26/01/2017
Essa mocinha do desenho, para quem não conheceu, se chamava Madona. Claro que ela só era chamada assim quando fazia arte - essa carinha pede apelidos muito mais constrangedores (o mais comum, 'pirirics', talvez uma junção de apelidos carinhosos que eu desconheço).
Ela veio de uma adoção: após verificar que estava tudo nos conformes, ela decidiu adotar a mim e minha família. Certamente uma decisão difícil.
Acredito que para nós os cachorrinhos eram apenas animaizinhos legais e fofinhos que habitavam os quintais das casas.. Acho que foi isso que convenceu a Madona a nos adotar. Ela veio para mostrar como tudo era diferente.
A Madona começou nos escutando, logo logo nos compreendendo, deu umas aulas de amor, felicidade e fidelidade, e aos poucos desbravou novas fronteiras: antes só na sacada, depois podia ir até a sala, até que convenceu meus pais a dormir em todas as camas.
A Madona tinha diversas complicações de origem desconhecida, que faziam com que não pudesse ser tratada, somente cuidada. E cuidamos dela durante muitas madrugadas. Mas ela continuava sempre feliz, sempre ativa, espontânea.
Ela nos ajudou a superar traumas, infelicidades, cansaço. Respondia todas as nossas perguntas com suas bolitas brilhantes de enxergar.
Infelizmente ela, toda cheia de si como de costume, decidiu que o lugar onde ela morava já estava muito pequeno, e então optou por morar no céu.
Ela deixou lembranças muito doces, e um grande aprendizado sobre a alma dos animaizinhos. Eu nunca mais olhei para um cachorrinho como um animal fofo de quintal, agora eu sei que possivelmente tem mais alma neles que em muita gente, e que não possuem defeitos, apenas educação.
A mudança escrita parece não ser grande, mas certamente muitos de vocês já passaram por isso, já adotaram um anjo e tiveram suas lições. Eu passei a ser uma pessoa mais bondosa, amável, carismática, e isso veio de um anjo que decidiu passar alguns poucos anos comigo.
A Madona foi uma lição de moral, e um símbolo de tudo que há de bom nesse planeta. Se perpetuou nas lembranças da minha família, e agora também em uma folha de papel, para que sua imagem se mantenha sempre viva em nossos corações, nos lembrando do modelo de humano que precisamos ser.