18/06/2026
LIVRE DE PADRÕES
Heterônimo
Não vou diminuir minha essência
pra caber na expectativa de ninguém.
Cansei de tentar me encaixar
em padrões que só machucavam minha autoestima
e me afastavam de quem realmente sou.
Hoje eu entendo:
não existe liberdade
enquanto a gente vive tentando merecer aceitação o tempo inteiro.
Quero ao meu lado
quem saiba enxergar além da aparência.
Quem compreenda minhas intensidades,
meus excessos,
minhas cicatrizes,
meus desejos
e até minhas contradições.
Sem preconceitos.
Sem tentativas de me moldar.
Sem essa necessidade absurda
de transformar pessoas reais
em versões mais agradáveis para os outros.
Aprendi a gostar da mulher que me tornei.
Da minha coragem.
Da minha sensibilidade.
Da minha mente inquieta.
Do meu corpo.
Da minha verdade.
E talvez isso incomode algumas pessoas:
uma mulher que não sente vergonha
de existir exatamente como é.
Já não me privo tanto.
Não me escondo.
Não me diminuo.
Não abandono meus desejos
pra parecer aceitável.
Hoje eu busco viver.
Sentir.
Experimentar.
Me permitir felicidade
sem carregar culpa por isso.
Porque prazer também é liberdade.
E amor-próprio
é quando a gente finalmente entende
que não precisa se odiar
pra ser amado pelos outros.
Então sigo assim:
maravilhosa por dentro,
intensa por natureza
e gostosa o suficiente
pra nunca mais pedir desculpas
por ocupar espaço no mundo.
Gilson Rodrigues
Instagram: