Poesias, trechos e frases

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Da solidão.- Neste trecho literário, Vinícius retrata o auge da solidão de forma melancólica em um ser que se entrega às...
23/08/2022

Da solidão.

- Neste trecho literário, Vinícius retrata o auge da solidão de forma melancólica em um ser que se entrega às tristezas da vida e nela prefere se isolar de todas as formas de sentimento compartilhado por medo que as feridas já existentes se agravem.

"A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.

A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.

O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre."

- Vinícius de Moraes

Presságio.Fernando Pessoa, neste pequeno poema, fala sobre o amor, sobre aquele amor que é difícil de revelar... O amor ...
22/08/2022

Presságio.

Fernando Pessoa, neste pequeno poema, fala sobre o amor, sobre aquele amor que é difícil de revelar... O amor tímido da pessoa que ama em silêncio.

"O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p’ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente…
Cala: parece esquecer…
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P’ra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
F**a sem alma nem fala,
F**a só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…"

- Fernando Pessoa

Leve é o pássaro:e a sua sombra voante,mais leve. E a cascata aéreade sua garganta,mais leve. E o que lembra, ouvindo-se...
02/06/2022

Leve é o pássaro:
e a sua sombra voante,
mais leve.
E a cascata aérea
de sua garganta,
mais leve.
E o que lembra, ouvindo-se
deslizar seu canto,
mais leve.
E o desejo rápido
desse mais antigo instante,
mais leve.
E a fuga invisível
do amargo passante,
mais leve.

Cecília Meireles

"Há algo dentro de mim que me leva pela mão para brincar, para conhecer o que continua vivo e belo além de toda e qualqu...
01/06/2022

"Há algo dentro de mim que me leva pela mão para brincar, para conhecer o que continua vivo e belo além de toda e qualquer gaiola, além dos meus tempos de muda. Algo que me mostra uma paz intensa e verdadeira. Que não me deixa esquecer que continuo a ter asas, mesmo quando eu não voo".

_Mia Couto

Uma luz clara ilumina tudo,Mas tem de haver mais.A vida me recolheuÀ segurança de suas asas,Minha sorte nunca falhou,Mas...
01/06/2022

Uma luz clara ilumina tudo,
Mas tem de haver mais.
A vida me recolheu
À segurança de suas asas,
Minha sorte nunca falhou,
Mas tem de haver mais.
Nem uma folha queimada,
Nem um graveto partido,
Claro como um vidro é o dia,
Mas tem de haver mais.

_Arseny Alexandrovich Tarkovsky

" A solidão em nada me assusta...  O que me assusta é a aglomeração humana tentando preencher seus corações vazios, sem ...
01/06/2022

" A solidão em nada me assusta...
O que me assusta é a aglomeração humana tentando preencher seus corações vazios, sem vida, com falsas companhias. "

_Friedrich Nietzsche

Uma luz clara ilumina tudo,Mas tem de haver mais.A vida me recolheuÀ segurança de suas asas,Minha sorte nunca falhou,Mas...
31/05/2022

Uma luz clara ilumina tudo,
Mas tem de haver mais.
A vida me recolheu
À segurança de suas asas,
Minha sorte nunca falhou,
Mas tem de haver mais.
Nem uma folha queimada,
Nem um graveto partido,
Claro como um vidro é o dia,
Mas tem de haver mais.

Arseny Alexandrovich Tarkovsky

"Dentro de cada um há o seu escuro. E nesse escuro só mora quem lá inventamos. Somos nós quem enchemos o escuro Com os n...
27/05/2022

"Dentro de cada um há o seu escuro. E nesse escuro só mora quem lá inventamos. Somos nós quem enchemos o escuro Com os nossos medos."

_Mia Couto.

_Cora Coralina
21/05/2022

_Cora Coralina

“Era preciso começar daí: céu.Janela sem encosto, sem moldura, sem vidraça.Abertura e nada mais, porém muito bem aberta....
16/05/2022

“Era preciso começar daí: céu.
Janela sem encosto, sem moldura, sem vidraça.
Abertura e nada mais, porém muito bem aberta.
Não preciso aguardar a noite amena:
nem levantar a cabeça
para perscrutar o céu.
Tenho céu atrás de mim, sob as mãos
e debaixo das pálpebras.
Estou enredada de céu
e isto me exalta.
Nem as montanhas mais altas
Estão mais próximas do céu
que os vales mais profundos.
Nao há mais céu num lugar
do que em outro.
A nuvem está atada ao céu
indiferente como o túmulo.
A toupeira é tão feliz
quanto a coruja que abre as asas.
O objeto que cai no precipício
cai do céu no céu.
Partes poeirentas, léquidas, montanhosas,
passageiras e queimadas do céu, migalhas do céu,
brisas de céu e montes.
O céu é onipresente
até nas trevas sob a pele.
Devoro o céu, rejeito o céu.
Estou com armadilhas na armadilha,
com o habitante instalado,
com o abraço abraçado,
com a pergunta presente na resposta.
A divisão entre céu e terra
não foi pensada de forma adequada
a respeito desta unidade.
Permite até que se sobreviva
no endereço mais exato,
que pode ser achado mais depressa
se me procurarem.
Os meus sinais característicos são
o arrebatamento e o desespero.”

_Wislawa Szymborska — ‘Céu’, In: ‘Antologia de 63 Poetas Eslavos’.

"Só quando a gente perde o chão, a gente descobre que tem asas."_Alessio di Pascucci.
10/05/2022

"Só quando a gente perde o chão, a gente descobre que tem asas."

_Alessio di Pascucci.

(...) A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando um...
09/05/2022

(...) A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda f**a satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Crônica publicada em 1972 no Jornal do Brasil.

Marina Colasanti nasceu em 1937 em Asmara (capital da Eritreia).

Endereço

Rio De Janeiro, RJ

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