19/04/2022
Lunda-norte, no reino do Muatyânvua
Quando Kundi, o sucessor de Iala Maku, envelheceu, a harmonia entre os povos lundas estremeceu. Quem seria o sucessor do velho Kundi? Um dos rapazes? – O Tchinguri ou o Tchinhama? - Ou a menina, Lweji, a mais jovem filha da segunda esposa? Dizem que os irmãos não se entendiam. Tchinguri era o mais afoito e Tchinhama o mais ponderado. Porém, numa tarde, os dois irmãos irromperam embriagados de vinho de palma pela tchota (palácio) do pai e maltrataram-no, ambos querendo sucedê-lo. O velho, meio cego, no seu leito de morte, amaldiçoou-os e logo ali avisou que nenhum deles seria o seu sucessor. Chamou os macotas (anciãos) e informou da sua decisão de entregar o poder a Lweji, meia-irmã de Tchinguri e Tchinhama. Iria agora começar na Mussumba (povoação) o império Muatyânvua, constituído que foi o casamento de Lweji, a nova rainha lunda, com o caçador baluba Tchibinga Ilunga.
Várias são as versões contadas sobre este império. Embora todas elas interessantes, optamos pela versão do engenheiro Sá Vicente, no livro A Lunda, os diamantes e a Endiama. Das várias conversas que tivemos com alguns mais-velhos da Lunda-Norte, sem querer meter a foice em seara alheia, apelamos aos historiadores que nos deixem romancear mais uma vez esta maravilhosa epopeia.
Assim que o velho Kundi morreu, Lweji recebeu o lukano (pulseira feita com tendões humanos que simboliza o poder) e de imediato é conduzida à chefia dos Lundas. Lweji, digo a bela Lweji (Lua em português), já que se diz que era uma jovem de extraordinária beleza, mas também munida de muita inteligência, foi governando os Lundas com a prestimosa ajuda dos mais velhos, os macotas, até que…
Um belo dia, vindo do Leste, apareceu Tchibinda Ilunga, um caçador da etnia luba, também de sangue nobre, neto do fundador do segundo império luba, Mutondo Mukulo (árvore velha) que com as suas gentes desafiou os lundas caçando nos seus domínios. Tchibinda Ilunga (tchibinda significa caçador)