13/05/2022
FILHOS, AINDA ESTOU AQUI.
Quando eles pararam de me admirar?... Quando eles pararam de me respeitar?... Quando eles pararam de me precisar?... Quando foi que parei de ser sua he***na?... Seu esteio?... Sua fortaleza?... Quando deixaram de me escutar, me pedir ideias, conselhos ou palpites?... O tempo passou tão rápido que nem vi quando cresceram, amadureceram e levaram com eles, seu olhar de paixão e admiração. Foi quando voaram para suas novas casas e futuras famílias que deixei de os sentir?... Ainda não descobri, mas uma coisa eu sei, nunca mais eu os cobri. Nunca mais os coloquei para dormir. Nunca mais os alimentei e os banhei. Nunca mais sentaram a minha volta e suas histórias eu ouvi.
Minha mesa está vazia faz tempo e na minha casa não tem mais o ir e vir. Seus gestos de carinho não são mais meus. Seus beijos e abraços são raros e quase não posso sentir. Suas preocupações são apenas com minha saúde e minhas finanças. Se estou triste, isto não é coisa de mãe. Se estou doente, devia me cuidar mais. Se estou sem dinheiro, cuidado, devia gastar menos. Se viajo não se interessam pelo que vi. Se me estresso, não passo de uma fraca. Se dou muitas risadas, mãe vc está boba. Se bebo um pouco mais, cuidado você pode cair. Se me apaixono, devia me comportar. Se esqueço um pagamento, sua vida não sabe administrar.
Quando foi que passei a ser invisível e desnecessária?... Quando foi que deixei de ser importante e “ importável”. Quando foi que deixei de ser lembrada e precisada?... Quando foi que eu envelheci e deixei de existir?... Quando será que eu sumi do coração dos meus filhos que me deram tanto prazer e me encheram de amor quando pari?... Ainda não morri não, meus filhos, eu ainda estou aqui.
Crédito:
Claudia Grande (Projeto 60 anos)
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