25/11/2025
A GERAÇÃO QUE DESISTIU
Quando éramos crianças, sonhávamos sem limites. Nada parecia impossível. Cada promessa de nossos pais nos enchía de alegria, porque a esperança do que viria já era suficiente para nos fazer felizes. Na infância, éramos livres para imaginar um futuro grandioso, independente das nossas condições.
Na adolescência, a realidade começa a aparecer. Passamos a perceber limites: o que nossos pais podem ou não nos oferecer, o que é possível ou improvável. Comparamos promessas cumpridas e não cumpridas, e aos poucos entendemos que existem classes, níveis e barreiras que não podemos ignorar. Alguns enfrentam essa realidade com força e persistência; outros se conformam. Influenciados por medos, frustrações e expectativas sociais, muitos começam a desistir, ainda esperando que algo venha de fora, dos pais, talvez da sorte, do mundo.
Ao nos tornarmos adultos, a responsabilidade é só nossa. O crescimento que queremos depende de nossas escolhas; a sociedade que almejamos, somos nós que a construímos. Mas poucos na nossa geração pensam assim. Preferimos culpar os pais pelos nossos fracassos e depositar esperança na próxima geração, acreditando que a nossa já não pode fazer mais nada. Entre desafios, prazeres e a busca por aceitação, nos rendemos à corrupção, ao egoísmo, ao imediatismo. Fazemos o errado e nos justificamos com boas intenções; ver o certo como fraqueza, mentir como estratégia e ignorar a realidade como alívio.
Essa é a nossa geração. A geração que desistiu.
Ainda assim, talvez haja esperança. Quando entendermos que já não somos aqueles que esperam pelos outros, mas aqueles por quem os outros esperam, poderemos reencontrar a força que perdemos.