Leve como a taruíra, grudada na parede do mundo com arte, afeto e presença. "Quem Somos?"
Por Edson Teles e Welton Santos
A pesquisa musical e a performance artística inspiradas na cultura popular brasileira são o motor criativo deste grupo multiartístico. Entre a formação cultural e a arte-educação, entre o palco e o chão da vida, nosso trabalho se estrutura em uma miscelânea de linguagens que
entrelaçam arte e entretenimento, tradição e invenção. Cantamos histórias, contamos canções. Nos reinventamos a cada passo, nos redescobrimos em cada som, cada gesto, cada palavra dita ou dançada. O Bando de Taruíra é, acima de tudo, um resgate de nós mesmos — de nossas raízes, das memórias familiares, das vivências que nos atravessam. Enquanto experimento cênico-musical, a taruíra é nossa metáfora viva. Corpo leve e atento, tonicidade sutil, presença que se adapta e adere — como ela, transitamos por superfícies diversas com equilíbrio, escuta e flexibilidade. A taruíra nos inspira em seu modo de estar no mundo: silenciosa, ágil, colada à pele da vida. Nos encontramos, assim, na encruzilhada onde habitam a música, a dança, o teatro, a contação de histórias e as tradições orais. Esse é o nosso território: um corpo coletivo em constante invenção, onde arte é gesto, voz, afeto e memória.
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"Nossa História"
Por Edson Teles
Poeticamente falando, as lagartixas domésticas — ou melhor, as taruíras — são migrantes silenciosas da noite. Criaturas que cruzaram oceanos agarradas ao destino dos homens, vieram escondidas nos porões das grandes embarcações coloniais e hoje habitam as paredes das nossas casas. São testemunhas de uma história entre continentes, sussurrando memórias antigas com o bater de suas patinhas miúdas. A verdade é que elas têm um certo carisma. Com aquelas carinhas que parecem sorrir para a gente, vivem discretamente pelos cantos. São caçadoras de pragas, mestres da camuflagem, silenciosas...
Mas não se engane: são boêmias inveteradas, criaturas da noite. Passam o dia fingindo calma e, ao cair do escuro, se fazem presença ativa, dançando nas frestas como se o mundo fosse um palco. O nome “Taruíra” nasceu de uma brincadeira em casa. Era piada entre eu, Edson, minha namorada Amanda, e minha filha caçula, Aimê. A palavra tem som engraçado, redondo — e virou apelido recorrente até nos assumirmos: viramos “taruireiros”. De tanto brincar, virou identidade. Em maio de 2025, recebi o convite do produtor e folclorista Diego Dionísio, da TáDito Produções, para uma apresentação na Virada Cultural. Convidei meu amigo de estrada Valmir Quinto e minha namorada Amanda Petri para criarmos, juntos, o espetáculo "Ciranda de Mundaréu" — título sugerido pelo próprio Dionísio. Misturamos música, dança e contação de histórias em cena. E assim, no dia 24 de maio de 2025, na Biblioteca Cora Coralina, em Guaianases (SP), nasceu oficialmente o Bando de Taruíra. Os outros integrantes foram se achegando ao grupo por afinidades afetivas, musicais, artísticas, etc.