04/08/2026
Kevin Mitnick começou a desafiar sistemas muito antes de a palavra “hacker” se tornar sinônimo de crime. Aos 12 anos, descobriu como alterar os bilhetes de transporte de Los Angeles e passou a andar de ônibus sem pagar. Na adolescência, aprendeu a se passar por funcionários de companhias telefônicas para obter informações internas e fazer ligações gratuitas. O que o movia, segundo ele, não era dinheiro, mas a sensação de descobrir algo que deveria permanecer escondido.
Com o tempo, aquela curiosidade se transformou em uma obsessão. Já adulto, Mitnick conseguiu invadir redes de dezenas de grandes empresas e órgãos governamentais, explorando não apenas falhas tecnológicas, mas principalmente a confiança das pessoas. Ele telefonava, inventava identidades, convencia funcionários a revelar senhas e tratava cada novo acesso como uma etapa de um enorme jogo. Mais tarde, explicaria que hackeava pela busca de conhecimento, pela aventura e pelo desafio intelectual.
No início dos anos 1990, seu nome já era conhecido em todo o país. O FBI o considerava um dos criminosos digitais mais procurados dos Estados Unidos. Enquanto os agentes tentavam localizar seus passos, Mitnick também acompanhava os movimentos deles. Ele teria invadido sistemas telefônicos ligados à equipe responsável pela perseguição e criado um mecanismo capaz de alertá-lo quando os telefones dos investigadores se aproximavam de sua casa.
Em 1992, ao descobrir que um mandado de busca havia sido emitido, passou a noite retirando qualquer material comprometedor do apartamento. Antes de desaparecer, porém, decidiu deixar uma provocação. Comprou uma caixa com doze donuts variados, escreveu “Donuts do FBI” na embalagem e a colocou dentro da geladeira. Quando os agentes entraram no imóvel no dia seguinte, não encontraram computadores, documentos ou pistas importantes. Encontraram apenas os donuts.