03/03/2026
As luzes se apagam, um foco de luz é projetado, as cortinas se abrem, o silêncio paira, a atenção se concentra e, enfim, o espetáculo se inicia. Talvez, para alguns, isso seja um mero precursor de algo que vai começar, mas, para outros, é sinônimo de vida, de existência. Para aqueles cuja arte pulsa no coração, corre nas veias e transborda no corpo, o espetáculo é quase uma continuidade de si mesmo. Não há como pensar em tudo isso sem fazer referência à nossa querida e já saudosa Ana Carolina Brambilla Costa, que, no último dia 24 de fevereiro, estreou nos palcos da eternidade.
Ana não é apenas atriz, arte-educadora ou palhaça… Ana e Cultura se fundem numa amálgama tão potente que reverbera mesmo quando o contato com sua presença física já não é mais possível.
Ana é Galhofas.
Ana é ComCult.
Ana é política cultural.
Ana é fazedora cultural.
Ana é resistência.
Ana é essência.
Ana é luta.
Seria possível elencar muitas outras qualidades e atuações, mas essas já revelam sua singularidade e sua importância no cenário cultural descalvadense e em toda a região.
Você que leu até aqui percebeu que fizemos questão de usar o verbo no presente: Ana é. Isso foi intencional. Quando alguém constrói uma trajetória tão especial, a morte não é ponto final — é apenas a estreia em outro palco. Sua presença continua sendo sentida, vivida, lembrada, celebrada, aplaudida e eternizada na memória coletiva e nas ações que seguem inspiradas por sua coragem e generosidade.
E assim como no início de todo espetáculo, quando as luzes se apagam e um único foco ilumina o centro do palco, também agora, no silêncio que a ausência provoca, é a luz de sua história que permanece acesa. As cortinas podem ter se fechado para nossos olhos, mas em algum lugar o foco se acende novamente — e Ana, inteira como sempre foi, segue em cena, transformando eternidade em arte.