31/03/2026
— Mano… tudo começou do jeito mais aleatório possível.
Eu tava de boa na Ordem dos Cavaleiros de Kruviratus Krum, quando o capitão, Cirvelon Clau, me chama.
Fui ver qual era… e o cara tava fazendo um bolo de frutas vermelhas.
O capitão é um homem negro, cabelos grisalhos caindo em mechas pesadas, cavanhaque trançado com fios e adereços de ouro, argolas douradas nas orelhas… e um corpo tão musculoso que era como se dois bodybuilders tivessem sido fundidos num só ser.
— …e tudo em perfeita calma.
— Um monge… que poderia dobrar o mundo no intervalo.
Sem me olhar, ele ergueu a colher e disse:
— “Jovem Edgar… uma fenda se abriu nos campos de Maceió. Leve o caos de volta ao silêncio.”
Colocou o bolo no forno e completou:
— “Ao regressar… haverá repouso. E leite fresco.”
— Irmão… promessa de bolo? Eu fui na hora.
Cheguei no tal galpão… e, mano… QUE CENA.
Portal aberto no chão, brilhando igual rave de outra dimensão. O monstrão já tava ali, gigantesco, com aquele shape de quem malha ódio há séculos…
— …e mastigando.
Do lado, um senhorzinho ajoelhado, chapéu na mão, gritando com o coração partido:
— “EUSTÁQUIO, NÃO!!! DEVOLVE MEU BODE, DESGRAÇADO!!!”
— Sim. O monstro já tinha engolido o bode.
— Nome: Eustáquio.
— Status: lenda.
Mas calma… piora.
A esposa do cara rodava em volta da criatura, descendo a vassoura sem dó:
— “COSPE AGORA, INFERNO!
Um padre jogava água benta… com um regador de planta:
— “SAI DEMÔNIO! EM NOME DE—… Eustáquio… pobrezinho… VOLTE PRO ABISMO DA DANAÇÃO, MALÉFICO!”
E um policial gordão, suando igual tampa de panela, tentava algemar o MONSTRO:
— “FICA PARADO! ISSO É DESACATO À AUTORIDADE!”
— O monstro só mastigava Eustáquio.
Nessa hora… eu quase fui de base.
— De rir.
Mas aí o portal pulsou mais forte. A energia começou a rachar o chão. Se aquilo explodisse, não ia sobrar nem o galpão… nem o Eustáquio (que, sejamos sinceros, já tava em situação crítica há alguns minutos).
— Suspirei, estalei o pescoço… e puxei minha relíquia favorita: minha colher da caveira.
— “Ok… acabou a comédia. Agora é minha vez.”
Flutuei, puxei a energia do portal… e a colher começou a brilhar como se tivesse pessoalmente ofendida com aquela bagunça dimensional.
O monstrão avançou. Eu só desviei… e toquei.
— Não é força, mano… É estilo.
A energia colapsou, o portal começou a se fechar e o bicho foi se desfazendo igual sombra no sol.
— POF.
Silêncio. O galpão inteiro parou.
Todo mundo me olhando.
— Eu até pensei em explicar.
Mas, né…
Passei a mão no ar…
— apagão geral. Memórias zeradas.
Agora eles acham que só tiveram um dia estranho com um bode fujão, um padre emocionado e um policial fora de forma.
Missão concluída.
— E eu?
Voltei voando.
Porque, irmão… se tem uma coisa mais importante que salvar dimensões…
— É não deixar o bolo de frutas vermelhas esfriar.