12/08/2026
XANGÔ E MÃE ANINHA — A FORÇA QUE O TEMPO NÃO APAGA
Hoje eu terminei esta pintura com a sensação de que não estava apenas concluindo uma obra. Estava fechando um encontro entre passado e presente.
De um lado, Xangô, senhor da justiça, do fogo, do trovão e da palavra que não se curva. Do outro, Mãe Aninha, mulher de força, coragem e visão, uma das grandes responsáveis por manter viva a tradição do Candomblé e por erguer, em 1910, o Ilê Axé Opô Afonjá, em Salvador. Sua história também atravessou o Rio de Janeiro, onde fundou uma casa de Xangô e deixou marcas profundas na história do Candomblé.
Pintar Mãe Aninha é, para mim, pintar uma mulher que veio antes. É olhar para uma ancestralidade que enfrentou perseguições, preconceitos, silenciamentos e ainda assim permaneceu de pé. É lembrar que muito do que hoje podemos celebrar, conhecer e expressar foi sustentado pelas mãos de mulheres e homens que não permitiram que sua fé, sua cultura e sua memória fossem apagadas.
Nesta tela, não quis apenas representar personagens. Quis representar presença. Quis que o vermelho tivesse o calor do fogo de Xangô. Que o dourado lembrasse a força do sagrado. E que Mãe Aninha estivesse ali não como uma figura distante da história, mas como alguém que ainda nos olha e nos pergunta:
“O que você fará com a memória que recebeu?”
É por isso que eu pinto. Porque algumas histórias não podem ser esquecidas. Alguns nomes precisam continuar sendo pronunciados. E algumas ancestralidades precisam continuar encontrando novas formas de existir. Esta é a minha maneira de reverenciar. De pesquisar. De aprender. De sentir. E de transformar memória em arte.
Que Xangô nos ensine justiça. Que Mãe Aninha nos ensine coragem. E que a ancestralidade continue encontrando caminhos para falar através de nós.
Axé. ⚡🔥
Obra autoral — A. J. Romani - O Artista do Sagrado