Tchilonga

Tchilonga Professor de Língua Portuguesa e Literatura, crítico, investigador em Teorias e Metodologia de Literatura.

Acreditar em mim mesmo, me faz desacreditar em tudo que me destrói.Bom dia!Francisco Tchilonga
03/05/2026

Acreditar em mim mesmo, me faz desacreditar em tudo que me destrói.
Bom dia!

Francisco Tchilonga

24/04/2026

A polémica da subalternização

O silêncio desce em cada cova, e ninguém conhece a finitude dos restos. Cada verme faz a sua festa em degustar do mais belo corpo que vigorou na dança da artimanha. Mas também, da petulância. Espero não ser um exagero, isso de corpos descendo. A ideia é garantir que a alma esteja a atravessar sozinha para ir além, e não para o julgamento. Há uma dança de vilipêndio esgotado na carne, mas ela não está entre nós enquanto vivemos e, acredito que, é isso que justif**a o poder e o gozo sobre as coisas vãs. Quando o Papa, o Santo Papa…Não! O Santo Padre, passa, ele não esbanja algum estilo voraz. Ele ensina o que falta ao mundo. No entanto, nós, os crentes também o chamamos de SUMO PONTÍFICE. Palavra que reverbera de ponte. Por isso, estende-se de tapete, a maior ponte. Não é aquela ponte que destruímos com a guerra, ou com palavras talhadas, nem com promessas vazias mas, a ponte que leva para a paz. Dela, ainda precisamos bastante.
Em reza solitária, o meu breviário mental foi consultado tarde mas, me lembrei do que disse Santo Agostinho de Hipona, em cuja terra o Santo Padre também pisou antes de pôr asas en’Angola: Deus está no homem, e este em Deus. Talvez, não precise de abrir aspas, porque esse pensamento também me contém desde a minha concepção. Por isso, é que a minha alma não descansa, enquanto não repousa nesse Deus, foi outro palavrão do Bispo de Hipona. O Deus de que vos falo não é aquele, adorado por kabeçudos, buscado em enchentes de xinguilamentos e nos tabernáculos do ódio –feito em ouro. Não é o deus que está lá onde se cruzam o bajú, o ngapa, o burlador e o kulibota. Não é o deus que também invocam os mwadiés que se dividiram a tagita e bazaram mbora, cada um co a sua kazola! Esse deus que vós buscais, num templo onde todos se parecem quando estão sentados nas mesmas cadeiras urdidas pelo âmbar do feitiço que profeçais, ou estão em filas para levar falsas oferendas, como fazem nos leilões do gado de Kamabetela, ou enfileirados para receber algo que tentam esconjurar. Falo-vos do Deus Vivo.

Era Vivo, até então, mas vós O matastes, O matastes com o vosso orgulho de f**ar na primeira cadeira, de pregar aquilo que não fazeis, de disputar os primeiros lugares. Os vossos xinguilamentos têm marcas no céu.
Em uma vigília, um anjo pode atropelar um padre que se esmera na sacristia da desbunda com uma Lamborguine sem pedir desculpa, e aí vem o dado, que sempre ignoramos - aquele que vem das Sagradas Escrituras. Em Mateus 10,14, Jesus instrui os discípulos a "sacudir o pó dos pés" ao sair de casas ou cidades que rejeitassem sua mensagem e os apóstolos. Aceitar a mensagem não nos torna mais crentes ou menos crentes, mas o binarismo que sustenta fantasmas tem força nas palavras. Então, seria aquele João Paulo II que teria deixado a guerra em terra de incrédulos? Seria por isso, que polemizam que os rastos do Homem de Deus são pegadas que anunciam a guerra? Homens de pouca fé! Mesmo os magos que vieram do oriente, reconheceram a presença de Cristo!

Uma terra que sempre sangrou, tem os seus fantasmas sedimentados na história e, se não aprendeu a amar o silêncio para ouvir mais, f**a subalternizada pelo seu passado. O solilóquio ouvido naquele filmezinho estaria ainda a fazer eco na cabeça dos kaximbatos: ‘Deus abandonou a África’. Não! Eu acredito que os africanos é que abandonam Deus, quando decidem com a arrogância. Deus nunca abandona o seu povo – Bento XVI in. AFRICAE MUNUS.

Se f**amos repletos de discursos, ainda arranjem um pouco de pitéu pra a malta, só assim, fará sentido ouvir rezas combinadas em sustenidos e bemós vossiferantes, porque o lá menor já nos trepida em cada cacimbo. Aquele que chama um homem justo para o ouvir, tem que ter a capacidade de pôr em prática o que desejou ouvir para que não seja mais uma primavera vazia, até que os pássaros emigrem para o mesmo lugar. Cada um de nós tem, em si mesmo, a potencialidade de ser um papa para si, só nos falta ouvir aqueles silêncios que descem dentro dos nossos ouvidos que se fizeram covas porque estão ensurdecidos pelos canhões comprados ao preço de quem desfila na pista do comboio rumo ao leste. E o que leva esse viajante? Leva a faca que retalha os campos da miséria nos atavios da moeda que não mata a fome. Não estaria em condições de repetir as palavras daquele HOMEM, que por essa terra está a passar. Convém, no entanto, observar que, quando alguém se diz ser peregrino da paz, é porque veio para um lugar onde ainda se reclama por ela, não só por ser o seu círculo lunar, mas porque se carece dela de facto. O seu discurso de reconciliação é um aviso para aquilo que ainda não atribuímos a essa palavra chave. Não são charmes vazios que estariam a vagabundear nos perímetros vocabulados, e sem caminho.

Será que, é isso que podemos aprender? Não! Estamos a aprender a ser mais humanos. E para mim, pirilampo velho que já não incendeia? Para EU, que não me identifico com aquele velho de bengala brilhante. É mais um iluminati que vem mixar no kumbu que está a voar para primaziar a imagem da Angolaka? Se não for iluminado o suficiente, talvez possa acatar apenas a mensagem da paz.

Dizem que o nosso primeiro contacto com a civilização, não sei que civilização! Mas é essa que Nsaku Ne Vunda selou, naquele cacimbo, que depois trouxe tudo o resto. Aqui começou a subalternização polémica que se assume. Daí a pergunta: meteste o fato de Roma, ou não? Sentaste na carteira do tuga, ou não? [Você] que lê…, e estás a ler, nessa corrida para ganhares tempo, enquanto esperas pelo próximo pôster, aprendeste a ler mesmo até o sofrimento do irmão inundado, ou só passaste na carteira da barriga?

Hah? É pena que os meus ancestrais foram enterrados vivos sem licença. A floresta foi invadida e os deuses foram vilipendiados. Quem no-los dará de volta? E os avós que foram nas caravelas e atirados ao mar? Isso ainda vale alguma pergunta? Será que, aquela êxtase e vibração pela presença do Homem do cajado, seria uma nova forma de celebrar a natureza no contacto com os antepassados? Dizem que a Igreja não nega o Homem, pelo contrário, acolhe-o, e se os caminhos eram diferentes para se chagar ao mesmo Deus, talvez agora… agora, o caminho seja o mesmo para se chegar ao Deus – essência e razão.

Ainda não ficou detrás o dilúvio. É preciso acreditar no Homem, não no HOMEM que veio, mas no homem todo e em todo o Homem para reduzir o grito da humanidade assombrada, em escombros, AQUI e AGORA, rumo a uma nova saída. Acreditando no homem africanus, acreditaremos na ‘ressureição’ do próprio passado, porque, reconciliar é enterrar e ao mesmo tempo, cavar memórias. Do oriente ao ocidente, a paz é uma linguagem universal.
Chega ainda de catequese!

Por: Francisco TCHILONGA

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