O Exu do Raul, trabalha as temáticas do candomblé e da umbanda e as transporta para o território híbrido da música brasileira. Desenvolvendo uma pesquisa semiótica sobre o híbrido em música e sobre a herança rítmica suscitada pelas mais diferentes regiões africanas e seu folclore, expõe a forte influência de tais ritmos na criação da música popular brasileira. Buscando resgatar aspectos legitimado
res da cultura afro-brasileira, o Exu do Raul teatraliza no palco cânticos, mantras e pontos do repertório dos terreiros brasileiros, incitando reflexão crítica e catarse dionisíaca. O rock-candomblaico do Exu do Raul se inspira no compositor Raul Seixas por seu experimentalismo, e realça o hibridismo em composições dotadas de respeito e festividade, numa reverência à força da miscigenação cultural, mostrada como verdadeiro sincretismo musical, embalado a jongo, maracatu, capoeira, coco, ciranda, entre outros. O exu nesta quizomba musical, assume seu papel de profeta mensageiro, aliando-se às figuras dos orixás, caboclos e tantas outras personagens do imaginário popular, das metrópoles às cercanias agrestes mais hermas e longínquas. A religiosidade em si, não cabe a nós discuti-la, isso nos levaria a pontos de vista individuais. Acreditamos que a experiência do religare (ligação com o alto) pertence ao caminho de cada indivíduo e não a uma única verdade impositiva. E àqueles que não acreditam no exu como proposta estética f**a o convite para conhecer o terreiro híbrido criado por ele, um terreiro que congraça tolerância, respeito, não preconceito, e sobretudo muita, muita festa. Saravá a arte do Brasil polirítmico, miscigenado e igualitário!