25/05/2015
A presente dissertação traz uma análise da obra Don Juan (narrado por ele mesmo), do autor austríaco Peter Handke, ainda pouco divulgado no Brasil, mas de expressiva notoriedade na Europa. A temática Don Juan sendo abordada por um escritor conhecido por atitudes polêmicas, bem como seu estilo literário incomum norteou a pesquisa na busca de elementos de verissimilhança com outras obras tratando do mesmo tema. Para contrapor-se à análise interpretativa utilizou-se as obras de Tirso de Molina, Molière e Mozart, por serem consideradas as mais conhecidas e significativas para o estudo do mito Don Juan. O trabalho está dividido em três partes, sendo que, inicialmente faz-se um breve histórico do mito Don Juan: sua conceituação, a inserção de Don Juan como mito, algumas interpretações polêmicas sob o ponto de vista de Mircea Eliade, Joseph Campbell, Ernst Cassirer, Ramiro de Maeztu, Gregorio Marañon, entre outros. A segunda parte traz uma síntese da vida e obras de Peter Handke, bem como a influência da Segunda Guerra em seu caráter, seus primeiros ensaios polêmicos, sua desconstrução do texto linguístico, sua obsessão pelas reflexões causadas pelas leituras, seu amor à linguagem, sua preocupação em mostrar o modo como ele vê o mundo através da linguagem. Num terceiro momento, são demonstradas as técnicas estilísticas usadas pelo autor, como o intenso uso das repetições, sua relação com as paisagens e os recursos metafóricos que irão se constituir nos elementos de semelhança com as obras de Tirso, Molière e Mozart. Na última parte, apresentam-se os principais aspectos levantados no estudo que comprovam a tese inicial de que Don Juan (narrado por ele mesmo) retoma o mito e renova-o através do estilo irreverente e fantasioso de Peter Handke.