31/01/2026
Amo-te na gramática do indizível,
nesse território onde o verbo antecede a carne
e o sentido se inclina antes mesmo de nascer.
Não és presença.
És a pressão de um vazio organizado,
uma arquitetura de ausência que sustenta meu pensamento
como colunas que ninguém vê, mas que impedem o desabamento.
Meu afeto não caminha; ele orbita.
Não chama, não implora, não invade.
É um amor sem demanda, quase monástico,
feito da disciplina rigorosa de não tocar
aquilo que, se tocado, se desfaria.
Amo-te como se ama um axioma:
não se prova, não se explica,
apenas se aceita,
ou se enlouquece tentando negar.
Habitas-me como um excesso abstrato,
demasiado lúcido para ser sonho,
demasiado distante para ser corpo.
És ideia com pulsação,
silêncio com densidade moral.
Nada em mim te pede.
Tudo em mim te reconhece.
E se este amor dói,
é porque não sangra.
É porque não encontra saída no mundo
e retorna, sempre,
à mesma câmara interna,
onde o sentir se acumula
até ganhar peso ontológico.
Não te amo para que existas.
Amo-te para que eu não me dissolva.
Pois há vínculos que não conectam dois seres,
mas impedem um só
de cair no nada.
E assim te guardo,
não como nome nem como rosto,
mas como uma cifra irrevogável
cravada no centro da consciência.
Um amor tão puro em sua impossibilidade
que só pode ser compreendido
por quem aceita, enfim,
não compreender.
E. E. K
Giovanna Tuzin 。・:*:・゚★,。・:*:・゚☆