08/03/2025
O AMOR
Ou
MULHER DE MARÇO
Ponha-se o sol no horizonte ante a tua grandeza
Humilhem-se nas florestas as leoas quando passas
Esbatam-se as ondas nos mares quando navegues
E segue o teu caminho triunfante
No jubiloso encanto que te imprime a natureza…
Ah!... se soubesses quão pura é a essência
do profundo sentimento que a ti me prende!...
Não é só o teu corpo a meus olhos
Que me embala e embriaga a consciência…
Todo o teu ser me arrebata
E me liberta da vida os abrolhos
E me leva a olvidar-me na brandura do espaço
Para sossegar nos teus braços…
Eu te amo, mulher! Não pela tua beleza…
Olha para ti mesmo e vê quem és:
O coração que em ti guardas e sua grandeza,
O espírito que o anima e a generosidade
Que faz transparecer no teu olhar…
Somos parte do mesmo todo,
Ocupamos o mesmo espaço no universo,
Pensamos do mesmo modo,
Temos uma alma invisível com virtudes e candor
Que nos liga ao Criador
E nos faz diferentes de todas as criaturas…
Daí querermos estar juntos…
…E nesse querer sublimado
Está imbuído o meu amor,
O elixir refrescante que suaviza os espinhos da vida,
Embebe de gozo e prazer a nossa intimidade
E faz que o fulgor da espécie não se apague na extinção…
E tu, meu irmão que caminhas cegamente pelo mundo,
Não deixes que a solidão te enleve os pensamentos
E fiques por aí vegetando entre as outras criaturas.
Abre o coração aos sinais de humanidade da mulher
E aceita a empatia que te oferece do seu fundo.
Ah! Que bom é os irmãos viverem em união!...
Eu te amo, criatura!...
Uma nuvem áurea nos envolve e nos distingue…
Deus nos faz querer com brutal ansiedade
E o amor se inflama em nós em chamas acrisoladas
De candura e gratidão.
Surge nos peitos frementes uma zelosa afeição
E num incrível vendaval são as almas misturadas:
É o amor de mãe a instalar-se no coração da gente
Que importa a indiferença das montanhas,
A cegueira das flores das acácias da alameda,
As nuvens que no céu se revolvem em turbilhão
E as faíscas estrondosas que soltam da sua massa?
Será que as montanhas também se amam
Quando se atiram os ventos de cume a cume
E as nuvens as envolvem em auréolas de arco-íris?...
Será de ciúme?...
O que é preciso é que os homens amem mais.
De Hendrik Vaal Neto
Por ocasião de Março Mulher