24/12/2020
Por que as Testemunhas de Jeová não celebram aniversários natalícios?
Este é um assunto que muitas pessoas não compreendem e para uma correta compreensão dos motivos pelos quais as Testemunhas de Jeová não celebram, seria interessante ouvir ou ler uma explicação vinda de uma Testemunha de Jeová. Vamos explicar brevemente neste texto os motivos que nos levam a evitar este tipo de festividade e seus elementos associados.
Primeiramente desejamos destacar logo de início que as Testemunhas de Jeová apreciam momentos de descontração, festas e até mesmo gostam de elogios e de ganharem presentes e de dar presentes. Não existe nenhum problema especif**amente nestas coisas. Igualmente deixar claro que todas as Testemunhas de Jeová amam seus familiares e f**am extremamente felizes por mais um ano de vida que completam. Não acham que a felicidade e a alegria das pessoas é algo que deva ser suprimida ou impedidas. Os motivos pelos quais as Testemunhas de Jeová não participam de festas natalinas anuais, as chamadas festas de aniversários serão descritas nas linhas abaixo.
Esperamos que você avalie com carinho a fim de compreender os reais motivos de nosso posicionamento, não se deixando levar por comentários tendenciosos que muitas vezes tem o objetivo de distorcer a nossa imagem e coloca-la numa luz desfavorável.
As origens de uma festividade não podem ser simplesmente desconsideradas.
Os estudiosos da história, da cultura de povos antigos conseguem em suas pesquisas, tanto de documentos antigos como de achados arqueológicos, apresentar muitas provas sobre o estilo de vida, costumes e crenças dos povos do passado. De modo que podemos compreender hoje por estes e outros meios a origem de muitos costumes que a sociedade perpetua e promove até os dias de hoje.
Por exemplo a festividade do Natal, data em que supostamente Jesus teria nascido. Podemos com toda a certeza afirmar que Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro, e podemos também compreender da omissão total nas Escrituras, bem como dos dados históricos que nos chega por meio de escritos judaicos paralelos que a festividade de natalícios não existia entre os do povo de Deus no passado, sendo este um costume reconhecidamente pagão, ou seja, promovido e perpetuado por povos não judeus. E destes escritos, não estamos a dizer que eles eram apenas apáticos em relação a tais festas, e sim que eram completamente contra.
Falando acerca das festividades natalícias, veja o que dizem certos historiadores:
Observe o que diz o historiador Augusto Neander: “A noção de uma festa de aniversário natalício era alheia às ideias dos cristãos deste período.” (The History of the Christian Religion and Church, During the Three First Centuries [História da Religião e da Igreja Cristãs, nos Três Primeiros Séculos], traduzida para o inglês por H. J. Rose, 1848, p. 190)
“Os hebreus posteriores consideravam a celebração de aniversários natalícios como parte da adoração idólatra, conceito que era abundantemente confirmado pelo que viam nas observações comuns associadas com tais dias.” — The Imperial Bible-Dictionary (Londres, 1874), editado por Patrick Fairbairn, Vol. I, p. 225.
A enciclopédia World Book, diz sobre os primeiros cristãos “consideravam um costume pagão celebrar a data de nascimento de qualquer pessoa”.
“Os vários costumes de celebração de aniversários natalícios das pessoas hoje em dia têm uma longa história. Suas origens acham-se no domínio da mágica e da religião. Os costumes de dar parabéns, dar presentes e de celebração — com o requinte de velas acesas — nos tempos antigos eram para proteger o aniversariante de demônios e garantir segurança no ano vindouro. . . . Até o quarto século, o cristianismo rejeitava a celebração de aniversário natalício como costume pagão.” — Schwäbische Zeitung (suplemento Zeit und Welt), de 3/4 de abril de 1981, p. 4.
“A comemoração do aniversário do nascimento de um indivíduo, embora costumeiro entre os antigos, originalmente não era visto com bons olhos pelos cristãos”, diz William S. Walsh em seu livro em inglês Curiosidades dos Costumes Populares. O historiador Walsh prossegue citando de primitivos escritos cristãos sobre o assunto, e diz: “Assim, Orígenes, numa homilia sobre Levítico xii 2, assegura aos seus ouvintes que ‘não se sabe de nenhum santo que tenha alguma vez realizado uma festa ou um banquete com relação ao seu aniversário de nascimento ou que tenha festejado o dia em que seu filho ou sua filha nasceu. Mas os pecadores festejam e fazem folia em tais dias’.”
Diz The Lore of Birthdays: “As saudações natalícias e votos de felicidade são parte intrínseca deste dia de festa. . . . originalmente a idéia enraizava-se na magia. O lançamento de feitiços para o bem e para o mal é o principal costume da feitiçaria. A pessoa é especialmente suscetível a tais feitiços no seu natalício, ocasião em que os espíritos pessoais dela estão presentes. . . . Saudações natalícias têm poder para o bem ou para o mal porque a pessoa nesse dia está mais perto do mundo espiritual.” — Página 20.
Sobre a ideia de que servos de Deus comemoraram aniversários natalícios:
O Professor G. Margoliouth escreve na Encyclopaedia of Religion and Ethics (Enciclopédia de Religião e Ética) de Hastings: “A ocasião da festa mencionada em Jó 14f não é clara. Como os sete dias parecem ter sido consecutivos, dificilmente poderiam ter sido aniversários.” “A menção do ‘dia de nosso rei’ em Osé 75 pode, bem naturalmente, ser considerada como se referindo ao aniversário da ascensão do rei ao trono.”
“Os gregos criam que cada um tinha um espírito protetor ou gênio inspirador que assistia a seu nascimento e vigiava sobre ele em vida. Este espírito tinha uma relação mística com o deus em cujo aniversário natalício o indivíduo nascia. Os romanos também endossavam esta idéia. . . . Esta noção incorporou-se na crença humana e reflete-se no anjo-da-guarda, na fada e no santo padroeiro. . . . O costume de acender velas nos bolos começou com os gregos. . . . Bolos de mel redondos como a lua e iluminados com velas eram colocados nos altares do templo de [Ártemis]. . . . As velas de aniversário, na crença popular, são dotadas de magia especial para atender pedidos. . . . Velas acesas e fogos sacrificiais têm um signif**ado místico especial desde que o homem começou a erigir altares para seus deuses. As velas de aniversário são assim uma honra e um tributo à criança aniversariante e trazem boa sorte. . . . As saudações natalícias e os votos de felicidade são parte intrínseca deste dia de festa. . . . Originalmente, a idéia enraizava-se na magia. . . . As saudações natalícias têm poder para o bem ou para o mal, porque a pessoa nesse dia está mais perto do mundo espiritual.” — The Lore of Birthdays (Nova Iorque, 1952), de Ralph e Adelin
Entre os pagãos, segundo Horst Fuhrmann, professor de histórica medieval da univ. de Regensburg,“a celebração natalícia era feita em honra a um anjo da guarda ou um deus, cujo altar era adornado de flores e de grinaldas; ofereciam-se sacrifícios ao deus da festa, os amigos ofereciam congratulações e traziam dádivas”. O prof. Fuhrmann prossegue, no jornal alemão Suddeutschen Zeitung: “Dava-se grande destaque às festas de aniversário natalício realizadas em honra ao imperador, com abundantes paradas, banquetes públicos, espetáculos de circo, e caçadas de animais: espetáculos que eram repulsivos para os cristãos.” Assim, afirma Fuhrmann, os cristãos “recusavam-se a celebrar tal aniversário”.
Existe assim motivos históricos pelos quais nós evitamos promover ou perpetuar tais festividades junto de seus elementos associados. Não se trata de querer ser desmancha prazeres, de impedir a livre manifestação da alegria por mais um ano de vida, e sim e evitar dar a ênfase a um dia que da perspectiva correta, é apenas mais um dia em que Deus nos presenteia com vida e que é tão importante quanto todos os demais que ele nos dá a cada manhã.
As Testemunhas de Jeová explicam as pessoas as origens históricas destas festividades e apontam as Escrituras como parâmetro para a avaliação a fim de certif**arem-se de que se deve ou não incentivar um cristão a promove-la e participar de tais festas. As Testemunhas de Jeová, porém, jamais se posicionam contra pessoas que não fazem parte de sua comunidade religiosa a qual tem como ensino normativo a não promoção e a não participação destas festividades, cada família ou pessoa é livre para determinar para si mesmo o que acredita ser aceitável ou não, mesmo que isso não tenha suporte nas Escrituras.
Nenhuma passagem das Escrituras incentivou o povo Judeu ou nos incentiva hoje a quaisquer festividades das nações, as únicas festividades que foram descritas claramente nas Escrituras é as prescritas aos judeus e as que foram posteriormente determinadas aos cristãos. A única celebração ou data a ser observada pelos cristãos e a morte de nosso Senhor Jesus Cristo. E esta, nós anualmente nos envolvemos e divulgamos ao mundo. No entanto como já declaramos, as demais festividades não faziam parte da vida dos servos judeus de Deus do passado, não faziam parte da vida dos primeiros cristãos e só depois de vários séculos foram inseridas e adaptadas do paganismo e promovidas por alguns grupos religiosos.
Diante disso, não há nenhuma base válida e substancial pela qual devamos participar na mesma ou promove-la. Mas existem motivos pelos quais devemos evita-la, e isso envolve justamente os motivos pelos quais elas vieram a existência.
Se o objetivo de um grupo de pessoas é se alegrar e festejar um momento feliz, isso é perfeitamente possível de ser realizado sem que tenhamos de associar tal ocasião a uma festa cujo os elementos e objetivos estão enraizados no paganismo.
É verdade que as pessoas que comemoram aniversários natalícios hoje em dia não o fazem com base em crenças baseadas no paganismo, pois muitas vezes até desconhecem a origem destas festividades. Porém, sendo que os cristãos podem usufruir de momentos felizes com seus entes queridos em quaisquer ocasiões, sem precisar estar aprisionado a rituais preestabelecidos na antiguidade, não nos submetemos a estes padrões, tampouco desejamos que nossos momentos de descontração tenham algum elemento que possa estar associado ao paganismo.
As duas únicas menções de aniversários natalícios nas Escrituras é o de Faraó e de Herodes, os quais não eram nem servos de Deus e nem obedientes as Escrituras. Será que a omissão total de qualquer referência a um aniversário natalício por parte de um dos servos de Jeová, bem como a comemoração a tal dia em sua homenagem é apenas acidental? Acreditamos que não, e sim que a ausência se dá justamente pelo caráter desfavorável que era visto pelos do povo de Deus. Imagine se não haveria motivos grandiosos para que se comemorasse o nascimento de Jesus caso estas festividades de fato não fossem objetáveis aos primitivos judeus cristãos? No entanto não há quaisquer orientações neste sentido nem um precedente disso no período apostólico e nem entre os judeus pré-cristãos.
A alegação de que estas festas não mais estão vinculadas aos objetivos pagãos e por isso poderiam ser aceitáveis, não as torna de fato mais aceitáveis, ainda mais nos moldes que preservam as características principais de sua origem. Logo, se ela não tem mais os mesmos objetivos, então nós estamos mais do que justif**ados em não a promover, pois não existe assim nenhuma especif**ação de como uma família deve alegrar-se por quaisquer eventos ou momentos felizes de sua vida. Porém, se a declaração realmente é de que não tem mais nenhuma ligação com as suas origens, certamente f**a a pergunta de o porquê os mesmos elementos originais persistem e são mantidos. Ademais, quem definiu que se devesse estabelecer anualmente uma festa em homenagem a alguém no dia que esta pessoa saiu do ventre de sua Mãe? Não existe esta ordem em lugar nenhum, pois é produto de convenções humanas cuja origem remonta a superstição e a magia.
Assim, nós Testemunhas de Jeová não temos o costume de festejar um dia em homenagem ao nascimento de quaisquer pessoas, pois não acreditamos que este dia seja tão mais importante que os demais, e evitamos a associação de quaisquer momentos festivos a costumes antigos que não sejam endossados pelas Escrituras. Acreditamos que Jeová Deus não aprecia a associação de elementos pagãos com o estilo de vida cristão, então temos outras formas de nos alegrar e festejar junto de nossos entes queridos. Mas respeitamos o direito de quem desconsidere isso e promova tais festividades.
Sendo assim, f**a claro aqui nossas motivações, as quais decorrem de um desejo sincero e confiante de que isso resulta no agrado de Jeová.
Quando Testemunhas de Jeová desejam se alegrar ou festejar, elas o fazem isso de diversas maneiras. Uma delas é por organizar pequenos grupos de irmãos os quais reúnem-se em locais previamente escolhidos e modestos para comungarem de um momento de confraternização e troca mutua de encorajamento. Em algumas ocasiões escolhem-se músicas adequadas as quais são reproduzidas no local escolhido sob o controle de um irmão maduro, que controla volume adequado. Danças modestas podem ocorrer, mas não são o foco da ocasião. Embora possam beber bebidas alcoólicas moderadamente, geralmente evita-se nestas ocasiões seu uso. Cada irmão f**a encarregado de trazer de casa um doce ou salgado que será junto dos demais servido a toda a congregação no momento oportuno. São momentos alegres de encorajamento, onde se realiza brincadeiras, joguinhos que estimulam o raciocínio entre outros meios de entretenimento. O que evitamos é a conduta desenfreada geralmente manifesta em festas mundanas.
Igualmente pais e mães Testemunhas de Jeová não se envolvem em gastos exorbitantes na produção de festas de aniversários exibicionistas, com banquetes suntuosos, com alugueis de vestidos caros e produções cinematográf**as para cobrir tais festas. Quando querem alegrarem-se com seus filhos ou entes queridos, simplesmente optam por passar bons momentos junto de tais pessoas em várias situações do dia a dia, dando atenção e carinho e não deixando faltar nenhuma de suas necessidades. Em vez de usarem seus recursos em festas para encherem os olhos de outros, usam seus recursos para darem coisas de real necessidade a seus amados, pois por que deveriam esperar um ano para terem de ter amigos reunidos numa festinha com coisas boas para usufruir se temos a liberdade de fazer isso sempre que desejarmos sem precisar estar preso a critérios e padrões mundanos?
Alegram-se sim, mas jamais fazem tais festas e ajuntamentos com objetivos de ganharem presentes ou se posicionarem a si mesmos ou a outro como o centro das atenções, dos mimos, e de presentes maravilhosos enquanto muitos observadores mal têm para as necessidades diárias muitas vezes. O objetivo sempre é e será o de alegrarem-se mutuamente sem nenhuma pretensão especif**ada e sem nenhuma centralização ou foco pessoal.
Como já dissemos, temos bases históricas, bíblicas e lógicas pelas quais evitamos a promoção e participação de tais festividades. O fato de não participarmos em tais como ficou claro, não nos impede de alegrarmo-nos e passar momentos de grande alegria e de produzirmos grandes a maravilhosas recordações junto de amigos e entes queridos. Não acreditamos que carinho, amor e atenção sejam mais necessários neste dia do que em outros.
Diante do exposto, esperamos que possam ter compreendido nosso posicionamento em relação a festas de natalícios, e dos motivos pelos quais elas nos são completamente desnecessárias.