Yady & Zoé

Yady & Zoé Página de divulgação de conteúdos da poetisa Zoé Kifembe e do produtor de eventos Yadhiro Barroso.

“MATRIX— TODO ESCRITOR ESCOLHE UMA PÍLULA.”Por: Pedro Bars aka YadhistótelesPai da Yanceli e outros 4De certeza que já v...
18/07/2026

“MATRIX
— TODO ESCRITOR ESCOLHE UMA PÍLULA.”

Por: Pedro Bars aka Yadhistóteles
Pai da Yanceli e outros 4

De certeza que já viste o filme Matrix e muito provavelmente ainda te lembras daquela famosa cena:
Morpheus estende as duas mãos. Numa delas repousa uma pequena cápsula azul. Na outra, uma vermelha.
A escolha parece simples.
A azul permite que Neo regresse à vida que sempre conheceu.
A vermelha promete mostrar-lhe a realidade, por mais desconfortável que ela seja.

Durante anos, milhões de pessoas acreditaram que aquela era uma história de científica sobre a descoberta de que a realidade humana é uma simulação virtual. Eu também. Hoje tomei a ousadia de transformá-lo numa história sobre escritores.

Não te assustes. Também achei estranho quando esta ideia me ocorreu. Afinal, o que pode um filme de ficção científica ensinar a alguém que passa os dias a escrever crônicas, poemas ou romances? Talvez mais do que qualquer manual de escrita.

As grandes histórias não servem apenas para nos entreter. Servem para nos ensinar a pensar.
O papel do cronista é descobrir lições novas em histórias que toda a gente julga conhecer.

É exactamente isso que tentarei fazer. Porque, se olharmos para além das máquinas, dos códigos verdes e das cenas de ação, talvez descubramos que Morpheus nunca esteve apenas a oferecer uma escolha a Neo. Estava a oferecer uma escolha a todos nós enquanto escritores.

Todo escritor escolhe uma pílula. Mesmo aqueles que nunca viram o filme do qual estou a falar, que é Matrix.

Existe uma pílula azul. E existe uma vermelha.

A azul é confortável. Ela convence-nos de que basta escrever bem. Que um excelente livro encontrará leitores sozinho. Que um texto profundo será inevitavelmente partilhado. Que o talento acabará sempre recompensado. Que marketing é coisa de vendedores. Que títulos são apenas detalhes. Que a qualidade fala por si.

Parece bonito.
Mas continua a ser uma Matrix.

A pílula vermelha é cruel. Ela mostra que excelentes livros morrem todos os dias sem leitores. Que excelentes cronistas vivem na frustração de verem seus artigos de opinião completamente ignorados. Que milhares de poemas emocionantes nunca emocionaram pessoa alguma porque ninguém chegou à segunda linha. Não porque lhes faltasse qualidade, mas porque nunca conseguiram conquistar o primeiro segundo de atenção.

Foi precisamente por isso que, ontem, publiquei uma crônica intitulada “MPLA É O MELHOR PARTIDO PARA GOVERNAR ANGOLA… e eu posso provar.” Muitos seguidores meus pensaram que estivessem diante de um texto sobre política e, como era de se esperar, recebi muitas ofensas. Nunca estiveram. Na verdade estavam diante de uma aula de atenção.

Enquanto alguns esperavam uma defesa do MPLA e outros preparavam argumentos para me contrariar, eu fazia uma experiência muito mais simples. Queria demonstrar que um título bem construído consegue levar um leitor até ao fim de uma ideia. Não porque o obrigue, mas porque desperta uma pergunta suficientemente forte para que ele próprio queira descobrir a resposta.

Talvez seja essa a primeira grande lição que Matrix oferece à nós escritores. Antes de Neo conhecer a verdade, Morpheus conquistou a sua curiosidade.

Conheço autores capazes de passar três horas à procura do adjetivo perfeito. Mas escolhem o título em menos de trinta segundos. Escrevem durante seis meses. Promovem a obra durante seis dias. Depois concluem que as pessoas já não gostam de ler.

Será mesmo?

Talvez as pessoas gostem de ler mais do que nunca. Nunca se consumiram tantas palavras. Nunca se abriram tantos textos. Nunca se compraram tantos livros em diferentes formatos. O problema é que ninguém lê aquilo que nunca despertou curiosidade suficiente para ser aberto.

Vivemos na economia da atenção. E a atenção nunca foi distribuída de forma democrática. Ela é conquistada.

O escritor acredita que vende livros. O editor acredita que vende livros. A livraria acredita que vende livros. Talvez todos estejam enganados.

Antes do livro existe uma decisão muito menor.
Um clique.
Um olhar.
Uma capa.
Uma primeira frase.

Ninguém compra um livro antes de comprar alguns segundos de atenção.

É por isso que continuo a discordar quando alguém diz que marketing estraga a literatura. O mau marketing pode estragá-la. A manipulação pode estragá-la. Mas compreender como a curiosidade humana funciona não destrói uma boa história. Ajuda-a a encontrar quem precisa dela.

Um bom título não engana. Convida. Uma boa capa não mente. Abre uma porta. Uma boa primeira frase não prende ninguém à força. Apenas merece que o leitor lhe conceda mais alguns minutos.

Talvez Morpheus tenha escondido uma terceira pílula. Não aparece no filme. Mas aparece todos os dias na vida de muitos escritores, que é o que vou chamar de ‘pílula da vaidade’.

Aquela que nos faz acreditar que o mundo nos deve leitores apenas porque escrevemos algo bonito. Aquela que nos convence de que a culpa é sempre do algoritmo, do mercado editorial, das redes sociais, da falta de cultura ou dos leitores. Nunca nossa.

É a pílula mais perigosa de todas. Porque impede qualquer aprendizagem.

A verdade é mais desconfortável. Escrever bem continua a ser indispensável. Mas escrever bem não garante que alguém nos leia. Da mesma forma que fabricar um excelente produto não garante que alguém o compre.

Antes da venda existe a atenção. Antes da atenção existe a curiosidade. E antes da curiosidade existe uma pergunta que ainda não foi respondida.

Eu sempre digo que comunicar nunca foi despejar informação. Sempre foi conduzir atenção.

Neo escolheu apenas uma vez. Nós escolhemos todos os dias. Sempre que publicamos um texto sem pensar no título. Sempre que desprezamos a psicologia do leitor. Sempre que chamamos marketing àquilo que, na verdade, é apenas compreender pessoas. Sempre que acreditamos que escrever bem basta.

Todo escritor escolhe uma pílula.

Uns escolhem escrever.
Outros escolhem ser lidos.

Os maiores aprendem que nunca foi preciso escolher até porque a literatura começa exactamente quando escrevemos.
Mas só cumpre o seu destino quando alguém decide continuar a ler.

Talvez tenhas reparado que passei toda esta crônica a falar de Matrix. Na verdade, quase não falei do filme. Falei de literatura. E talvez nem de literatura eu tenha falado.

Acredito que falei mais sobre a decisão que todo criador de conteúdo literário precisa de tomar.

Continuar a acreditar que um bom trabalho se promove sozinho…

…ou aceitar que conquistar a atenção de alguém também faz parte da arte de comunicar.

A maior lição de Matrix nunca esteve nas máquinas e sim na escolha.
E, para nós escritores, especialmente os cronistas, essa escolha continua a repetir-se todos os dias.

Sempre que decidimos se queremos apenas escrever um bom artigo…
…ou fazer com que alguém sinta que não pode abandoná-lo antes da última linha por mais extenso que seja.

“MPLA É O MELHOR PARTIDO PARA GOVERNAR ANGOLA… e eu posso te provar”Por: Pedro Bars aka YadhistótelesPai da Yanceli e ou...
17/07/2026

“MPLA É O MELHOR PARTIDO PARA GOVERNAR ANGOLA… e eu posso te provar”

Por: Pedro Bars aka Yadhistóteles
Pai da Yanceli e outros 4

Há uma pergunta que gostaria que respondesses antes de continuares a ler, mas não me interessa a resposta que vais dar em voz alta. Interessa-me a que deste em silêncio, naquele exacto segundo em que os teus olhos cruzaram este título. O que te fez parar? Foi a palavra “MPLA”? Foi a ousadia de alguém afirmar que é o melhor partido para governar Angola? Ou foi a arrogância escondida na promessa de que eu conseguiria provar uma afirmação que, para muitos, parece impossível de sustentar?

Talvez nem tu saibas.

Enquanto acreditamos que escolhemos aquilo que lemos, alguma coisa dentro da nossa cabeça já decidiu muito antes de a razão ser chamada para a reunião.

É por isso que me fascinam menos as opiniões das pessoas do que o caminho que elas percorrem até chegar a essas opiniões.

Repara no que aconteceu contigo:

Ainda não apresentei um único argumento. Não elogiei o MPLA. Não o critiquei. Não citei um dado. Não contei um episódio da nossa história política. Apesar disso, existe uma boa probabilidade de já me teres atribuído uma identidade. Talvez me tenhas chamado vendido. Talvez tenhas pensado que finalmente alguém teria coragem de dizer uma verdade inconveniente. Ou talvez apenas tenhas ficado à espera do momento em que eu escorregasse para poderes provar, nem que fosse apenas a ti próprio, que estavas certo desde o princípio.

É curioso como um título consegue fabricar adversários antes mesmo de existir um debate.

Agora imagine se esta mesma crónica tivesse outro título: “Reflexões sobre cinquenta anos de governação em Angola”. Sê honesto. Terias clicado com a mesma urgência? Ou esse texto teria sido condenado ao lugar onde repousam quase todas as boas leituras que prometemos fazer “quando houver tempo”?

Existe um cemitério invisível na internet. Chama-se “depois”. Chamam de “Guardados”, né? Onde ficam os textos para “Ler Depois”. Eu sei. Muitos dos meus textos também param lá. É lá que morrem os conteúdos sensatos, equilibrados e bem-intencionados. Não porque sejam maus, mas porque nunca conseguiram interromper o dedo que deslizava pelo ecrã.

Posso estar errado na forma como penso, mas é o que acredito, que as redes sociais não premeiam quem escreve melhor. Elas premeiam quem consegue provocar o estímulo certo. Quem consegue activar o gatilho da curiosidade.

Porque ninguém procura uma resposta para uma pergunta que nunca sentiu.
E ninguém sente curiosidade por aquilo que já acredita conhecer.

Ao longo dos últimos meses, como cronista, percebo que os textos mais partilhados raramente são os mais profundos. São os que deixam uma porta entreaberta. Os que criam uma pequena dívida psicológica. Os que obrigam o leitor a continuar, não porque já recebeu alguma coisa, mas porque sente que ainda lhe falta receber.

É um mecanismo tão antigo quanto a própria condição humana. Quando alguém promete uma prova, o cérebro começa imediatamente a procurá-la. Quando alguém afirma o impensável, a razão levanta-se para o contradizer. E, enquanto pensamos que estamos a avaliar um argumento, muitas vezes estamos apenas a obedecer à curiosidade.

É precisamente por isso que tanta gente discute títulos sem conhecer os textos e condena autores sem lhes ter concedido sequer um parágrafo de audiência. Não reagem ao conteúdo. Reagem à expectativa que construíram antes de o conteúdo existir.

É precisamente aqui que a política entra nesta conversa.

O MPLA governa Angola desde 1975. Meio século de poder é tempo suficiente para coleccionar conquistas, erros, promessas cumpridas e promessas abandonadas. É também tempo suficiente para que continuem a existir milhões de angolanos a viver abaixo da linha de pobreza e mais da metade da população jovem no desemprego. Continua a crescer o número crianças fora do subsistema de ensino, apesar de a educação obrigatória estar consagrada na Constituição. Há estatísticas que documentam essas dificuldades e há cidadãos que as vivem sem precisar de consultar estatística nenhuma para saber que existem. Ao mesmo tempo, haverá quem aponte estradas construídas, hospitais inaugurados ou outros avanços que considera relevantes. É precisamente dessa tensão entre diferentes leituras que nasce o debate político.

Mas talvez tenhas reparado numa estranha ausência.
Eu prometi provar o título.
E estou a passar quase toda a crónica sem tentar fazê-lo.

Não foi um esquecimento.

É uma experiência.

Enquanto aguardas a demonstração, aceitas caminhar por um texto cujo verdadeiro assunto nunca foi o MPLA. Julgas que estás a observar uma crónica sobre política, quando, na verdade, a crónica é que está a observar a forma como a tua atenção se comporta diante de uma promessa.

E talvez seja essa a ironia mais desconfortável do nosso tempo.

Passamos horas a discutir quem governa os países, mas raramente perguntamos quem governa aquilo que decidimos ler, partilhar, comentar ou odiar.
Porque antes de existir um voto, existe uma narrativa.
Antes de existir uma convicção, existe uma emoção.
Antes de existir um debate, existe alguém que conseguiu fazer-nos parar.

Até aqui não provei que o MPLA é o melhor partido para governar Angola.

Também não tentei provar o contrário.

A única coisa que me propus demonstrar foi que um conjunto de palavras, cuidadosamente escolhidas, conseguiu conduzir os teus olhos até à última linha desta crónica.

E isso vale muito mais do que parece.
Porque esta crónica não é apenas sobre política.
É uma aula de marketing disfarçada de polémica.

Enquanto alguns procuram uma posição ideológica, eu estou a mostrar-te uma técnica.
A mesma técnica que faz um vendedor transformar um produto comum num objecto desejado.
A mesma técnica que leva um escritor a ser lido enquanto outros, por mais talentosos que sejam, permanecem esquecidos.
A mesma técnica que faz um vídeo alcançar milhões de pessoas enquanto outro, talvez até mais útil, morre sem visualizações.

É precisamente por compreenderem este princípio que os influenciadores digitais deixaram de ser apenas criadores de conteúdos para se tornarem uma das maiores forças do marketing moderno.

Durante décadas, as grandes empresas disputavam a atenção das pessoas através de outdoors, anúncios de televisão, spots de rádio e páginas de jornal. Hoje, uma parte crescente desse investimento é canalizada para homens e mulheres munidos apenas de um telemóvel e de uma audiência fiel.
Não porque os influenciadores tenham inventado melhores produtos.
Mas porque aprenderam a dominar uma moeda muito mais valiosa do que o espaço publicitário: A atenção.

As empresas perceberam uma verdade simples: um anúncio interrompe um programa; um bom criador faz com que o público interrompa voluntariamente o que estava a fazer para o ouvir.

É por isso que uma recomendação feita por um influenciador de confiança consegue, muitas vezes, vender mais do que um anúncio milionário.

O produto continua a ser o mesmo.

O que muda é a forma como ele chega à curiosidade das pessoas.

Lembro-me de uma conversa que tive com o meu amigo Fly Skuad.

Eu tinha acabado de escrever uma crónica e o título que pensei era outro. Antes de publicar, mostrei-lhe o texto. Ele fez apenas uma sugestão:

— Muda o título para “FLY SKUAD TEM QUE CAIR”.

Confesso que, num primeiro instante, estranhei. Parecia demasiado provocador. Quase injusto. Mas ele insistiu e garantiu-me que era esse o título que faria o conteúdo “bombar”

Confiei. Publiquei. A crónica viralizou e acredito que alguns de vocês devem estar lembrados.

Naquele dia percebi que o título não era um detalhe do texto.
Era a porta de entrada para ele.
Mais do que isso, percebi por que razão o Fly lidera as audiências em Angola.

Muita gente olha para os números e pensa que o segredo está apenas no carisma, na popularidade ou na sorte.
Eu suspeito que o segredo começa muito antes da câmara ser ligada.
Começa na compreensão profunda da forma como a atenção humana funciona.
Porque quem domina a atenção não obriga ninguém a ouvir.
Faz com que as pessoas naturalmente queiram ouvir.

As pessoas costumam dizer que o conteúdo é rei.
Discordo.
O conteúdo pode ser extraordinário e, ainda assim, morrer sem despertar o interesse das pessoas.

Antes de existir um bom conteúdo, precisa de existir uma boa razão para alguém lhe conceder atenção.
E essa razão raramente nasce na primeira frase.

Nasce no título.
Na promessa.
Na curiosidade.
Na pequena inquietação que faz alguém interromper o movimento do polegar e pensar:

“Espera… preciso de ver isto.”

É por isso que vender não começa quando apresentas um produto.
Começa quando despertas uma pergunta.

Escrever não começa quando desenvolves uma ideia.
Começa quando crias uma intriga na mente do leitor que faz com que ele sinta a necessidade de “entender”.

Comunicar nunca foi despejar informação.
Sempre foi conduzir atenção.

Não gosto de me colocar na posição de ter que ensinar alguma coisa porque o que sei também é quase nada, mas esse meu quase nada pode fazer a diferença na vida de um escritor mais novo que eu. É o seguinte: Se és cronista, deixa de perguntar apenas:

“O meu texto é bom?”

Pergunta também:

“Porque haveria alguém de lhe dar o primeiro minuto?”

Se és vendedor, deixa de perguntar apenas:

“O meu produto resolve um problema?”

Pergunta também:

“Porque haveria alguém de parar para me ouvir?”

Se crias conteúdos para a internet, talvez a pergunta mais importante nem seja “O que vou dizer?”

Talvez seja:

“Como posso fazer alguém sentir que precisa de descobrir o que tenho para dizer?”

Porque a atenção não é um prémio atribuído aos melhores.
É uma conquista.
E quem aprende a conquistá-la comunica melhor, escreve melhor, vende melhor e influencia melhor.

Agora pára de ler esta crónica.

Olha novamente para a capa e especialmente para o título.
Percebe que ele nunca te pediu para concordares comigo.
Pediu apenas alguns minutos da tua atenção.
E tu deste.

Se um simples título conseguiu conduzir a tua curiosidade até aqui, imagina o que essa mesma técnica pode fazer quando estiver ao serviço de um livro, de uma marca, de um negócio, de uma campanha ou de uma ideia que realmente mereça ser ouvida.

Talvez a maior lição desta crónica seja esta:
No século XXI, a maior escassez já não é de produtos.
Também não é de serviços.
Muito menos de informação.

Vivemos cercados por excelentes ideias que ninguém conhece, excelentes livros que ninguém lê, excelentes negócios que ninguém descobre e excelentes profissionais que ninguém contrata.

Não porque lhes falte qualidade.
Mas porque lhes falta atenção.
E a atenção não se implora.
Constrói-se.
Conquista-se.
Merece-se.
Aprende-se.

Se és escritor, e eu vou sempre insistir nisso por ser a minha área de actuação, estuda menos apenas a gramática e mais a psicologia do público-alvo, o que os marketeiros chamam de Nicho.

Se és empresário, dedica menos tempo a explicar as características do teu produto e mais tempo a compreender o que faz alguém parar para te ouvir.

Se trabalhas com vendas, percebe que ninguém compra aquilo que não chegou a observar.
E ninguém observa aquilo que nunca despertou a sua curiosidade.

No fim de contas, o marketing não começa quando apresentas uma solução.
Começa quando fazes nascer uma pergunta.

A literatura não começa quando escreves um bom parágrafo.
Começa quando alguém sente que não consegue abandonar a primeira linha. Por isso vocês têm estado a me ver testando mais os limites dos meus leitores com textos cada vez mais longos.

Talvez seja essa a verdadeira arte de comunicar.
Não convencer.
Primeiro, conquistar o direito de ser escutado.
Porque só depois de ganhares a atenção de alguém é que tens a oportunidade de ganhar a sua confiança.
E confiança é o único lugar de onde nascem as vendas, as ideias, os movimentos, os leitores fiéis que depois viram clientes e as mudanças que realmente perduram.

Por isso, quando terminares esta leitura, esquece o MPLA.
Esquece até esta crónica.
Mas nunca te esqueças da pergunta que ela tentou responder sem nunca a escrever explicitamente:

O que faz uma pessoa parar?

No dia em que responderes verdadeiramente a essa pergunta, escreverás melhor.
Venderás melhor.
Comunicarás melhor.

E compreenderás que, antes de conquistar clientes, leitores, investidores ou seguidores, existe sempre uma conquista maior e mais difícil:
— A conquista da atenção.

E é justamente aí que começam todas as grandes histórias.

Se chegou até aqui é porque gostou. E como conhecimento só vale se for partilhado… de graça recebeste, de graça dê pros outros. Partilhe.

Nota: Pra quem não gosta de ler textos longos vem aí uma coisa boa.
Passaremos a gravar, em dois minutos, os resumos das crônicas que escrevo e postar em vídeos curtos. Interpretação de Zoé Kifembe — Melhor Poeta Do Ano nos Prêmios Nova Geração, 2022.

O DEBATE EXISTIU SIM — É DESONESTO NEGÁ-LO — MAS MESSI VENCEUPor: Pedro Bars aka YadhistótelesPai da Yanceli e outros 4....
16/07/2026

O DEBATE EXISTIU SIM — É DESONESTO NEGÁ-LO — MAS MESSI VENCEU

Por: Pedro Bars aka Yadhistóteles
Pai da Yanceli e outros 4.

O fanatismo é uma doença curiosa. Não altera apenas opiniões. Altera memórias. Convence um homem de que nunca existiu uma guerra que ele próprio passou quinze anos a travar. Apaga debates. Reescreve rivalidades. Transforma quinze anos de argumentos em quinze segundos de amnésia colectiva.

Hoje, muitos admiradores de Lionel Messi afirmam que nunca existiu comparação entre ele e Cristiano Ronaldo. E sempre que leio isso, pergunto-me se vivemos o mesmo futebol. Porque eu lembro-me. Lembro-me de famílias divididas, de amizades estremecidas, de programas de televisão inteiros dedicados apenas a responder uma pergunta. Lembro-me de páginas, jornais, documentários, bares, grupos de WhatsApp, fóruns e redes sociais onde a única discussão era: afinal, quem é o melhor? Durante cerca de quinze anos, o mundo viveu praticamente dividido nessa polarização. Era Messi ou Cristiano. Cristiano ou Messi. Negar que essa disputa existiu é negar um dos maiores capítulos da história do futebol. A verdade é que ela existiu. E foi de certeza a maior rivalidade individual que este desporto alguma vez conheceu.

E é precisamente por isso que considero intelectualmente desonesto negar a existência desse debate. Não porque Messi não tenha terminado a corrida em vantagem, mas porque milhões (senão bilhões) de pessoas acompanharam, viveram e alimentaram essa comparação durante mais de uma década. Houve argumentos, estatísticas, prémios, títulos, programas especiais, capas de jornais e discussões intermináveis. Apagar tudo isso apenas porque o desfecho é hoje mais favorável ao argentino é, no mínimo, um exercício de memória selectiva fanatismo agudo misturado com desonestidade e burrice. Noutros, parece uma amnésia escolhida por conveniência. Seja qual for a explicação, negar que houve debate não faz justiça à história do futebol.

Infelizmente para nós, fãs do Cristiano Ronaldo, e é preciso admitir essa verdade, embora dura, Lionel Messi venceu essa disputa. E reconhecer isso não diminui em absolutamente nada a grandeza do nosso El Comandante. Pelo contrário. É precisamente por reconhecer a dimensão de Cristiano Ronaldo que consigo perceber o tamanho daquilo que Messi realizou.

Não podemos lutar com os números. Foram eles que colocaram Cristiano Ronaldo acima de tantos gigantes. E são exactamente os mesmos números que hoje alimentam a ideia de que Messi terminou essa corrida alguns metros à frente.

Cristiano Ronaldo dominou a maior competição entre clubes do planeta. Conquistou cinco Ligas dos Campeões, foi melhor marcador da competição por seis edições consecutivas, é o melhor marcador da história da Liga dos Campeões e também o jogador com mais assistências, mais vitórias e uma colecção interminável de golos decisivos na competição. Não existe discussão séria quanto ao facto de Cristiano Ronaldo ser a maior figura da história da Liga dos Campeões. Messi aproxima-se em vários registos, mas, nesse particular, o rei continua a vestir a camisola número 7.

A diferença aparece quando mudamos de competição. Porque a Copa do Mundo não é apenas mais um torneio. É a maior competição de futebol do planeta. O Everest. O ponto mais alto. É o campeonato onde os continentes se encontram, onde o peso da camisola parece maior do que qualquer contrato milionário. É essa competição que colocou o Pelé e o Maradona na discussão de GOAT por anos. É essa competição que transformou o Ronaldo Fenómeno, Zidane e outros em Lendas.
E foi justamente a julgar pela prestação dos dois nessa competição que a balança começou lentamente a inclinar-se.

Em 2014, Messi conduziu a Argentina até à final. Não levantou o troféu, mas colocou uma medalha de prata na sua carreira internacional e uma nova camada nessa comparação.
O argumento dos fãs do Messi, recordo-me, era: “Cristiano nunca poderá jogar uma final de Copa do Mundo.”

Em 2022, no Qatar, escreveu o capítulo que lhe faltava. Foi campeão do mundo e foi eleito o melhor jogador da competição. Pode discutir-se a quantidade de penáltis. Pode discutir-se o contexto. Mas há factos que dispensam interpretação. A Argentina foi campeã. E Messi foi o protagonista dessa conquista.
O argumento dos fãs do Messi mudou e passou a ser: “Messi tem Mundial”.

Repara que, o barómetro usado para colocar o Messi acima do CR7 (até mesmo usado hoje pelos analistas desportivo) é a Copa do mundo, e não as carreiras de ambos com os seus clubes.

Agora, nesta nova edição, parece que o vento continua a soprar na mesma direcção (ou o calor, neste caso 😂). Lá vai ele disputar mais uma final. Chega novamente entre os protagonistas estatísticos da competição, disputando os primeiros lugares nos golos e assistências e reforçando ainda mais um legado que parecia impossível de crescer.

Enquanto isso, Cristiano Ronaldo nunca conseguiu produzir, em Campeonatos do Mundo, uma sequência de exibições capazes de rivalizar com o impacto de Messi. A sua noite mais inesquecível continuará certamente a ser aquele histórico hat-trick diante da Espanha, em 2018. Foi uma obra-prima. Mas foi uma noite. Messi transformou duas Copas do Mundo numa narrativa.

Cristiano Ronaldo dominou a maior competição entre clubes. Messi dominou/domina a maior competição entre selecções. Não me parece uma afirmação injusta.

Nos competições domésticas, Cristiano Ronaldo tem um mérito gigantesco. Provou-se em Inglaterra, conquistou Espanha, conquistou Itália e agora as Arábias. Nenhum outro jogador da história conseguiu ser tão decisivo em ligas tão diferentes. Mas também é verdade que, durante o período em que ambos coexistiram na Liga Espanhola, Messi foi superior. Conquistou mais campeonatos, mais Taças do Rei, mais troféus individuais de melhor marcador da competição e marcou mais golos nos confrontos directos entre ambos.

Até ao Mundial do Qatar, o debate permanecia extraordinariamente equilibrado. Messi tinha seis Bolas de Ouro. Cristiano tinha cinco. Ainda havia quem defendesse, como eu e milhões de pessoas ao redor do mundo, que a Bola de Ouro conquistada por Modrić deveria ter pertencido ao português, tal como muitos continuam a acreditar que, em 2010, Iniesta ou Sneijder mereciam mais do que Messi. A discussão estava viva. Era intensa. Era apaixonada. Era legítima.

Foi o Mundial do Qatar (e os títulos conquistados posteriormente pela Argentina) que mudaram significativamente a percepção colectiva. Os últimos capítulos sorriram mais para Messi. E, muitas vezes, são os últimos capítulos que decidem como um livro será lembrado.

Mesmo assim, a carreira de Cristiano Ronaldo permanece absolutamente monumental. É o maior marcador da história das selecções. É o maior goleador que o futebol já conheceu. Conquistou um Campeonato da Europa em 2016, levantou duas edições da Liga das Nações, foi campeão em diferentes países e reinventou-se várias vezes ao longo da carreira, passando de extremo explosivo a ponta-de-lança letal.

Messi, por sua vez, acumulou mais Bolas de Ouro, mais Botas de Ouro e mais títulos colectivos. É o jogador que mais encanta o mundo com a bola colada ao pé. Cristiano, em contrapartida, continua a ser um dos jogadores mais completos e o maior coleccionador de recordes da história.

Curiosamente, ambos caminham para um objectivo que parecia ficção há alguns anos: os mil golos. E talvez isso diga mais sobre esta rivalidade do que qualquer estatística isolada. Porque os maiores rivais da história raramente são separados pelo talento. São separados pelo capítulo final. Durante quinze anos, Messi e Cristiano escreveram praticamente o mesmo livro. A diferença é que os últimos capítulos sorriram mais para o argentino.

Por isso, considero perfeitamente justo afirmar que Messi venceu essa disputa histórica. Mas é intelectualmente desonesto é até burrice fingir que ela nunca existiu. Existiu. E foi enorme.

Hoje, pessoalmente, acho que a discussão do Messi já deixou de ser com Cristiano Ronaldo. Na minha opinião, o debate deslocou-se para outro patamar: Pelé.

Mas Messi e CR7 são os que protagonizam a discussão que mais forte pelo título de G.O.AT. Cristiano Ronaldo consolidou-se, para mim, como um nome incontornável entre os maiores de sempre. No mínimo, um Top 3 histórico. Maradona fecha esse quarteto. Depois disso, entram as preferências pessoais.

Sem fanatismo. Sem ódio. Sem necessidade de diminuir um para engrandecer o outro. Porque não podemos lutar com os números. Foram exactamente eles que colocaram Cristiano Ronaldo onde está. E são exactamente eles que hoje permitem a muitos colocar Messi numa prateleira acima.

Talvez a maior prova da grandeza de ambos seja esta: passaram quinze anos obrigando o mundo inteiro a escolher um lado. E, mesmo depois de tudo, ainda conseguem fazer-nos discutir, basta ver o número de manchetes, vídeos, jornais, sites, revistas, textos em redes sociais que colocam os dois lado a lado.

Gostou?
Partilhe se julgar necessário.

Nota: Pra quem não gosta de ler textos longos vem aí uma coisa boa.
Passaremos a gravar, em dois minutos, os resumos das crônicas que escrevo e postar em vídeos curtos. Interpretação de Zoé Kifembe — Melhor Poeta Do Ano nos Prêmios Nova Geração, 2022.

ESTE É O MELHOR TEXTO DE TODA A INTERNET Antes de ler…Dedico este poema a todos os casais cujo casamento atravessa um Ap...
12/07/2026

ESTE É O MELHOR TEXTO DE TODA A INTERNET

Antes de ler…

Dedico este poema a todos os casais cujo casamento atravessa um Apocalipse. Leiam este poema que é praticamente uma teologia do recomeço. Talvez descubram que Deus costuma escrever alguns Génesis exactamente onde nós insistimos em escrever “fim”.

“O VERDADEIRO GÉNESIS COMEÇA NO APOCALIPSE”

Por: Pedro Bars aka Yadhistóteles

Infelizmente o nosso lar conhece hoje o som das trombetas do último tempo
Parece que o Apocalipse escolheu morar debaixo do nosso tecto

Os sete selos abriram-se dentro da nossa sala
E cada palavra dura tornou-se uma espada que cala

Os cavaleiros atravessaram a mesa de jantar
E até o pão dos nossos filhos começaram a pesar

A Besta na nossa casa não entrou pela janela
Entrou entre uma resposta amarga e outra mais amarga que aquela

Foi então que compreendi uma estranha revelação
Nem todo deserto é lugar onde não existe vegetação

Há desertos onde existe cama, sofá, televisão
Mas falta a água invisível da compreensão

Quero reaprender com Pedro o valor de recomeçar
Quem ama também cai, mas encontra sempre forças para levantar

Acredito que o que sentimos é real, meu nome não é Tomé
Não preciso tocar nas marcas para voltar a crer
O teu silêncio basta para me fazer renascer

Que o rei Salomão me conceda apenas uma porção
Da sabedoria necessária para entender o teu coração

Se o Bom Samaritano parou onde todos passaram
Que eu nunca mais ignore as dores que os teus olhos calaram

Não quero a porta larga para ter tudo facilitado
Prefiro passar pela porta estreita do teu jeito complicado

Não precisas transformar pedra em pão pra provar poder
Já transformaste o meu orgulho em vontade de ceder

Que a mesa da última ceia nos volte a reunir
Partindo o pão ao meio… em vez de nos partir

Bartimeu pediu apenas um novo olhar
Talvez seja exactamente isso que nos esteja a faltar

Recordo o filho pródigo voltando sem argumentos
E sabe porquê que o pai não lhe fez questionamentos?
Porque existem abraços maiores que julgamentos

Se Paulo encontrou um caminho onde antes havia perseguição
Que eu encontre em ti uma definitiva conversão

Que a arca de Noé volte a guardar o nosso lar
Porque ainda vale a pena esperar este dilúvio passar

As muralhas de Jerusalém ensinaram-me uma lição
Toda a fortaleza começa por uma reconstrução

Foi assim que entrei em Eclesiastes sem perceber
E descobri que o amor também tem um tempo para adoecer
Tempo para pensar em separar e tempo pra sentar e resolver

Como Moisés diante da sarça que ardia sem se consumir
Descobri que no casamento certos fogos nasceram apenas para luzir

Jesus chamou Lázaro e ele saiu do túmulo ressuscitado
Quem sabe o nosso casamento também espera por um chamado

Chama-me outra vez… como chamavas lá no início
Talvez o nosso amor só esteja adormecido no precipício

O amor tudo sofre, tudo espera, tudo suporta também
Foi Paulo que escreveu… eu apenas digo amém

Se o Filho do Homem lavou os pés de quem sabia que iria falhar
Quem sou eu para não voltar e perdoar?

Judas vendeu Jesus por trinta moedas de ocasião
Nós não podemos vender o nosso futuro nessa de quem tem razão

Li sobre o José do Egipto ter perdoado os seus irmãos
Com isto aprendi que nenhuma família se salva sem dar as mãos

Que os nossos bodas não terminem quando acabar o vinho
Pois, o verdadeiro banquete começa no carinho

Como os dez leprosos curados não sejamos nove a partir
Voltemos um para o outro… apenas para reconhecer, agradecer e seguir

Que a visão de Elias nos leve ao lugar onde Deus fala baixinho
Nem sempre a verdade chega dentro do redemoinho

Que a história de Abraão nos ensine a confiar mesmo sem compreender
Há caminhos que só se revelam depois de obedecer

Eu ainda acredito no Cordeiro redentor
Porque nenhum apocalipse consegue sepultar o amor

Quero ser o teu bom pastor e não contar apenas as cem
Quero procurar-te primeiro e dizer-te: “baby, hoje tem”

Deixarei as 99 preocupações repousarem com temperança
E te tratarei como a ovelha encontrada em segurança

Se esta noite soarem as sete trombetas sobre o céu e a terrra
Que o último som encontre a minha mão na tua e os nossos corpos em guerra

Vem,
Vem ser a parábola que até hoje nenhum teólogo explicou
Aquela cujo sentido só o teu beijo encontrou

Vem,
Vem ser o Génesis, e me dê o fruto do meio do teu jardim
E com um toque autorize o Êxodo de todas as saudades que senti

Tuas pernas nos meus ombros é carregar a minha própria cruz
Quero perder-me contigo na estrada de Emaús

E me perder ainda mais no teu triângulo abençoado
Até derramares na minha língua o teu óleo perfumado

Que Pilatos lave as mãos, eu não lavo o querer
Há sentenças que libertam mais do que absolver

Sê Alfa quando me encontras, Ômega quando demoras
Há eternidades inteiras escondidas em poucas horas

Procuro o teu Ponto G nos desencontros vagos
O orgasmo é uma estrela que guia como aos antigos Magos

À noite de novo, traz-me os teus salmos em voz baixa, sem alarde
Há aleluias que só florescem quando a madrugada arde

Depois de tudo deitar-me contigo exausto na vibração do dia
Como quem encontra Deus vestido de poesia

Compreendi Sansão perdendo toda a força exterior
Nenhum homem é realmente forte… se não proteger o amor

Maria Madalena reconheceu a voz antes do rosto aparecer
Também eu reconheço a tua alma antes mesmo de te ver

E quando perguntarem qual foi o nosso maior milagre, enfim
Diremos que não foi evitar o fim
Tu, Terra, eu Sol, a Lua é esse amor que passou entre nós e gerou este eclipse
Que nos fez descobrir que o verdadeiro génesis começa no apocalipse.

Gostou?
Partilhe se julgar necessário.

Endereço

Morro Bento, Gamek à Direita, Imediações Da 23 Esquadra.
Luanda

Telefone

+244948860390

Website

Notificações

Seja o primeiro a receber as novidades e deixe-nos enviar-lhe um email quando Yady & Zoé publica notícias e promoções. O seu endereço de email não será utilizado para qualquer outro propósito, e pode cancelar a subscrição a qualquer momento.

Entre Em Contato Com O Negócio

Envie uma mensagem para Yady & Zoé:

Atalhos

Compartilhar