Revista O Bule

Revista O Bule Uma revista de literatura e cinema: web-oficinas, entrevistas, resenhas, releases, artigos, contos, crônicas, micronarrativas, poemas e análises de filmes.

O Bule é composto por doze (12) colunistas fixos:
- Rogers Silva
- Milton Rezende
- Glenio Cabral
- Whisner Fraga
- Krishnamurti Góes dos Anjos
- Allyne Fiorentino
- Lívia Teodoro
- Gustavo Coelho
- Sinvaldo Júnior
- Isabel Peixoto
- Leonardo Cardoso
- Marcia Barbieri

"Sobre o livro ‘Vidas sem nome’, de Wilson Gorj", resenha de Krishnamurti Góes dos Anjos "No apagar das luzes do ano de ...
16/06/2026

"Sobre o livro ‘Vidas sem nome’, de Wilson Gorj", resenha de Krishnamurti Góes dos Anjos

"No apagar das luzes do ano de 2025, deparo-me com o volume de contos curtos (e alguns curtíssimos), "Vidas sem nome", do escritor e editor Wilson Gorj. Lida a última página da obra, e pensando em retrospectiva mais alargada para os últimos anos, em que várias obras semelhantes vieram a público, lembro do bruxo do Cosme Velho. Machado de Assis escreveu em 1881, em um capítulo de "Memórias póstumas de Brás Cubas": “porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direta e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem...” Referia-se ele a um romance, é verdade, mas com muita propriedade quanto à postura de ‘leitores’ que têm pressa em envelhecer. Quanto aos contos, o mesmo Machado escreve na advertência de "Várias histórias", referindo-se à extensão do gênero: “O tamanho não é o que faz mal a este gênero de histórias, é naturalmente a qualidade; mas há sempre uma qualidade nos contos, que os torna superiores aos grandes romances, se uns e outros são medíocres: é serem curtos".

A coletânea que Wilson Gorj publica mais de 140 anos depois de Machado, depois de tanta, mas tanta mudança, atende ao leitor apressado e não decepciona no quesito qualidade. A começar pelos dois primeiros contos que abrem a obra, e que atestam ao que o livro veio afinal. Em “O sofá”, temos vívidos retratos do sentido de transitoriedade que nos atravessa e, mesmo assim, e paradoxalmente, perdura em nós com força descomunal o desejo de registrarmos nossa passagem no planeta. Já em “O circo”, lemos belíssimo testemunho de que, mesmo em face da dor que nos alcança no transcurso da vida, ainda assim, sabendo olhar, veremos que, “mesmo ali, no meio do fracasso”, por mais triste que seja, ainda há beleza na vida, “há amor, há afeto”.

Gorj revela-se exímio intérprete de pequenos mundos de individualidades, varridos por situações aflitivas que podem alcançar a nós viventes. Suas anônimas criaturas que transitam nas 58 breves narrativas de que o livro se compõe, alimentam, de texto para texto, convivências de lastro filosófico-espiritualista, como acontece em “Invisível”, “Futuro” e “Caminho da perdição”. Há textos que mostram como o medo que nos assola, sobretudo nas grandes cidades, acaba por armar ciladas sem retorno para nós mesmos, como acontece em “A vítima”.

Já em outras ficções, observamos pegadas da crença assaltada pela descrença, ou o otimismo minado pelo pessimismo uma e outra a revistar memórias nem sempre felizes. Outros personagens deflagram manifestações de humor que acabam por sentenciar o aparente fim de tudo. Em certos contos pensamos em um alívio a renovar o ser por meio do encontro de um grande amor, como sugerem contos como “Encontro marcado” ou “Pancadas na porta”, este último, por sinal, um tremendo equívoco entre amor e sexualidade que, afinal, adquire conotações de desespero e contrações de dor. Um conto de tragicidade onde o narrador corre literalmente para o precipício da tragédia. O tempo passa. Constatamos que hoje os cenários são outros, é verdade, os dramas humanos mais incisivos e cruéis, talvez, mas há certas coisas que não mudam...

Em Gorj, por vezes a narrativa ficcional de reduzidos limites, também aparece com teor espectral como acontece em “A rosa” e “O encontro”. Quanto à forma, temos textos ora de narração objetiva e perversa como “Língua afiada” e, não raro, visitas ao realismo mágico, ou ao fantástico, como lemos em “O ninho”, “O mergulho” e “Um pequeno detalhe”.

Em “Os louros da fama” (trata-se de um texto de 4 páginas) há algo de antológico no sentido de traduzir o choque entre as vaidades e o desencontro com a realidade vivida hoje por escritores no Brasil. Lembramos que o autor é editor chefe da Editora Litteralux, antiga Penalux, para a qual escrevi, em parceria, 146 resenhas em vários gêneros. É leitor experiente, portanto, e conhecedor do que se escreve atualmente no país. Conhece bem a realidade brasileira nessa seara. De fato, um texto muito perspicaz, que reproduz com fidelidade essa nossa estreita vidinha literária que oscila, para além das capacidades individuais, num pêndulo que se alterna entre o instrumento inquisitorial de pura e simples sabotagem de tantos talentos e o endeusamento duvidoso de mediocridades literárias. Quem vive da literatura e para a literatura nesse país, sabe muito bem do que estamos falando.

Os contos elencados no volume, em sua maioria, não chegam a completar duas páginas, entretanto, quando ultrapassam essa limitação, e alcançam 3 ou 4 páginas, o leitor é brindado com uma inventiva mais livre e maior concatenação de sentidos porque melhor se apresenta o insight, aquele mergulho existencial que caracteriza o gênero. Aí os textos se aprimoram na medida em que o autor-narrador aprimora revelações, ilumina mais os instantes críticos que induzem o leitor em suas linhas e entrelinhas ao pulsar, ao fermentar e ao germinar das grandes vivências da experiência humana. Isto é, afinal, a nosso ver, o que verdadeiramente importa ao bom contista.

Entre a introdução e o desfecho que une as duas pontas do leque, de tal forma que a impressão inicial se revigora nas palavras do desfecho, entra o talento do ficcionista. Nesse ponto o leitor toma contato não exatamente com o que os personagens estão a dizer ou fazer, mas o que estão a pensar, transformando toda a estrutura da história curta em uma mensagem muito tênue e delicada. Eis a unidade básica de modulação e desenvolvimento do conto. Aí o campo fértil para as ambiguidades, ambivalências, impressões fortalecidas em emoções muitas vezes apenas dedilhadas.

Vivemos tempos de imediatismos e superficialidades, de relações instáveis e líquidas. Tais circunstâncias acabaram por impregnar o gênero conto de um tal enxugamento verbal, que em muitos casos transformam o gênero em meros aforismos, ou anedotas de três ou quatro linhas. Entretanto, não se pode fugir de uma constatação que nos parece óbvia. O exercício de textos de estrutura física muito reduzida exige do autor um vocabulário rico, um conhecimento vasto das possibilidades da língua, de seus recursos expressivos, das figuras de linguagem etc. Fora daí, corre-se o risco de produzir textos vagos, difusos, sem enredo, às vezes em tom de crônica, baseados em estados de espírito e/ou iluminações impressionistas, esvaziados de sentido, rasos de significado. A criação de atmosferas ficcionais continua válida, e hoje mais do que nunca. Precisamos da palavra sentida, pensada, burilada à exaustão, que é afinal o que possui o dom de despertar em nós, não somente o significante da língua, mas também aqueles outros efeitos conotativos (figurados), explorando a função poética (estética), despertando sonoridades da língua, que se abre a outras interpretações, permitindo expressões que despertem diferentes significados e sentimentos no leitor, e por quê não ?, exprimindo sentidos de subjetividades ao provocar o "eu lírico" autoral, que se revela em emoções, visões de mundo e sentimentos profundos, tornando afinal a linguagem um objeto de arte em si.

Cito como exemplo do que escrevi acima, outro conto excepcional, “Pedalando pelas ruas da memória”, do qual transcrevemos, à guisa de conclusão, o trecho abaixo. E julguem os leitores a qualidade de uma prosa capaz de emocionar profundamente o leitor. Uma simples conversa de um avô com seu jovem neto durante um passeio de bicicleta que os dois empreendem nas ruas do bairro onde moram:

"Ufa... Olhe, não foi à toa que parei aqui. Nesta calçada, há muito tempo, havia uma árvore. Um ipê. Quando mocinha, sua avó sempre me esperava encostada nele, debaixo de sua copa frondosa. A gente namorava escondido, sabe? Ela dizia para os pais que ia ao cinema com uma amiga e, enquanto a cúmplice ia na frente, sua avó me esperava aqui neste ipê. Depois do filme, a gente voltava pra cá e aproveitava para namorar outro tanto. Em agosto, nossas roupas ficavam cheias de pétalas amarelas. O ipê não era só um ponto de encontro, era outro cúmplice. Imagina só como foi duro passar por esta rua um dia e não encontrar mais a árvore tão querida, que trazia no tronco as nossas iniciais. Cortaram o ipê só porque não combinava com a fachada desse prédio moderno. ‘Cada geração constrói seu cenário sobre os escombros das gerações anteriores’. Profundo, não? Li isso em algum livro, não me pergunte qual. É por isso que nós, vovôs e vovós, às vezes nos sentimos assim, como atores de uma peça que há muito se acabou; meio descartados, excluídos do palco do mundo. Sei que estou exagerando, falando difícil. É que às vezes me esqueço que você tem apenas dez anos.”... “Monta de novo. É isso aí garoto. Pronto, agora vamos, seus pais já devem estar preocupados. Enquanto pedalo, vou te contar um segredo. Ultimamente tenho sonhado muito com a gente. Nós dois, eu e sua avó, de novo jovens. No sonho de ontem, ela estava outra vez me aguardando em nosso ponto de encontro. Parecia tão real, ela ali, exatamente como nos bons tempos: linda, risonha, esperando por mim debaixo do ipê florido. Esperando em vão, porque nesses sonhos eu nunca consigo chegar perto dela. Acordo antes. Acordo com uma saudade enorme, e passo o dia todo nessa expectativa de voltar a dormir e sonhar com ela de novo. Quem sabe, a gente finalmente se encontre numa noite dessas."

Eis aí. Às vezes precisamos de palavras, muitas delas... E ponhamos um ponto final a esta resenha que já vai longa..."

Livro: “Vidas sem nome”
Contos de Wilson Gorj
Editora Litteralux
2025
154 p.
ISBN 978-65-5322-058-4

Sobre o autor da resenha:
Krishnamurti Góes dos Anjos é baiano de Salvador. Escritor, pesquisador e crítico literário, é autor, entre outros, de "O Crime dei Caminho Novo" (romance histórico), "Embriagado Intelecto e outros contos", "À flor da pele" (contos) e "Destinos que se cruzam" (romance). Possui textos publicados em revistas no Brasil, Portugal, Argentina, Chile, Peru, Venezuela, Panamá, México e Espanha.

Os múltiplos artistas — e parceiros de vida e de alma — Diego El Khouri & Lívia Batista inauguram a VãoAteliê, uma loja ...
14/06/2026

Os múltiplos artistas — e parceiros de vida e de alma — Diego El Khouri & Lívia Batista inauguram a VãoAteliê, uma loja virtual dedicada à arte em processo.

_ a cultura viva _
e há muito mais do que vocês ainda nem imaginam,
mas que vão ver se revelar ao longo do tempo.
Arte, cultura, achados e tudo o que cabe nesse território em constante transformação, onde o fazer artístico atravessa o cotidiano e ocupa a casa.

👉 Conheça a loja VãoAteliê no TikTok Shop: https://www.tiktok.com/?_r=1&_t=ZS-937gIIN3Qry

Instagram:

Fiquem atentos:

- diariamente faremos lives por essa página, apresentando obras, pintando ao vivo, criando caricaturas personalizadas, abrindo processos.

Aos poucos, o vão se expande: novos produtos, novas matérias, novas camadas de sentido.

Nada pronto. Tudo em movimento.

VãoAteliê

Arte autoral em processo.

O vão como espaço de mudança.

Do gesto à casa.

Sente-se.

Um dos programas vinculados ao Vão Ateliê.

Histórias Absurdas da Arte.

Um passeio por histórias insólitas, curiosas e absurdas envolvendo artistas, suas obras e episódios pouco conhecidos da história da arte.

Roteiro, apresentação e edição: Lívia Batista

Arte também é excesso, ruído e contradição.

Cheguem junto.

"Com a grandeza de uma menina" (Allyne Fiorentino) "__  Ai, eu acho que não quero falar, não. Eu tenho vergonha. O que e...
12/06/2026

"Com a grandeza de uma menina" (Allyne Fiorentino)

"__ Ai, eu acho que não quero falar, não. Eu tenho vergonha. O que eu preciso mesmo dizer?

__ Diga o que você quiser, Bianca. Agradeça pelo ano, incentive-os. Nada demais, improvisa.

__ Ah! Não. Olha as minhas bochechas, eu já estou toda vermelha. Meu coração acelerado, daqui a pouco as mãos estão suando. Não quero.

__ Bem, eu vou começar falando, depois vou abrir o microfone para quem quiser falar. Vai pensando aí... Se você quiser, lá na hora, você fala.

Disse isso já com a mão na maçaneta da porta, prestes a entrar. Eu, que também estava lá fora verificando uma série de dinâmicas que tínhamos planejado, consegui ouvir esse finalzinho de conversa enquanto entrava na sala juntamente com os dois. Quando entramos, todos estavam já sentados em círculo, com as camisetinhas “Somos Foda” bombando no peito, os projetores ligados, coffee breake servido, ouvidos atentos para o que o chefe iria dizer sobre o trabalho que fizeram durante todo o ano que passou e sobre as grandes e prósperas oportunidades que teriam no ano posterior. Sobre isso ele teria de ser criativo porque nem ele sabia o que estava por vir, mas ele nos ensinava que há sempre alguma coisa por vir, embora ela não tenha vindo nunca.

O importante era ser resiliente, envergar sem quebrar, ser maleável, cair e levantar depressa, dar a volta no problema, voar como a águia, ser inteligente como o lobo. Sempre me perguntei por que as cobras e as hienas nunca eram usadas como exemplos de característica que um humano deveria seguir. Uma pena, já que a cobra é fria e se rasteja aos pés dos outros, e a hiena, quase brasileira, ela ri dos seus problemas, tudo isso fazíamos sempre. Eu mesma desconfiava que éramos apenas bichos bestas e acuados, mas isso não vinha ao caso naquele momento.

E foi gráfico colorido pra cá, gráfico animado pra lá, números incríveis, que realmente parecem ser incríveis, no sentido de não críveis mesmo: é muito trabalho pra pouco funcionário! Faltou só jogarem fumaça e um estroboscópio e estaria arrumada a festa. Os slides cada vez mais ousados, com músicas de impacto e tudo – o designer estava quase formado em marketing, já que tinha que transformar um grão de areia em uma praia inteira, com direito a coco e a guarda-sol.

Claro que tudo poderia ter sido resumido em uma hora de conversa, mas, como ele sempre nos ensinou, o mundo corporativo não é exatamente sobre “o quê”, mas sobre o “como”. É sobre que tipo de show é possível produzir com quase nada. O chefe não entendia que a filosofia dele se aplicava a qualquer coisa, ele mesmo não fazia ideia da grandeza daquilo que ele dizia. Não por ser uma técnica a ser seguida, mas como um Guy Debord, sem saber que estava descrevendo uma sociedade de espetáculo. A diferença é que Debord denunciava; e o chefe, bom, ele era coach, ele, por vezes, mentia e acreditava na sua própria mentira. É até divertido esse jogo, a gente tentar encontrar nas pessoas a “autopsicopatia”, palavra que devo ter inventado, mas seria o quanto você é capaz de se autoenganar, assim como enganaria a qualquer um.

Mas a Bianca estava lá, fazendo a sua cara de boazinha sempre, sendo fofa e doce, como o chefe gostava. Resiliente, ele diria. Eu teria outras palavras para isso, menos bonitas, mais realistas, menos machistas, mas se eu as dissesse, não teria a grandeza de uma menina, nem de uma mulher, nem estaria em versos de música do Cidade Negra, por exemplo... Seria uma mulher sem grandeza se eu dissesse a verdade sobre o que os homens acham que é uma mulher grande: aquela que se apequena para eles.

O chefe finalmente havia terminado e abriu o microfone para quem quisesse falar, olhou pra Bianca – ela corou. Ficou assim por alguns segundos, entre “vou ou não vou?”, “será que tenho competência pra isso?”, “será que tenho o que dizer?”.

Nisso o chefe coach tinha razão, era preciso aproveitar as oportunidades que apareciam, porque nesses segundos em que Bianca pensava se ela era “grande” ou não, o supervisor se adiantou, pegou o microfone e começou a falar, com segurança, com a mão firme, a voz clara, sem tremer, sem gaguejar, sem titubear, sobre educação e liderança, como se sempre tivesse feito aquilo. Ele, que nem era daquela área, não entendia nada daquilo, mas era homem. E Bianca? Ela era a coordenadora e tinha muitos diplomas sobre aquilo que ele estava falando.

É que o verso da música estava errado: pra ser homem sempre tiveram de se aproveitar da grandeza de uma mulher."

* Crônica publicada originalmente no Crônica do Dia.



Allyne Fiorentino é natural de Minas Gerais, mas reside em São Paulo, capital. É profissional das Letras e da Educação, mestra em Estudos Literários na linha de Teorias e Crítica da Poesia. Atua, atualmente, em Tecnologia da Educação. Apaixonada por Literatura Feminina, Simbolismo, Filosofia e excentricidades. Low profile do mundo literário, escreve pouco, mas, acredite, incisivamente. Está também em Crônica do Dia. Instagram: .

"No apagar das luzes do ano de 2025, deparo-me com o volume de contos curtos (e alguns curtíssimos,), 'Vidas sem nome', ...
10/06/2026

"No apagar das luzes do ano de 2025, deparo-me com o volume de contos curtos (e alguns curtíssimos,), 'Vidas sem nome', do escritor e editor Wilson Gorj. Lida a última página da obra, e pensando em retrospectiva mais alargada para os últimos anos, em que várias obras semelhantes vieram a público, lembro do bruxo do Cosme Velho. Machado de Assis escreveu em 1881, em um capítulo de 'Memórias póstumas de Brás Cubas': “porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direta e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem...” Referia-se ele a um romance, é verdade, mas com muita propriedade quanto à postura de ‘leitores’ que têm pressa em envelhecer. Quanto aos contos, o mesmo Machado escreve na advertência de 'Várias histórias', referindo-se à extensão do gênero: “O tamanho não é o que faz mal a este gênero de histórias, é naturalmente a qualidade; mas há sempre uma qualidade nos contos, que os torna superiores aos grandes romances, se uns e outros são medíocres: é serem curtos."

Confira a resenha completa n'O Bule: https://www.revistaobule.com.br/2026/06/vidas-sem-nome-e-em-poucas-palavras.html

Ficha técnica:Título: Ensaios sobre a total libertaçãoAutor: Rogers SilvaGênero: contos: literatura brasileiraPáginas: 1...
26/05/2026

Ficha técnica:
Título: Ensaios sobre a total libertação
Autor: Rogers Silva
Gênero: contos: literatura brasileira
Páginas: 150
Formato: 13x18cm
Editora: Folheando (1ª edição, 2025)

Onde comprar?

No estande da Editora O Bule: dias 27 e 28 de maio, no 1º Encontro Literário da Biblioteca Municipal de Uberlândia, no Centro Municipal de Cultura (antigo Fórum) - Praça Prof. Jacy de Assis - s/n - Centro, Uberlândia - MG.

Por quanto?
R$ 40,00 (Pix ou cartão - débito e crédito)

Você é nosso convidado especial para o 1º Encontro Literário da Biblioteca Municipal de Uberlândia, que acontecerá nos d...
25/05/2026

Você é nosso convidado especial para o 1º Encontro Literário da Biblioteca Municipal de Uberlândia, que acontecerá nos dias 27 e 28 de maio de 2026, no Centro Municipal de Cultura (Praça Professor Jacy de Assis, Centro – Uberlândia-MG).

Venha celebrar a literatura, compartilhar ideias e se inspirar neste encontro pensado para aproximar leitores, escritores, artistas e a comunidade em torno do universo dos livros.

O evento contará com uma programação diversificada e envolvente: palestras, oficinas, rodas de conversa com escritores, contação de histórias e uma minifeira literária, reunindo diferentes vozes, experiências e expressões da cultura literária.

O Bule estará no evento com um estande exclusivo!

Entre outros, levaremos os livros "Ensaios sobre a total libertação" (Rogers Silva, contos), "Os 13 contos" (Gustavo Coelho, contos), "Os traidores do reino perdido" (Iasmim Assunção, romance), "Crisântemo" (Gustavo Coelho e Sinvaldo Júnior, romance), "Versos que cantam" (Andréa Brandão, poemas), "Eu “odeio” Chico Buarque de Holanda e outros contos" (Fernando Mundim Veloso, contos), "2013 – O inferno é aqui" (Marcelo Aguiar, relato autobiográfico), além de livretos com valores entre R$ 10,00 e R$ 15,00.

O evento é gratuito.

Será uma grande alegria contar com a sua presença neste momento especial dedicado à leitura, à criatividade e ao encontro entre pessoas e histórias.

"O elixir da longa vida" (Milton Rezende)"Agora eu era o lendárioJuan Ponce de León que,já naquela época, andava afoitoa...
24/05/2026

"O elixir da longa vida" (Milton Rezende)

"Agora eu era o lendário
Juan Ponce de León que,
já naquela época, andava afoito
atrás da Fonte da Juventude.

Também como ele e todos os demais
homens, eu sentia que a minha vida tinha sido
desbaratada até então no mais puro equívoco,
e que eu precisava de uma segunda chance.

Consultei todos os compêndios e manuais
antigos onde eu pudesse encontrar a fórmula
do Elixir da Longa Vida, pois eu já havia
nascido doente da alma e com fome no estômago.

Eu precisava, portanto, e com a máxima urgência
de uma panaceia qualquer para me dar um
pouco de acalanto depois de tantas decepções
durante minhas expedições e jornadas perdidas.

Equipei um laboratório no porão desativado e
nele instalei minha alquimia de sábio ancião
a partir do cinábrio, enxofre, arsênico e mercúrio,
conforme as lendas urbanas desde os espanhóis.

Entretanto antes de eu alcançar qualquer
sucesso ou lograr algum avanço científico
em minhas pesquisas, fui atingido por uma
flecha envenenada disparada por uma tribo."

Do livro 'O Jardim Simultâneo'.

Milton Rezende, poeta e escritor, nasceu em Ervália (MG), em 1962. Viveu parte da sua vida em Juiz de Fora (MG), onde foi estudante de Letras na UFJF, depois morou e trabalhou em Varginha (MG). Funcionário público aposentado, morou em Campinas (SP), Ervália (MG) e retornou a Campinas (SP). Escreve em prosa e poesia e sua obra consiste de quinze livros publicados e quatro e-books.

Às vezes é preciso inventar um mundo para conseguir sobreviver a este – tais palavras resumem o espírito de “Ensaios sob...
19/05/2026

Às vezes é preciso inventar um mundo para conseguir sobreviver a este – tais palavras resumem o espírito de “Ensaios sobre a total libertação”.

O livro serve como um lembrete poderoso do porquê recorremos à literatura. Em um mundo onde as tragédias são reais e as pressões da vida podem ser sufocantes, a ficção não é apenas uma fuga, mas uma ferramenta de sobrevivência. É nas páginas dos livros que encontramos o espaço para imaginar alternativas, explorar novas perspectivas e, sim, inventar mundos onde as possibilidades são infinitas.

O livro de Rogers Silva nos convida a fazer exatamente isso. Através de quatro narrativas envolventes e instigantes, ele nos leva a uma jornada pelos labirintos da mente humana, explorando temas como a busca por identidade, o poder da linguagem e a natureza da própria realidade. Ao longo do caminho, nos deparamos com personagens que lutam contra as circunstâncias, desafiam o status quo e buscam sua própria forma de libertação.

Se você está procurando uma leitura que o faça refletir sobre o mundo ao seu redor e o inspire a imaginar novas possibilidades, "Ensaios sobre a total libertação" é a escolha perfeita. Deixe-se levar pelas histórias e descubra por que, às vezes, é preciso inventar um mundo para conseguir sobreviver a este.

Descubra outros mundos aqui: https://www.editorafolheando.com.br/produtos/ensaios-sobre-a-total-libertacao-cyygf/

"O cotidiano em círculos"Por Milton Rezende "Viemos de um sonho remotoonde algumas sombras pairamsobre a quietude das ág...
17/05/2026

"O cotidiano em círculos"

Por Milton Rezende

"Viemos de um sonho remoto
onde algumas sombras pairam
sobre a quietude das águas.
Mas a chuva nos molha o rosto
e de resto temos apenas as palavras.

Um encontro casual
entre seres com a mesma afinidade
mostra que imagens diversas se misturam
para definir nosso retrato interior.
E o tempo estanca o sangue e escoa.

A noite silenciava as vozes do edifício
e a luta pelo recolhimento se tornou impraticável.
Eu estava tentando dormir como os outros,
mas uma mosca desenhava o espaço
com a sua presença inquieta."

Do livro 'Inventário de Sombras'.

Milton Rezende, poeta e escritor, nasceu em Ervália (MG), em 1962. Viveu parte da sua vida em Juiz de Fora (MG), onde foi estudante de Letras na UFJF, depois morou e trabalhou em Varginha (MG). Funcionário público aposentado, morou em Campinas (SP), Ervália (MG) e retornou a Campinas (SP). Escreve em prosa e poesia e sua obra consiste de quinze livros publicados e quatro e-books. Tem um site e um blog.

Fortuna crítica: “Tempo de Poesia: Intertextualidade, heteronímia e inventário poético em Milton Rezende”, de Maria José Rezende Campos (Penalux, 2015).

Endereço

Uberlândia, MG

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