04/04/2017
Nosso repudio ao desserviço que é esse !!!
Nota de repúdio à discriminação a pessoas que vivem com HIV-AIDS no Big Brother Brasil e na sociedade brasileira.
A Rede de Jovens São Paulo Positivo, movimento social estadual que pauta as lutas por direitos de adolescentes e jovens que vivem com HIV no Estado de São Paulo, vem a público manifestar repúdio às declarações do participante Marcos, do reality show Big Brother Brasil, feitas na noite do dia 03 de abril, em que ele classifica outro membro do programa, Daniel, como portador de "AIDS", por ele estar magro (e por ele já ter comentado, anteriormente, que o tal membro não "gosta de mulheres").
Declaração que não leva em consideração os avanços da medicina, a separação entre o que é viver com HIV e estar com a AIDS desenvolvida, e não leva em consideração a falta de respeito (e até crime) que é você julgar, inventar, questionar ou expor publicamente a condição sorológica de alguém - seja essa pessoa soronegativa ou soropositiva.
Já não nos basta, enquanto pessoas que vivem com HIV, lidar com o preconceito e o estigma diário, com a vulnerabilidade social. Já não nos basta ter tido a última campanha do Ministério da Saúde lançando dados epidemiológicos das pessoas que tem HIV e não se tratam ou não sabem, com o intuito de culpabilizá-las exclusivamente pelo aumento da epidemia no Brasil. Já não é suficiente a precarização do SUS e do desmonte da resposta brasileira à epidemia de HIV-AIDS e do Departamento de ISTs, AIDS e Hepatites Virais - por cortes de orçamento e por fim da destinação de verbas para as áreas específicas, deixando ao bel-prazer dos prefeitos fazerem o que quiser com a verba federal para a saúde. Não basta termos Centros de Testagem e Aconselhamento - CTAs - fechados pela gestão municipal de São Paulo.
NÃO É SUFICIENTE! Além de tudo isso, do preconceito diário às pessoas vivendo com HIV, e dos outros preconceitos estruturais da sociedade, tais como o racismo, o machismo e a LGBTfobia, ainda temos que lidar com um membro de um programa que tem ampla audiência a discriminar ainda mais, em rede nacional, esta população. Ele deveria saber de seu poder de fala numa TV aberta, sobretudo por ser médico.
Foram anos de luta para que os soropositivos parassem de ser chamados oficialmente de "aidéticos" - e dizemos oficialmente, porque no senso comum ainda somos chamados assim, nessa discriminação que sim, ainda MATA! Por isso reafirmamos o nosso repúdio - que se estende a tudo o que foi relatado de perda de direitos na nota.
São Paulo, 04 de abril de 2017
REDE DE JOVENS SÃO PAULO POSITIVO.