzsche sugere que o sofrimento em si não é o que perturba o ser humano. O que rea...
03/02/2026

Em suas obras, o filósofo Friedrich Nietzsche sugere que o sofrimento em si não é o que perturba o ser humano. O que realmente atormenta é o sofrimento sem sentido, sem propósito.

Ora, a empreitada da licenciatura em Moçambique pode muito facilmente ser descrita como “sofrimento sem sentido”, pois que, para muitos, o diploma acaba por ser um papel… inútil.

No poema “Currículo com Fome” de Karina Boane (Karina Filipa), retumba a frustração de quem acreditou na mentira da licenciatura e agora paga o preço com o dinheiro que aufere com a venda de tomate no mercadinho do bairro.

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Viver é sofrer… é uma batalha após a outra, e o poema “Um galho de Esperança” de Ivan Máximo… um grito de socorro. É con...
02/02/2026

Viver é sofrer… é uma batalha após a outra, e o poema “Um galho de Esperança” de Ivan Máximo… um grito de socorro. É confissão de quem está farto, de quem, antes de uma partida voluntária, quer infligir ao mundo a mesma dor que o mundo infligiu a si. Mas encontra, no derradeiro instante, um motivo para enfrentar a próxima batalha.

Seguem nas imagens abaixo alguns excertos desta publicação. E para ler na íntegra, siga o link no primeiro comentário.

“É um segredo que se esconde no fundo do quintal africano”, e, de uma forma ou de outra, a magia –  curandeirismo e feit...
31/01/2026

“É um segredo que se esconde no fundo do quintal africano”, e, de uma forma ou de outra, a magia – curandeirismo e feitiçaria – faz parte do dia-a-dia dos moçambicanos. Uns abraçam, outros se afastam, mas ninguém fala dela.

Dália Délcio, porém, quebra este pacto de silêncio no poema “Um quis me levar ao curandeiro — Minha casa tinha um feiticeiro”, escancara a porta da palhota e mostra o que lá acontece e como afecta a vida de pessoas como tu.

Seguem nas imagens abaixo alguns excertos desta publicação. E para ler na íntegra, siga o link no primeiro comentário.

Embora seja, efetivamente, uma revista literária, a done-se é uma criatura multidisciplinar, que não se alimenta só de l...
30/01/2026

Embora seja, efetivamente, uma revista literária, a done-se é uma criatura multidisciplinar, que não se alimenta só de letras. Por isso, nesta edição, “inauguramos” o espaço galeria, onde os artistas visuais poderão expor os seus desenhos, pinturas, fotos artísticas e mais.

O artista cubano, Rachid Reyes Gutiérrez, também conhecido como “Racho”, é o nosso primeiro expositor, trazendo-nos obras que reflectem vivências moçambicanas, mais do que a sua própria origem.

“(…) ao chegar a Moçambique, vivi uma transformação profunda: a convivência com a cultura africana, os seus ritmos, cores e histórias expandiu o meu olhar e marcou de forma decisiva o meu trabalho,” disse-nos Racho.

Seguem nas imagens abaixo alguns excertos desta exposição. E para contemplar na íntegra, siga o link no primeiro comentário.

Todos nós já ouvimos falar sobre casamentos prematuros, mutil*ção e outras práticas tradicionais que comprometem o desen...
29/01/2026

Todos nós já ouvimos falar sobre casamentos prematuros, mutil*ção e outras práticas tradicionais que comprometem o desenvolvimento e bem-estar das raparigas. Quase sempre o tom é institucional: relatórios, estudos, campanhas.

Mupheti Mabasso, em As Filhas do Barro Vermelho, faz o raro, convida-nos a ver pelos olhos das raparigas, a conviver com os homens que beneficiam desse sistema e com as mulheres (velhas) cúmplices, irremediavelmente doutrinadas, que perpetuam, se calhar por uma raiva latente, a mesma viol*nc*a que um dia sofreram.

Contudo, a despeito da densidade do tema, o autor escolhe a delicadeza, a contenção, e uma cadência quase poética ao narrá-la.

Seguem nas imagens abaixo alguns excertos desta publicação. E para ler na íntegra, siga o link no primeiro comentário.

“Este país arde devagar / como cigarro em boca cansada”, versif**a Moliano Salaf (Moliano Ibn Momad Salaf), e este poema...
27/01/2026

“Este país arde devagar / como cigarro em boca cansada”, versif**a Moliano Salaf (Moliano Ibn Momad Salaf), e este poema (Manifesto de Cinzas) arde com tudo depressa, consome, vorazmente, a passividade, o silêncio e a peneira com que tapamos o sol.

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O melhor souvenir é a lembrança. Coisa viva, mas… inatingível; chama de vela acesa para lá da porta do quarto, entreaber...
26/01/2026

O melhor souvenir é a lembrança. Coisa viva, mas… inatingível; chama de vela acesa para lá da porta do quarto, entreaberta. É miragem tantalizante.

No poema “Lembro-me de ti” de Nércia Sitoe (Nércia Sitoe), o passado dilui-se em presença. Nele, a autora revive a quentura de lábios amados, enquanto o leitor segura a vela que ilumina o instante.

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O poema “Prisão Invisível” de Silénio Elves é uma obra paradoxal. Na primeira linha, o autor indaga: “Como é a mente de ...
25/01/2026

O poema “Prisão Invisível” de Silénio Elves é uma obra paradoxal. Na primeira linha, o autor indaga: “Como é a mente de quem não tem ansiedade?”, porém, na contramão, e enquanto atravessamos a intempérie dos seus versos, surde a resposta para a questão inversa: “Como é a mente de quem – ?”

Seguem nas imagens abaixo alguns excertos desta publicação. E para ler na íntegra, siga o link no primeiro comentário.

Não minta para nós, poeta! Tu não escreves para “expressar os teus sentimentos”. Escreves para ser ouvido; ou por outra,...
24/01/2026

Não minta para nós, poeta! Tu não escreves para “expressar os teus sentimentos”. Escreves para ser ouvido; ou por outra, para ser lido… por leitores.

Em reconhecimento do papal essencial que os leitores desempenham no ecossistema literário, a Done-se os honra na rubrica LEITOR ALEATÓRIO, onde conversamos com um leitor aleatório – Deyse Sitoe, nesta edição de estreia – para saber dos seus gostos, preferências, hábitos de leitura, recomendações e por ai vai. É uma conversa descontraída que concerne todo o universo literário, desde os escritores, às editoras e até outros leitores.

Mas não acaba aí. Acreditamos que, como manos de irmãos mais novos, como pais e futuros pais, esta conversa desvenda o que de especial tem uma mente e carácter moldados pelos livros. Ademais, descobrimos lá as melhores tácticas para incutir o gosto pela leitura nas crianças à nossa volta e, se calhar, o que não permitir que venham a ler, pois que Deyse Sitoe fez uma revelação meio perturbadora sobre as suas leituras:

Tem lido até livros sobre branqueamento de capitais e sonegação de impostos, assuntos que, sem sombra de dúvidas, colidem com os valores e ensinamentos dos seus pais.

Seguem nas imagens abaixo alguns excertos desta conversa. E para ler na íntegra, siga o link no primeiro comentário.

Dulcineia das Máculas não escreve poesia para crianças. Não tem nada a ver com desconforto de quem lê. Sua missão é apen...
23/01/2026

Dulcineia das Máculas não escreve poesia para crianças. Não tem nada a ver com desconforto de quem lê. Sua missão é apenas dizer aquilo que tem de ser dito, mas poucas tem a ousadia de o fazer. “O vídeo íntimo da tua mãe vazou” é um poema que estica essa característica sua ao máximo. E há quem diga que, se calhar, não o devíamos ter publicado. Outros, porém, acham que a mensagem é mais do que pertinente e que só se pode abordar assim mesmo… à força.

Seguem nas imagens abaixo alguns excertos desta publicação. E para ler o poema na íntegra, siga o link no primeiro comentário.

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