01/11/2025
Tanabata – A Lenda das Estrelas Apaixonadas
Entre os céus estrelados do Japão antigo nasceu uma das mais belas histórias de amor da mitologia oriental: a lenda de Tanabata, também conhecida como A Lenda das Estrelas Apaixonadas. Esta narrativa, de origem chinesa, mas profundamente enraizada na cultura japonesa, fala de amor, separação e esperança — temas universais que, há séculos, continuam a comover quem ouve o seu enredo.
Conta-se que, há muito tempo, vivia no céu uma jovem deusa chamada Orihime, filha do poderoso deus celeste Tentei. Orihime era tecelã das nuvens e das estrelas, e todos os dias passava horas à beira do rio celestial Amanogawa — o que os humanos conhecem como a Via Láctea — tecendo roupas de luz e de seda divina para o seu pai. As suas criações eram tão belas e delicadas que iluminavam o firmamento. Contudo, por mais que se dedicasse ao seu ofício, Orihime sentia-se profundamente só.
Vendo a tristeza da filha, Tentei decidiu apresentá-la a um jovem e diligente pastor de estrelas chamado Hikoboshi, que vivia do outro lado do Amanogawa e cuidava dos rebanhos celestes. Quando os dois se encontraram, foi amor à primeira vista. Orihime e Hikoboshi tornaram-se inseparáveis — riam, sonhavam, e passavam os dias juntos, esquecendo por completo os seus deveres celestiais. Orihime deixou de tecer, e Hikoboshi abandonou os seus rebanhos, que se dispersaram por todo o firmamento, causando grande desordem no céu.
Irritado, Tentei decidiu puni-los. Separou os amantes, colocando cada um numa margem oposta do rio celestial, proibindo-os de se ver. Orihime chorou tanto que as suas lágrimas formaram chuvas que caíam sobre a Terra. Comovido pela dor da filha, Tentei acabou por permitir que os dois se encontrassem uma vez por ano, na sétima noite do sétimo mês, desde que cumprissem as suas tarefas com diligência.
Nessa noite, diz a lenda, um bando de pega-rabudas (aves sagradas) forma uma ponte com as suas asas sobre o Amanogawa, permitindo que os amantes se reencontrem. Contudo, se chover nesse dia, o rio torna-se demasiado turbulento, e as aves não conseguem formar a ponte — então, Orihime e Hikoboshi têm de esperar mais um ano para se ver. Por isso, as pessoas dizem que, quando chove no dia de Tanabata, são as lágrimas dos amantes separados que caem do céu.
Com o passar dos séculos, esta lenda transformou-se num dos festivais mais queridos do Japão, o Tanabata Matsuri que tem o significado de "Festival das Estrelas" ou "Festival da Noite do Sétimo (mês)".
Durante o festival, celebrado em várias regiões do país, as pessoas escrevem desejos e sonhos em pequenos pedaços de papel colorido chamados tanzaku, que depois penduram em ramos de bambu, como oferenda às estrelas. As ruas enchem-se de decorações coloridas, e o céu é iluminado por lanternas, simbolizando a esperança de que, tal como Orihime e Hikoboshi, também os sonhos humanos possam, um dia, concretizar-se.
Mais do que uma simples história de amor, Tanabata é uma metáfora poética sobre a distância, o tempo e a perseverança. Ensina que o amor verdadeiro resiste à separação e ao sofrimento, e que, mesmo diante dos obstáculos, a esperança mantém viva a ponte que une dois corações — assim como as estrelas Vega (Orihime) e Altair (Hikoboshi) continuam, eternamente, a brilhar nos céus de verão, separadas pela Via Láctea, mas unidas pela promessa de um reencontro anual.
Uso e Significado Cultural
• Festival Tanabata: Durante este festival, é costume amarrar os tanzaku em ramos de bambu. Acredita-se que, ao fazer isso, os desejos escritos neles se realizem, inspirados na lenda dos amantes separados (as estrelas Orihime e Hikoboshi) que só podem se encontrar uma vez por ano.
• Simbolismo das Cores: Os tanzaku têm cores diferentes, e cada cor simboliza um tipo de desejo específico:
Branco: Paz.
Amarelo: Dinheiro ou prosperidade financeira.
Verde: Esperança ou crescimento.
Vermelho/Rosa: Paixão ou amor.
Azul: Proteção dos céus ou saúde.
• Cerimônia: Após o festival, os tanzaku são frequentemente queimados em uma cerimônia xintoísta para que os desejos cheguem aos céus (e a Orihime, na lenda) na forma de fumaça e sejam atendidos.