A exposição (Re)Conhecendo a Amazônia Negra, da fotógrafa Marcela Bonfim traz obras que ilustram as mais diversas identidades e culturas presentes entre os povos negros do local e a importância social das religiões de matriz africana na construção do Brasil. As obras que trazem de maneira sensível e original as mais diversas expressões dos grupos que residem na região norte do país, dentre eles re
manescentes quilombolas, afro-indígenas, barbadianos e também haitianos. Todos carregam em seus traços as heranças socioculturais de uma parcela importante da população brasileira que ainda não é reconhecida historicamente. As fotos foram produzidas a partir de 2013, durante as visitas de Marcela a comunidades quilombolas, tradicionais, indígenas e urbanas, além de terreiros e festejos religiosos na região do Vale do Guaporé (RO), em um processo que coincidiu com o próprio reconhecimento da fotógrafa enquanto mulher negra. Nesta edição, a exposição traz também imagens do Mato Grosso (MT), Maranhão (MA) e Pará (PA). Segundo Marcela, a proposta é utilizar a fotografia como instrumento de resgate da memória dessas populações e mostrar sua importância e legado para a construção da sociedade brasileira.
“Mais que fotografia, o aspecto fundamental da proposta é a crítica ao percurso da história oficial sobre a negritude brasileira. Apesar do importante papel que os negros desempenharam e ainda desempenham para o desenvolvimento econômico, cultural e social do país, há mais de 500 anos, ainda padecem com as ambiguidades e injustiças causadas inicialmente pela seletividade das informações contidas nos livros de história e demais registros de memória, o que é um projeto de degradação e inferiorização destas populações, dos seus costumes e cultura”, aponta. A mostra faz um verdadeiro mergulho na cultura e subjetividade dos povos negros da Amazônia, trazendo histórias de vida e também de expressões religiosas de matriz africana. Sobre os povos negros na Amazônia
A população negra amazônica foi constituída a partir de 1750 com o povoamento do Vale do Guaporé - que f**a entre a Floresta Amazônica e Pantanal - por negros escravizados vindos de Vila Bela da Santíssima Trindade (MT), em decorrência do ouro e da construção do aparato colonial de defesa militar “Forte Príncipe da Beira”. A partir de 1870, outras migrações negras, principalmente do Pará e do Maranhão, chegaram à região para a extração da borracha e de minérios e metais preciosos nos períodos conhecidos como “Ciclo do Ouro” e “Ciclo da Borracha”. Entre 1873 e 1912, trabalhadores barbadianos contribuíram com mão de obra qualif**ada para a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Esse foi considerado o primeiro fluxo migratório livre negro no Brasil e foi um elemento importante, principalmente, nas áreas da saúde, da educação e da religiosidade. E, a partir de 2011, imigrantes negros haitianos passaram a habitar a região norte e se espalhar pelo Brasil após fluxo migratório que ocorreu por conta dos desastres e demais dificuldades que enfrentavam em seu país naquele momento. Sobre a fotógrafa Marcela Bonfim
Fotógrafa, Marcela Bonfim, 34, é formada em Ciências Econômicas (2008) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e é especialista em Direitos Humanos e Segurança Pública (2011) pela Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR). A fotografia entrou em sua vida no processo de resgate de sua identidade enquanto mulher negra, quando foi morar em Rondônia e entrou em contato com diferentes culturas, principalmente a dos barbadianos. Foi por meio das lentes que ela se aproximou das religiões de matriz africana e também de populações em situação de vulnerabilidade, fazendo de seu trabalho um espelho para si mesma. Ficha Técnica
Produção: Avangi Cultural
Artista: Marcela Bonfim
Produção Executiva: Amanda Prado
Projeto Expográfico: Aline Arroyo
Montagem: Ladun Produção e Montagem
Projeto Gráfico: Bárbara Batista
Textos: Ana Aranda, Amanda Prado e Monica Cardim
Tradução para o inglês: Denise Cooke
Registro: Tally Campos e Michele Saraiva
Curadoria Coletiva: Marcela Bonfim, Talita Ribizi, Aline Arroyo e Michele Saraiva
Classif**ação indicativa: livre para todos os públicos