Olá, me chamo Ângela Basualdo Resmini e sou a criadora do Santa Meada.
Nasci em Porto Alegre e sempre fui ligada às artes manuais. Desde criança meu lado criativo foi aparente. Filha de um fabricante de luminárias, um dos meus passatempos preferidos era ir à fábrica do meu pai, procurar por sucatas que pudessem virar alguma criação. Meu avô tinha como hobby a marcenaria, e eu, brincar com a serragem, além de catar toquinhos de madeira em sua oficina.
Sempre gostei de desenhar, costurar/fazer enfeites e brinquedos, além de tocar piano. Desenvolvi as habilidades manuais precocemente. Adoro experimentar e descobrir novas técnicas. Aos doze anos, nas férias de verão, comecei a fazer bijuterias com uma amiga. Me lembro que pegávamos a bicicleta na praia e íamos de casa em casa tentar vender as peças. Era uma diversão.
No entanto, apesar de gostar bastante das artes, tenho facilidade com números e gosto de solucionar problemas, então acabei optando pela engenharia como formação. Já com o diploma de Engenheira de Produção, trabalhei na área de custos e produtividade em duas grandes multinacionais. Apesar de gostar dos desafios da engenharia, sentia que faltava um propósito que me identificasse com o meu trabalho. Também sentia falta de usar o meu lado mais criativo e artístico.
Quando eu engravidei, senti que era o momento de me reconectar com esse desejo. Com a vinda do Samuel, eu ainda estava trabalhando em uma fábrica de tratores. Era um trabalho que exigia muitas horas de dedicação, além de uma longa distância que precisava percorrer todo dia. Ficar mais perto do meu filho foi o que me pareceu a melhor escolha e assim decidi, com o apoio do meu marido, interromper a carreira de engenheira. Eu queria ter mais tempo para participar da vida do meu filho, meu lado maternal acabou falando mais alto.
Assim, comecei a buscar uma atividade mais flexível e prazerosa, que pudesse me proporcionar mais tempo com a minha família. Fiz um curso de design de interiores, buscando me reaproximar do prazer que tenho ao desenhar. Não demorou muito e percebi que aquilo não era o que gostaria de seguir como profissão.
Em paralelo a isso, continuava fazendo meus trabalhos manuais para presentear: muitas peças de patchwork para meu filho, casinhas de madeira, brinquedos de tecido e crochê.
Feltrando a minha vida
Quando o meu filho tinha quase 3 anos, decidimos que ele iria frequentar um jardim de infância Waldorf. Quando entrei na casa onde a escola funciona, não tive dúvidas de que aquele era o ambiente acolhedor e respeitoso que buscava para ele.
Nas escolas Waldorf dá-se grande importância ao trabalho com as mãos, lá vi pessoalmente as primeiras peças feltradas que conheci. Por ser um material vivo e natural, com um toque muito rico e repleto de estímulos positivos para a criança, a lã era muito usada na escola. Nos primeiros dias de adaptação do meu filho, eu entrava em sala com ele e recebia um cesto de lã para cardar com as mãos enquanto ele se acostumava a nova rotina. Ao tocar a lã crua e solta pela primeira vez, senti imediatamente uma grande vontade de experimentar a técnica de feltragem, então assisti um vídeo e comprei o material. Senti muita afinidade com o material, e não tive dificuldade em fazer minhas primeiras peças: abelhas, joaninhas, borboletas e formiguinhas, que enfeitaram o piquenique de aniversário de 3 anos do meu filho. Pouco tempo depois, nessa mesma escola, fiz minha primeira oficina de feltragem, onde aprendi a fazer fadas.
Com um material rico nas mãos e tendo aprendido a lição, comecei a fazer pequenas coisas para mim ou para eu presentear, apurando cada vez mais a técnica. Os amigos e famílias da escola gostaram muito dos meus trabalhos com a lã, e começaram a fazer encomendas.
A feltragem é uma técnica super versátil, trabalhar com a lã é extremamente relaxante e até meditativo, mas no início tive muita dificuldade de encontrar materiais e bons conteúdos sobre o assunto. Então em 2018, tive a ideia de levar para mais pessoas o prazer de feltrar. Assim montei um projeto com a intenção de facilitar às pessoas o acesso à feltragem, trazendo inspirações, tutoriais, aulas e alguns materiais dando aquela santa ajuda para quem quer aprender.
E foi assim que nasceu a Santa Meada.