23/09/2024
CONTOS PSYCODÉLICOS
#01 Do Dance ao Trance.
Lá pro começo da virada do século 21, logo depois dos anos 2000, a era da informação e digitalização estava cada dia mais forte. A gente escutava música eletrônica na rádio e colecionava CDs e MP3. Eu já ia pra festa a uns anos, pois tinha autorização da Jovem Pan assinada por meus pais e por um juiz ou juíza que permitiam meu acesso à festas para maiores de 18 anos. Era emancipado. O African Bar era um local que eu costumava frequentar. Em Belém do Pará, o African era um lugar bem conhecido, e lá tinham 3 boates juntas... ou saldas de dança. A Nairobi, e a Safari eram as principais. Belém tinha uma peculiar cena noturna e digital que começou a se organizar em clãs, ou gangs, seja lá como pode ser chamado uma turba de pessoas com as emoções aflorando de todo jeito, na essência da adolescência. Eu adorava aquele lugar, mas as brigas entre os clãs estava deixando tudo muito ruim. Confusões estouravam o tempo todo com os playboys. Toda vez que rolava a musica "Sandstorm" do dj Darude. Era a senha pra um porradal programado onde alguém de outro clã era alvo... e o negócio f**ava feio. isso estava virando caso de polícia. Contudo isso tudo haveria de mudar.
Ali então, pelos meus 15 ou 16 anos, eu decidi sair no sábado a noite, e o destino era o African Bar. Mas dessa vez nenhum dos amigos da rua ou meus irmãos estavam disponíveis para ir comigo, então eu decidi ir sozinho. Lá encontraria toda a galera. Ledo engano. Quando cheguei já vi que o som que tocava era bem diferente daquele que eu estava acostumado, que hoje eu sei que eram Eletro-House comercial, o que a gente chamava de Dance. Eu era da Cena Dance, fazia meus passinhos no ritmo da música, que aliás foi um salto de autoestima, pois eu não sabia dançar até que aprendi. Lá naquele sábado eu paguei meu ingresso, R$15,00. Entrei e não encontrei ninguém conhecido. Andei em todos os lugares e nada. Fui na Nairobi estava tocando o que hoje sei que era o Acid House, mas eu achei muito acelerado e não gostei. Fui pra safari, lá estava tocando algo mais parecido com o que eu conhecia, era Techno, eu fiquei lá, comprei um drink chamado Super African que custava 5 reais. Eu só tinha agora mais 10 reais. Pois sai com 30, e fui andando de casa pra lá. Voltaria andando.
Lá pelas 2:30 da manhã, sem conversar com ninguém, sem encontrar ninguém, sentado nos sofás pelas bordas da Safari, eu dormi. E acordei quase 7 da manhã, umas seis e pouco. O som ainda estava rolando, e eu achei estranho pois sempre acabava as 4h. E quem tocava era o Henry Teletubbie, dj da Jovem Pan, finalmente alguém conhecido, fui até o palco e acenei, e fui la fora, na lateral onde podia fumar, e alguém estava bolando um baseado. Perguntei se eu poderia fumar com eles, e ele terminando de bolar com um bolador pediu pra eu acender. Acendi, conversamos um pouco, e me deu fome. Decidi ir embora.
Saí da festa e peguei o rumo da Doca de Souza Franco, indo ali pela Doquinha. Eu ainda tinha 10 reais. Sai fora caminhando, e então a história começa a f**ar mais interessante para mim. Depois eu refleti bastante sobre essa situação, e como as coisas são e aconteceram pra mim em minha trajetória dentro dessa existência e fazer que acredito estar. caminhando pela doca, atravesso a Jerônimo Pimentel, e ia subir a Bernaldo Couto rumo ao Umarizal que era o bairro onde eu morava, na Rua Oliveira Belo, que começava mais lá pra cima. Quando eu ia entrando na rua algo me impede de ir e me empurra para a Diogo Móia... Eu atravessei a rua então a já ia pra Diogo Móia quando eu comecei a refletir de por quê eu estava sendo empurrado pra lá, e decidi voltar. girei nos calcanhares e falei em voz alta: - Por que não vou pela Bernaldo Couto? E dei três passo em direção, quando algo de novo me força... Eu não sei explicar bem, mas algo girou meu corpo me colocou de novo de frente pro caminho da Diogo Móia. Decidi não teimar e segui, dobrei a diogo móia... rua palalela à bernaldo couto. Minha rua, a oliveira belo f**a entre essas duas, mas lá pra cima. Então, caminhando pela diogo móia, passando onde era o antigo Miléo, ainda na calçada, antes de comprar o prédio na frente, bem perto do primeiro prédio naquele quarteirão... eu me deparo com R$50,00 no chão. Eu saltei pra trás, com uma sensação de formigamento , milhares de pensamentos passando pela minha mente e eu ali... estarrecido. E agradecido, e pensando no que fazer com o dinheiro, andei de uma lado pro outro, falando alto: vou comprar isso... vou fazer aquilo... já sei... vou... Parei, respirei, meu estomago roncou, e eu disse... - Vou tomar é um bom café da manhã... e saí em busca de uma padaria, e esse dia não pararia por aí... mas o resto f**a para outro conto. Quem sabe uma parte 2. Só sei, que esse dia marcou a minha entrada no mundo da música eletrônica, e em seguida da cultura psytrance que vi nascer aqui na minha região... E acho melhor eu registrar essas coisas antes que sumam da minha memória.
Tohany Skywalker. 23/09/2024