16/05/2025
Carta aberta ao meu saudoso Mestre Curió – 16 anos de saudade
Como lidar com a falta de alguém tão importante?
Hoje completo 16 anos de saudade do meu Mestre Roberto Francisco de Noronha – o nosso eterno Mestre Curió. Um capoeirista que a Capoeira me deu.
Pequeno no tamanho, imenso em sabedoria.
Mestre de corpo, alma e coração.
Ele me ensinou Capoeira, suas tradições, o respeito, o amor ao próximo e, sobretudo, a humildade. Essa última era seu maior símbolo. Não precisava levantar a voz para ser ouvido – sua sabedoria falava por si. Tinha um coração gigante, sempre pronto para ajudar, estender a mão e cuidar dos seus como um verdadeiro pai. Muitos encontraram nele não só um mestre, mas um abrigo.
Já se passaram 16 anos, e é essa saudade que o mantém vivo dentro de mim. A ausência física é inevitável, mas o que ele deixou... ah, isso é eterno.
Ele não foi apenas meu Mestre. Foi também um pai, um conselheiro, um guia, um exemplo de vida. Sua presença era firme e acolhedora, como só os grandes sabem ser. Mestre Curió era pequeno no corpo, mas gigante em tudo o que fazia — especialmente na Capoeira, onde sua alma se engrandecia e se espalhava em cada ginga, cada canto, cada ensinamento.
Com ele, aprendi muito mais do que movimentos. Aprendi fundamentos, valores, tradições. Aprendi respeito e humildade. Ele não precisava se impor — bastava ser. Sua essência já dizia tudo.
Hoje, ao lembrar dele, não sinto apenas saudade. Sinto gratidão. Por tudo que vivi ao seu lado, por tudo que ele me ensinou, por tudo que me tornei a partir do que ele foi. Sou um privilegiado por ter sido moldado por suas palavras, por sua história, por seu exemplo.
Que a memória do Mestre Curió continue nos inspirando todos os dias.
Seguimos firmes, cultivando a capoeira raiz, com orgulho do nosso Grupo Capoarte, criado por ele. Aqui seguimos na resistência à sua história.
A sua força, sua verdade. Que sua humildade siga como bandeira para todos que um dia se aproximarem da roda. O seu legado Mestre será apenas lembrado, mas vivido.
Porque enquanto houver memória, haverá presença.
Enquanto houver roda, haverá Curió.
E enquanto houver quem o ame, sua luz continuará brilhando.
Com respe