21/12/2025
Praça da Polícia_Década de 1940 - Flagrante capturado nos jardins da histórica "Praça da Polícia", então denominada oficialmente Praça João Pessoa, e, desde 1953, Praça Heliodoro Balbi. Na imagem, capturada na década de 1940 e extraída de um álbum de família, vemos três graciosas moças e duas crianças posando para o fotógrafo diante do belíssimo coreto de ferro ao centro da praça. São elas, da esquerda para a direita, as jovens Ida, Cordélia e Alda Carioca, filhas do casal João e Isaura Carioca, e sobrinhas-netas do cearense Manoel Vicente Carioca, um dos maiores seringalistas do Amazonas durante o Ciclo da Borracha, proprietário de nada menos que 25 seringais espalhados ao longo da calha do Rio Juruá e de seus afluentes, no sudoeste do estado. As crianças, identificadas na foto original como Moacir e Isaura, são sobrinhos das moças, filhos de um irmão (ou irmã) das três.
Ao longo de mais de um século, os jardins à francesa da Praça da Polícia - constituídos a partir da grande reforma do logradouro, empreendida entre 1906/1907 pelo então prefeito, Adolpho Lisboa - serviram de cenário para inúmeras fotografias de crianças, jovens, casais e famílias, capturados pelos fotógrafos ambulantes (os chamados "lambe-lambe") que exerciam sua profissão ao ar livre, oferecendo diariamente seus serviços aos transeuntes que, despreocupadamente, flanavam nas horas finais da tarde pela pelas principais praças e avenidas de Manaus. Profissionais anônimos, na maioria dos casos, mas que contribuíram com sua arte para enriquecer dezenas de álbuns de retratos e infinitas memórias de gerações de manauaras, por décadas a fio.
Destaques: O projeto paisagístico da Praça da Polícia é de autoria do botânico e paisagista francês Oscar Lebroy, que a concebeu nos moldes de um bosque natural, com canteiros sinuosos sombreados por frondosas árvores e arrematados por um lindo espelho d´água cruzado por uma ponte de alvenaria tratada à moda rústica, a fim de imitar troncos de madeira. O coreto, assim como o pequeno chafariz do lago e o grupo escultórico da praça, composto por três estátuas representando figuras da mitologia greco-romana e um javali em luta com um cão, são verdadeiras obras e arte e foram todos importados da França, sendo peças extraídas do catálogo da célebre fundição Val D´Osne, uma das maiores indústrias de objetos decorativos em ferro, ativa entre o final do século XIX e a primeira metade do século XX. São relíquias de um tempo de riqueza e de bom gosto, e, como tal, devem ser sempre objeto de zelo e de respeito por parte da Municipalidade e dos munícipes.
FONTE: Manaus Sorriso. Fotografia contida no livro "Nossas Raízes" (Premius Editora, 2014), de autoria de Greice Maria da Fonseca Carioca, que aborda as origens da família da autora.