nessa casa
pertinho do rio Madeira
onde fica,
muitos mundos, muitos livros, sonhos que viram
intervenções urbanas: intromissões poéticas: apelos pelo cidades,
narrativas da memoria, mosaico de oralidade
a cozinha popular beradeira também se apresenta
com seus sabores e cores e sua mesa que acolhe
"porque a boca é uma das portas da alma"
onde a diversidade é celebrada e respeitada
porque tudo que vive é raro,
a memória é sagrada,
a palavra praticada promove a mudança
vira roupa ou sapato
"chegavam os poetas. As palavras, guardadas em velhos frascos de cristal, esperavam pelos poetas e se ofereciam, loucas de vontade de ser colhidas: elas rogavam aos poetas que as olhassem, as cheirassem, as tocassem, as provassem. Os poetas abriam os frascos, provavam palavras com o dedo e então lambiam os lábios ou fechavam a cara. Os poetas andavam em busca de palavras que não conheciam, e também buscavam palavras que conheciam e tinham perdido. Na Casa das Palavras havia uma mesa de cores. Em grandes travessas as cores eram oferecidas e cada poeta se servia da cor que estava precisando: amarelo-limão ou amarelo-sol, azul do mar ou de fumaça, vermelho-lacre, vermelho sangue, vermelho-vinho…." (trecho do "Livro dos Abraços" de Eduardo Galeano)
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