09/07/2025
O diabo come pizza (mas vc quem paga)
*Com leves spoilers – e muito orégano
Estamos mesmo na era do entretenimento, onde a cultura pop ( indústria cultural disfarçada) ganhou e segue colocando na mesa (tela. Prateleira. Vitrine) seus produtos.
E se é indústria, não é de se esperar outra receita. No duelo forma X conteúdo, a “tiktokerização” das coisas ditam o fluxo e o sabor das coisas.
Coração de ferro é um pouco disso. A Marvel/Disney, apresenta um produto que a gente já tava acostumado a consumir (e a pedir?) e joga leve para não perder clientela nem abrir espaço para a concorrência. E dá certo.
A minissérie da Coração de Ferro segue toda a receita Marvel: pega uma personagem do time B (quem lembra da Eco?), coloca a fórmula pra trabalhar (e não é mais a fórmula da Coca-Cola) e trás uma minissérie bem bacana, voltada para o público mais adolescente, além de botar mais uma peça em seu novo quebra-cabeça, que, na moral, nem eles sabem onde vai dar.
O elenco é bacana, as atuações ajudam e algumas questões colocadas no roteiro, como o debate da ética no uso da IA, seguram quem assiste. O debate ali, beirando o religioso, nos faz pensar, junto com o contraponto feito ao poder econômico, numa espécie de paródia do mundo real ao universo do Tony Stark, que ainda é o mesmo molho que a Marvel utiliza em quase todas as suas receitas.
E falando em receita, novo momento da empresa, que francamente não se sabe qual é, parece indeciso. Apesar de bem bacana, faltou tempero. Capuz, personagem que oferece uma grande oportunidade de se trabalhar o terror, o drama, a ação e temas mais adultos, ficou devendo, e a série em si não consegue apresentar nada de novo, e mesmo os acenos para questões relevantes, como a violência nas periferias e o próprio racismo estrutural, são colocados ali mais como um produto do que algo realmente central.
Nesse sentido, o nome de um certo produtor, entra escancaradamente nesse cardápio para vender a marca “Ironhead”, que tava na gaveta fazia um tempinho, e não me parece que era para maturar o gosto, mas teve seu lançamento apenas para esvaziar a gaveta e ver no que dá pra ser feito, quando os antigos Chefs, aqueles que foram recontratados, voltarem. Só esperamos que não venham com comida requentada.
Ah! Detalhe: pra turma que gosta de caçar lacração (esse povo ainda existe?), trazer o tema da diversidade parece que tem sido algo (graças a Deusa!!) cada vez mais naturalizado entre o grande público.
Que bom! Parece que, reproduzir gente real nas grandes telas só incomoda ainda quem precisa ganhar like coçando o ego ou puxando a baixo alto estima de uma galera reacionária e ressentida, que precisa xingar nas redes sociais usando seus perfis falsos para xingar minorias. Esse miojo aí já tá com a validade vencida faz tempo.
Coração de Ferro é coisa pra tu assistir na hora do lanche ou depois do almoço e achar bacana o fato de que o capeta sempre paga a conta, mas (que clichê) quem f**a com problemas com a balança ou com o colesterol é quem exagera no pedido.
Texto de nosso amigo Clóvis Maia